Mattia Binotto, diretor da Audi na Fórmula 1, questionou publicamente se a Mercedes se posicionou de forma estratégica para beneficiar do sistema de concessões ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities) da FIA, que permite às motorizações menos competitivas obterem desenvolvimentos adicionais para reduzir a diferença face ao motor de referência.
De acordo com a avaliação da FIA, a Red Bull-Ford possui o motor de combustão mais forte da grelha, o que significa que a Mercedes, Ferrari, Honda e Audi qualificaram para diferentes níveis de assistência ao abrigo das regras ADUO. Binotto revelou dúvidas sobre a legitimidade da posição da Mercedes neste sistema, sugerindo que a equipa alemã poderá ter gerido deliberadamente o desempenho do seu motor para garantir o acesso às concessões. O italiano criticou também o próprio mecanismo de concessões, defendendo que os upgrades adicionais deveriam ser atribuídos com base num sistema de classificação, à semelhança do que sucede com o chassis.
“Toda a gente sabia que a Red Bull tinha um bom motor, mas o da Mercedes não é de forma alguma inferior” disse Binotto ao f1-insider.com. “Talvez não tenham conseguido explorar todo o seu potencial por razões de fiabilidade ou outras, porque conseguiram de forma inteligente assegurar esta vantagem ADUO. Ter uma vantagem significava não haver razão para continuar a pressionar. Esse é o limite dos regulamentos atuais. Os upgrades adicionais deveriam ser atribuídos com base num sistema de classificação, como acontece com o chassis. Não há como escapar a isso.”
No que respeita à Audi, a equipa já utilizou o primeiro dos seus upgrades ADUO permitidos, introduzindo hardware revisto no Grande Prémio de Barcelona centrado num turbo atualizado, com o objetivo de melhorar a entrega de potência. Contudo, o diretor de corridas da Audi, Allan McNish, indicou que o segundo upgrade poderá não chegar antes de 2027.
“Sabemos onde estamos. A nossa primeira unidade motriz está a revelar-se bastante robusta e os problemas iniciais foram resolvidos. Mudanças como a de Barcelona são pequenas, mas importantes.Com toda a probabilidade, o próximo passo real só chegará em 2027″ disse McNish ao Auto Motor und Sport.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA









