De mal a pior! Imagine-se a seguinte situação. Uma personalidade importante da sociedade portuguesa comete uma ilegalidade, que estava a ser alvo de muitas críticas por parte da sociedade, a tutela descobre a ‘marosca’, faz um acordo com essa entidade, e nesse acordo a tutela fica impedida de explicar à sociedade qual foi a marosca. É mais ou menos o que sucede com a FIA, com Jean Todt a vir a público dizer que gostava de revelar detalhes sobre a polémica resultante da unidade motriz da Ferrari e o consequente ‘castigo’ aplicado, mas não o pode fazer porque a Ferrari não deixa. “Ó Sr. Juiz, está proibido de divulgar o acórdão!”
Em declarações ao Motorsport.com, Jean Todt, diz que as suas mãos estão atadas devido ao acordo feito com os italianos e que fez o que podia fazer, divulgar que existiu um acordo, sendo essa a forma que Todt e a FIA encontraram para lavar ‘minimamente’ as mãos: “Adoraria dar todos os detalhes da situação, mas a Ferrari não deixa. Portanto, foram sancionados, mas não podemos divulgar detalhes da sanção”, disse Todt, que destaca o facto de poder ter mantido secreto este acordo com a Ferrari, tendo preferido divulgá-lo. Ou seja, fez metade do que devia.
Entende-se a questão, por um lado, mas isto é a mesma coisa que sucede muitas vezes na sociedade em geral, quando quem prevarica tem bem mais meios para se defender do que o próprio estado para os investigar. Não é preciso pensar muito para dar exemplos e nem sequer é preciso sair de Portugal: “Infelizmente, os nossos engenheiros técnicos alegam ser muito difícil demonstrar com exatidão que o motor da Ferrari não era legal”. Ou seja, sabe-se que é ilegal, mas como não se consegue demonstrá-lo, faz-se um acordo.
Como se sabe, começaram por ser sete as equipas que se insurgiram perante esta situação, a Mercedes saiu, ficaram seis. Especialmente a Red Bull diz que não se irá calar perante este assunto. Segundo o que Todt disse às equipas, agiu no melhor interesse da F1.











