Carlos Sainz manifestou perplexidade perante a postura de Max Verstappen e de outros pilotos que já admitiram a possibilidade de abandonar voluntariamente a Fórmula 1, garantindo que pretende lutar para se manter na grelha o máximo de tempo possível. As declarações do piloto da Williams surgem depois de o espanhol ter assinado uma nova extensão de contrato plurianual com a equipa de Grove, contrastando com a postura do seu antigo companheiro de equipa, Verstappen, que admitiu recentemente estar “mais próximo de reformar-se do que de mudar de equipa”.
A F1 é o objetivo de muitos jovens que se iniciam nos karts ou nos monolugares das categorias inferiores. O sonho de uma vida em que são inúmeros os casos de dedicação extrema para chegar a um dos agora 22 lugares. Mas Max Verstappen nunca se mostrou muito adepto da estatística e da história apesar de ter quebrado vários recordes. O neerlandês, que tem afirmado repetidamente não pretender competir até aos 40 anos, ao contrário do que fizeram Fernando Alonso e Lewis Hamilton, assinou um novo contrato com a Red Bull até ao final de 2030.
O tetracampeão mundial fez a sua estreia na Fórmula 1 com apenas 17 anos, ao lado de Sainz na Toro Rosso, em 2015, e venceu o seu primeiro Grande Prémio aos 18. O neerlandês já tinha indicado anteriormente que o contrato agora assinado seria o último da carreira, embora essa continue a ser uma incógnita, já que o acordo termina apenas alguns meses depois de o piloto completar 33 anos.
— Atlassian Williams F1 Team (@WilliamsF1) August 21, 2026
Sainz, com quase 32 anos, não revela qualquer inclinação semelhante. Questionado sobre o seu futuro a longo prazo, tendo em conta que Hamilton, aos 41 anos, e Alonso, aos 45, continuam a competir, o quatro vezes vencedor de Grandes Prémios foi claro na sua perspetiva, afirmando ao autosport.com: “olhando para o que o Fernando e o Lewis ainda são capazes de fazer, e também para o Nico [Hulkenberg], que é uns anos mais velho do que eu, isso confirma-me que se pode manter um nível de condução muito elevado durante muito tempo. Tenho a sorte de estar num desporto que permite manter este nível durante muitos anos.”
O piloto espanhol recorreu ainda a um exemplo familiar para sustentar a sua visão, recordando que o pai, Carlos Sainz sénior, apesar de não competir na Fórmula 1, continua competitivo aos 63 anos, tendo vencido o Dakar há dois anos. Segundo Sainz, cuidar da condição física e manter uma motivação forte permite prolongar a carreira por muito tempo, sendo também fundamental estar bem psicologicamente, dado o peso das viagens e dos compromissos de marketing e media associados à competição — fatores que, postos de lado, permitiriam, na sua opinião, continuar a competir até aos 45 anos.
O espanhol deixou ainda pouca margem para dúvidas quanto à sua posição face aos pilotos que já falaram abertamente sobre desistir. “Neste momento, sim. Penso que vou ficar na Fórmula 1 o máximo de tempo possível. Não compreendo as pessoas que dizem ‘não'”, afirmou Sainz. O piloto acrescentou uma reflexão pessoal sobre o significado da idade na sua vida, notando que, aos 40 anos, uma pessoa ainda não atingiu metade da vida, o que o leva a questionar-se sobre o que fará na “segunda metade” dela. Sainz admitiu gostar de jogar golfe, andar de bicicleta, jogar padel e desafiar-se em atividades empresariais, mas sublinhou que, mesmo somando todas essas ocupações, nenhuma lhe proporciona o mesmo prazer que sente ao estar onde está atualmente. O piloto reconheceu ainda a sorte de fazer parte deste desporto:
“Estou ciente da sorte que tenho por fazer parte deste desporto. É verdade que 24 corridas são muitas e que há muitos outros compromissos a par delas, mas quando me deito à noite, lembro-me de que não trocaria tudo isto por nada neste mundo.”
Foto: MPSA









