Segundo o inglês, “o KERS já serve como mensagem de que a F1 se preocupa com a ecologia e termos motores turbo, que não fazem barulho, vai-nos custar muitos espetadores e até as televisões vão perder interesse nos Grandes Prémios. O ruído é um elemento importante na atração da F1 e, se o perdermos, isso será negativo.”
Pode ser bem verdade, mas o objetivo de Ecclestone é outro, como sempre. Numa altura em que a FIA e a FOTA estão a alinhar posições para ficarem com uma fatia muito mais significativa dos lucros gerados pelos direitos comerciais do Campeonato do Mundo de F1, Ecclestone pisca desta forma o olho à Ferrari, procurando ter a Scuderia como sua aliada para causar um rombo decisivo na coesão entre as equipas.
Recorde-se que Montezemolo foi bastante violento nas suas críticas ao novo regulamento relativo aos motores, pelo que as palavras de Ecclestone têm de ser entendidas como uma aproximação ao italiano. O patrão da FOM sabe bem que sem a Ferrari a FOTA não tem qualquer peso e tenta, assim, uma manobra semelhante à que protagonizou em 2004, quando passou a pagar cem milhões de dólares por ano à Scuderia e matou, à nascença, a associação de construtores que ameaçava a sua posição hegemónica.
Luís Vasconcelos










