AIA está pronto para uma corrida de Fórmula 1

Por a 31 Março 2017 21:57

Ross Brawn deu o mote, ao dizer que seria interessante um Grande Prémio de Fórmula 1 extra-campeonato, por ano para testar ideias para os fins-de-semana de Grandes Prémios. E se essa corrida fosse no Autódromo Internacional do Algarve? O circuito está pronto. Agora ainda mais pois a FIA deu hoje à pista a homologação máxima. Venham eles que já os podemos receber: ”O Autódromo Internacional do Algarve obteve hoje, por parte da Federação Internacional do Automóvel (FIA), homologação máxima, Grau 1. É com enorme orgulho que recebemos o grau máximo, que nos possibilita receber corridas do Grande Prémio de F1”, anunciaram os responsáveis pela pista na sua página de Facebook.

As corridas extra-campeonato não são uma novidade na Fórmula 1, tendo-se disputado até ao final de 1983, mas estas eras provas que surgiam do interesse suscitado pelos media e adeptos britânicos num período em que existiam menos provas por temporada da categoria máxima do desporto automóvel e era muito mais barato colocar os monolugares de Grande Prémio em pista.

Mas os planos de Brawn são diferentes…

Nos últimos anos têm existido diferentes correntes que apontam para a necessidade de uma alteração no formato dos fins-de-semana de Grandes Prémios, havendo quem defenda que deveria passar haver corridas mais curtas.

Por outro lado, há quem também defenda a redução do fim-de-semana de três dias para dois, o que tem colhido alguma resistência da parte dos organizadores de corridas.

Brawn está aberto a modificações no formato do fim-de-semana de Grande Prémio, mas não pretende conduzir experiências em provas do campeonato, querendo implementar, se for caso disso, uma solução comprovada e é aqui que entram as provas extra-campeonato.

Um Grande Prémio sem a carga do Campeonato do Mundo FIA de Fórmula 1 daria aos homens da Liberty Media a liberdade de avaliarem novas soluções para os eventos oficiais, sem que tivessem que ficar reféns delas para uma temporada inteira. “O meu sonho, na verdade, seria termos uma corrida fora do campeonato uma vez por ano. Numa corrida fora do campeonato poderíamos realizar experiências.(…) Permitir-nos-ia variar o formato e experimentar algo diferente e evoluir. Afinávamos o conceito. Poderíamos torná-lo melhor e concluir ‘na verdade, isto é melhor do que aquilo que temos. Os adeptos adoram-no. Vamos mudar’”, afirmou o inglês, que acrescentou: “Não podemos correr o risco de trocar o formato durante o campeonato de forma errada. Fico um pouco nervoso com isso. Quando começamos a mudar o formato, temos que ter a certeza de que o fazemos de forma correcta. Quando iniciamos um campeonato com um formato, não o podemos alterar durante o ano ou não o deveríamos alterar durante o ano”.

AIA Portimao (4)Uma prova extra-campeonato teria que ser realizada antes do início da temporada oficial, uma vez que, depois da derradeira corrida da época, estamos já em dezembro e todos os envolvidos no circo da Fórmula 1 estão desgastados de todas as viagens e de um campeonato extremamente exigente.

Fevereiro seria o mês ideal para uma prova nestes moldes. As equipas estariam a prepara-se para mais uma temporada e esta seria uma forma de preparar as suas equipas de mecânicos para a pressão oferecido por um fim-de-semana de corridas.

O local, no entanto, teria que obedecer as três condições prioritárias: realizar-se num circuito com bom tempo em Fevereiro, que fosse próximo das bases das equipas e perto do Circuit Barcelona – Catalunya, onde se realizam tradicionalmente os testes de Inverno. Estas características assentam que nem uma luva no Autódromo Internacional do Algarve.

O traçado português está a mil e duzentos quilómetros da pista catalã e a três horas de avião das bases das equipas de Fórmula 1. No que diz respeito a questões climatéricas, apesar do improvável mau-tempo que se abateu sobre o AIA sempre que a Fórmula 1 o visitou, o Algarve é ainda conhecido pelo Sol e pelas temperaturas amenas que oferece aos seus visitantes, mesmo no Inverno. É evidente que a ideia está ainda numa fase embrionária, mas uma prova de Fórmula 1 em Fevereiro seria também uma mais-valia para a região turística do Algarve, que em Fevereiro está a passar por um período de época baixa.

Paulo pinheiro AIA Portimnao (1)Paulo Pinheiro, o CEO do Autódromo Internacional do Algarve, reconhece as vantagens de uma corrida de Fórmula 1 nestes moldes para toda a região e para o circuito. “Uma corrida de Fórmula 1 será sempre muitíssimo bom e interessante, seja para nós circuito seja para o turismo, já que o impacto económico é enorme e a exposição mediática também, especialmente numa época turística mais baixa como Fevereiro, sem qualquer sombra de duvida”, afirmou ao Autosport.

No que diz respeito ao circuito em si, Pinheiro aponta que toda a estrutura está dimensionada para um Grande Prémio do Fórmula 1: “O circuito e as nossas infraestruturas estão prontos, ainda para mais agora com o hotel em funcionamento, temos todas as condições para receber uma corrida de Fórmula 1”, afirmou o líder do AIA que entretanto recebeu a nova homologação para Fórmula 1, pois as regras mudaram substancialmente.

É evidente que terá sempre que existir vontade política para que se possa sonhar sequer com uma prova de Fórmula 1, ainda que extra-campeonato, no Autódromo Internacional, mas durante um discurso de inauguração do hotel situado nas imediações do circuito algarvio, em Setembro último, António Costa foi desafiado por Isilda Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Portimão, a trabalhar para levar um Grande Prémio até ao AIA e o Primeiro-Ministro de Portugal não foi completamente antagónico à ideia: ”o que nos propôs é bastante aliciante, bastante empolgante, vale a pena prosseguir o trabalho”. Para já tudo isto não passa de conjeturas, até por que, a oportunidade ainda não surgiu de facto, uma vez que foi apenas uma ideia atirada para a mesa por Brawn, mas as condições existem no Algarve, resta as autoridades competentes aproveitaram, caso a ocasião apareça.

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9 comentários

  1. Iceman07

    31 Março, 2017 at 22:06

    Eu pensava que tinha Grau 1, mas realmente vendo a lista da FIA 2016 (basta colocar no google ‘FIA circuit grading’ e vai aparecer vários .pdf) o Algarve estava realmente no Grau 2, na lista de 2015 o Estoril ainda aparecia no Grau 1 mas caiu para o Grau 2.
    Acho bem, este circuito é muito melhor que muitos circuitos “tilkeados” que andam por ai.
    O Costa e o Marcelo que se deixem de estátuas em aeroportos e futebois e invistam aqui. O retorno em turismo que teriam seria enorme, de certeza.

  2. Roger M

    31 Março, 2017 at 23:49

    O Autódromo Internacional do Algarve é um bom traçado, muito elogiado por quem lá corre. O “problema” é estar longe da Capital, ao contrário do Estoril. Talvez por isso que se vejam tantas bancadas vazias. Mas em contra ponto, dada à sua localização, se lá fizessem um Grande Prémio de F1, no Verão, certamente teriam “casa cheia”. E com a qualidade das praias, muito do “paddock” ficaria rendido. Agora até que consigam trazer para cá a F1, isso é outra conversa.

    • Iceman07

      1 Abril, 2017 at 3:09

      Ora ai esta, o problema é estar longe da capital. Não só pelas bancadas vazias, mas porque parece que neste país algumas vezes é como aquela velha frase “Portugal é Lisboa, e o resto é paisagem” felizmente o Rally de Portugal passou a ser no Norte do pais, o WTCC é no Norte, o Rallycross é no Norte.

    • Pity

      1 Abril, 2017 at 18:38

      Em Inglaterra, Itália, Alemanha, só para citar três, os circuitos de GP ficam perto da capital desses países? Não me parece, mas o público vai lá, portanto, essa desculpa não serve. Se disser que não temos adeptos suficientes, ainda aceito, mas sendo no Algarve, mesmo em época baixa, acredito que viriam muitos estrangeiros, que aproveitariam para umas banhocas nas belas praias algarvias.

  3. Paulo Teixeira

    1 Abril, 2017 at 10:46

    Descentralização e mais apoio local precisa-se. Sem estas duas opções em aberto continuamos na periferia dos grandes eventos

  4. rodríguezbrm

    2 Abril, 2017 at 12:45

    Nada disto tem a ver com o “peixe de abril?”
    Fica esta do Pérez (o “arrogante”) dos tempos da Sauber

    https://www.facebook.com/Formula1/videos/785862301570754/

  5. Frenando_Afondo™

    2 Abril, 2017 at 18:03

    Tivesse o AIA entrado no circuito de GP´s de F1 mais cedo e o Bernie tinha pressionado a Red Bull para meter o AFC na Toro Rosso para aproveitar o hype e o mercado português, que por mais pequeno que seja, o Bernie não ia dizer que não a mais uns trocos.

    Porque basta ver as “coincidências” desta F1, terem escolhido o Kvyat no mesmo ano em que entrou para o circuito o Gp da Rússia… “Coincidências”.

    Sou todo a favor do AIA candidatar-se a entrar na F1, mas a pergunta que fica é: quanto vai custar e quem é que paga, porque fazer a inscrição para receber a F1 não é nada barata e já se sabe, se não há retorno… Quem paga é o povinho.
    Mas tendo em conta que é perto do país dos ingleses (Algarve) e dinheiro não lhes falta e têm pilotos ingleses a quem apoiar, até pode ser um excelente investimento. Mais os espanhóis que vêm dali de perto (e de qualquer outro sítio com os voos tão baratos) para apoiar Alonso e Sainz, então acho que já deviam ter-se candidatado…

    Isso de ser perto ou longe da capital não interessa nada, o Algarve e as suas cidades têm infraestruturas mais que preparadas para receber turismo e com ligações para os principais aeroportos, não vejo qual é o problema de haver corridas no AIA.
    A única coisa que o estoril tem superior ao AIA é ser um circuito histórico, nada mais.

    Claro que o mais provável é ter de se criar algumas ligações aéreas que ainda não existem, para facilitar a chegada dos adeptos. Mas tendo em conta o ganho que pode vir daí, mais uma vez não vejo o problema.

    • Iceman07

      2 Abril, 2017 at 21:15

      O GP da Rússia creio ter pouco a haver com o Kvyat ter entrado na F1 no mesmo ano. O Bernie várias vezes disse que é fã do Putin e que todos os políticos deviam ser como ele.

      • Frenando_Afondo™

        4 Abril, 2017 at 17:58

        Eu acredito que teve influência sim, veja-se por exemplo como cada vez que vão deixar de haver pilotos brasileiros o Bernie entra em pânico e começa a procurar jovens promessas brasileiras e a pressionar as equipas a incorporar uma delas para não perder receitas no GP do brasil…

        E o mercado russo é bem grande. O problema para o kvyat é que logo a seguir apareceu um piloto que gerava ainda mais receitas para a RB e levou um chuto no cu logo a seguir.

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