Depois de tudo o que se passou no GP do Qatar de F1, em que os pilotos sofreram imenso com o calor, a grande maioria teve desidratação muito intensa, exposição aguda ao calor, alguns, vómitos, e houve mesmo quem tivesse quase desmaiado dentro do monolugar durante a prova.
Por tudo isto, são importantes as lições a tirar desse castigo sofrido pelos pilotos na última corrida pelo que será agora a altura da FIA intervir e pensar como vai regular a temperatura do cockpit, talvez com a colocação de caixas eletrónicas para medir os dados biométricos, de modo a evitar que suceda algo semelhante ao da corrida do Qatar.
Mike Krack, que veio da equipa Porsche do WEC, tem algumas ideias sobre isso: “Penso que a GPDA e a FIA estão a trocar impressões e temos de ver o que acontece nas próximas semanas. É verdade que noutras categorias há dispositivos diferentes. Penso que o Zak (Brown) pode falar pela IndyCar, onde têm arrefecimento no capacete ou qualquer tipo de arrefecimento ativo, que não existe na F1. Por isso, penso que nas próximas semanas teremos de nos reunir com todas as partes envolvidas e chegar a uma boa conclusão pois não é do interesse de ninguém continuar assim e os pilotos precisam de estar mais confortáveis se quisermos que extraiam tudo o que podem, e penso que devemos trabalhar em conjunto para o conseguir”, disse Krack, que foi corroborado por Zak Brown: “penso que as equipas e os pilotos terão uma grande capacidade de ter diferentes pontos de vista sobre diferentes tópicos, mas quando se trata de segurança, todos estão alinhados e, por isso, todas as pessoas inteligentes na sala se juntam para encontrar uma solução. Toda a gente reconhece que não foi uma boa situação, por isso vamos ter todas as pessoas certas a trabalhar em conjunto para descobrir qual é a melhor solução e estou muito confiante que isso vai acontecer depressa”
Para Toto Wolff, Chefe de Equipa da Mercedes: “esta foi para mim a situação mais extrema de um piloto em termos de absorção de calor que vi até agora. E penso que há algumas pessoas que diriam “bem, é isso que o trabalho implica” e, até certo ponto, isso está correto. Temos de ser capazes de treinar para estas situações extremas, mas talvez este tenha sido um passo demasiado grande e a maioria dos pilotos foi unânime em dizer que não podemos voltar a passar por isto. E se conseguirmos encontrar uma solução com a FIA e com os pilotos para arrefecer um pouco mais o cockpit sem fazer grandes buracos, o que levaria novamente a uma situação em que seria necessário alterar o regulamento técnico? Penso que não é algo que queiramos abrir, mas em qualquer caso é preciso respeitar a posição do piloto e isso não foi agradável de ver”, disse.
Já Guenther Steiner lembra que a corrida do Qatar não é na mesma altura em 2024 e nos outros circuitos o risco de haver uma situação semelhante no calendário é bastante baixo: “agora que já se passou por isso e sabemos que não podemos repetir, também penso que não devemos exagerar na procura de soluções técnicas. O Toto diz para fazer grandes buracos ou grandes dispositivos no carro de corrida para uma situação que surgiu uma vez em 100 anos. Por isso, penso que temos de manter os pés bem assentes na terra e ver se existe ou não um risco ou se podemos evitá-lo ajustando o calendário, que penso ser a forma mais fácil de o fazer”.
Como se percebe, nunca é fácil ter visões que convergem na F1, mas no essencial já se percebeu que mesmo sendo atletas de elite, não se deve esperar que compitam em condições que possam pôr em risco a sua saúde ou segurança.
Portanto a FIA vai agir, está prevista uma reunião da comissão médica, e depois de ouvidas todas as partes vai haver orientações para os concorrentes e ideias para atenuar o problema, quer sejam modificações para um fluxo de ar mais eficiente no cockpit ou mesmo mudanças no calendário, de modo a tornar menos provável que suceda algo do género. Contudo, como anda hoje em dia a meteorologia, nunca se sabe.
Certo é que sendo os pilotos de F1 dos melhores atletas do mundo, se estão a ser afetados o problema precisa de ser bem analisado.
Uma coisa é certa: esperar que os pilotos cedam e parem se estiverem a sentir-se mal, não, porque eles iriam sempre levar o seu esforço para lá dos limites, precisamente o que se quer evitar.
Portanto, essa decisão não pode ser deixada na mão dos pilotos, mas sim da FIA. Por outro lado esta foi uma situação inesperada para as equipas, e algo deste tipo, mas em menor escala já aconteceu em corridas como a de Singapura, e aí os pilotos e as equipas já sabem como antecipar a questão.
A temperatura nunca esteve como potencial problema em cima da mesa, e depois já era demasiado tarde. E para uma coisa destas acontecer na F1, quando tudo é visto ao microscópio, imagine-se…
Se até aqui a F1 e a FIA sempre foram respondendo e a evoluir mediante o que se foi passando em pista, por exemplo com as corridas em piso molhado, as medidas de segurança, agora é a vez de se olhar para o calor e humidade extremos.
FOTO Martin Trenkler










