Portugal vive um momento singular no panorama internacional do desporto motorizado: tem um diretor de corrida da Fórmula 1, um diretor de corrida do WEC e vários quadros técnicos a desempenhar funções de relevo em estruturas da FIA. O prestígio acumulado, aliado ao trabalho de décadas, coloca o país num patamar raro, especialmente para uma nação sem Grande Prémio próprio e com recursos limitados face a outros gigantes do automobilismo.
Ni Amorim, presidente da FPAK, reflete sobre o impacto desta presença lusa ao mais alto nível, sobre as oportunidades que podem abrir-se para futuros quadros portugueses e sobre o atual mandato da FIA, que deverá continuar sob a mesma liderança. Nesta última parte da entrevista, o dirigente analisa o contexto internacional com franqueza.
AutoSport — Hoje temos um diretor de corrida da Fórmula 1 português e um diretor de corrida do WEC também português. Vê esta presença com orgulho? Acha que o trabalho desenvolvido até aqui permite que mais portugueses tenham destaque na FIA?
Ni Amorim — “É uma porta que ficou aberta. O Eduardo Freitas iniciou todo este caminho, e fico muito contente porque são quadros que estiveram anos a trabalhar na Federação. Estão sempre disponíveis para ajudar a FPAK, apesar das enormes limitações de tempo por causa das suas ocupações internacionais. São pessoas com quem troco ideias frequentemente. Fico muito satisfeito que estejam nesses cargos, porque é bom para Portugal. E, sendo portugueses e patriotas, tudo aquilo em que puderem defender o nome e os interesses de Portugal, dentro do meio onde se movimentam, tenho a certeza de que o farão.”

AutoSport — Quanto ao recem eleito presidente da FIA, que balanço faz da sua presidência até agora?
Ni Amorim — “A primeira metade do mandato foi muito complicada e muito controversa. Compreendo que quis fazer reformas quase todas ao mesmo tempo, o que gerou muita turbulência. Mas neste momento noto mais estabilidade na FIA. Existem discordâncias — é inevitável — mas prevejo que o segundo mandato seja mais calmo e menos polémico. As grandes reformas que ele queria fazer já as fez. Houve muitas mudanças na parte dos recursos humanos, uma verdadeira dança de cadeiras, com instabilidade no management. Entravam e saíam pessoas com frequência, e isso não é bom porque não conseguimos estabelecer relações duradouras. Acho que essa fase está ultrapassada e espero, para bem do automobilismo, do motorsport e da mobilidade — áreas pelas quais ele é responsável — que este seja um mandato mais tranquilo. A boa notícia é que, financeiramente, a FIA está melhor agora do que estava há quatro anos.”

AutoSport — E quanto à relação institucional entre Portugal e a FIA? Houve algum problema?
Ni Amorim — “Nenhum. Tenho uma excelente relação com o presidente da FIA e com várias pessoas que ocupam cargos de topo. Não tenho qualquer problema — pelo contrário.”










