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FCA e PSA estão em conversações para possível fusão

José Manuel Costa by José Manuel Costa
30 Outubro, 2019
in AUTO+
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Abortada a fusão com a Aliança Renault Nissan Mitsubishi, a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) voltou às negociações com o PSA Group no sentido de encontrar uma plataforma de entendimento.

A notícia foi dada pelo “The Wall Street Journal” e replicada por vários órgãos de comunicação social dedicados á economia: a FCA está em negociações com a PSA para uma fusão. Citando fontes próximas das negociações, o jornal norte americano refere que no evento de uma fusão, pode estar a ser erigido um colosso transatlântico com um valor superior aos 50 mil milhões de euros.

A PSA e a Fiat Chrysler Automobiles acabaram por confirmar as negociações para um possível acordo que irá remodelar a industria automóvel e criar um gigante com o mesmo poderio da Volkswagen. “Estão a decorrer discussões tendentes a criar um dos maiores grupos de mobilidade do mundo” referiu a FCA em comunicado. A PSA emitiu comunicado semelhante. 

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Uma das possibilidades em cima da mesa é um negócio de troca de participações, sendo que outro cenário desenha uma fusão de parte iguais, com o português Carlos Tavares a liderar a empresa nascida desta fusão como CEO, enquanto John Elkann, o presidente da FCA, assumiria o mesmo papel na nova empresa.

Atendendo às dimensões das duas empresas, a PSA seria a entidade a adquirir a FCA, ficando com vantagem, também, no conselho de administração, diz a Bloomberg, citando fontes próximas do processo. A fusão das duas empresas daria origem a um gigante com o mesmo tamanho de um construtor como a Honda.

Para decidir o negócio, o conselho de administração da PSA vai realizar uma reunião extraordinária esta quarta feira, 31 de outubro, o mesmo estando previsto ser feito pela Exor NV, a holding da família Agnelli, dona de 29% da FCA e liderada por John Elkann. Segundo as mesmas fontes, as negociações têm decorrido de forma fluída e célere, porém, não há, neste momento, nenhuma garantia que haja um acordo final. Ambas as empresas, naturalmente, declinaram comentar estas notícias.

Se este cenário for mantido e a negociação chegar a bom porto, será cumprido o sonho de Sergio Marchionne, que passou muitos anos da sua vida á procura de um parceiro, agitando a bandeira da consolidação. Tentou com muitos parceiros, alguns improváveis como a General Motors e já depois da sua morte, a FCA esteve próximo da fusão com a Aliança Renault Nissan Mitsubishi, o que resultaria num grupo cujo valor estaria acima dos 35 mil milhões de euros.

Jogando em dois tabuleiros, a FCA está agora convicta que pode encontrar, finalmente, o parceiro que tanto ansiava na PSA, formando um colosso que produz quase 9 milhões de veículos por ano, sendo desta forma capazes de competir com a Toyota, a VW e a Aliança franco-nipónica. Além disso, os dois grupos têm forte peso nos segmentos inferiores, o que poderia oferecer sinergias fantásticas para ambos neste particular. Obviamente que para Carlos Tavares, a fusão com a FCA dar-lhe-ia acesso ao mercado norte americano, que o português considera ser fundamental para crescer sem estar alavancado no mercado europeu.

Recordamos que a PSA tem um projeto de regresso ao mercado norte americano com a Peugeot em 2023, algo que seria acelerado com a fusão com a FCA, permitindo, também, o acesso a uma rede de distribuição muito importante com ganhos assinaláveis. Para muitos observadores, esta fusão FCA-PSA faz mais sentido que uma fusão FCA-Renault.

Convirá recordar que esta não é a primeira ronda de negociações para uma fusão entre a FCA e a PSA. Foi a PSA quem tomou a iniciativa de colocar uma proposta em cima da mesa, mas a FCA rejeitou liminarmente qualquer negociação por estar a apostar todas as fichas no negócio com a Renault. Por outro lado, os homens da FCA não estavam muito interessados em aumentar a sua exposição ao mercado europeu e a família Agnelli não estava interessada numa negociação financiada com troca de ações e de capital. 

Porém, as negociações com a Aliança Renault Nissan Mitsubishi, fracassaram em maio, a FCA saiu da mesa de conversa em junho e voltou a busca por um parceiro. Mike Manley, numa conversa com os acionistas, deixou claro que a FCA voltava a estar aberta a novas negociações, destacando que o plano de negócios do grupo é robusto e sobrevive com ou sem fusão.

No lado da PSA, Carlos Tavares já assinalou os riscos desta fusão, lembrando que a FCA se virou para a Renault devido à depreciação sofrida com o escândalo Carlos Ghosn, ou seja, a FCA viu uma oportunidade de fazer uma fusão a partir de um preço baixo do opositor. Ou seja, o português deixou claro que está aberto a negociações, mas os trunfos na sua mão são mais fortes que os da Renault.

Ou seja, adivinha-se mais um negócio com o “Toque de Midas” de Carlos Tavares. O executivo português chegou à PSA em 2013 com o grupo gaulês á beira da falência e em seis anos conseguiu recuperar e hoje exibir margens de lucro operacional que fazem inveja aos construtores Premium. E a sua forma de estar ficou visível em 2017, quando num só gesto rápido, quando tirou a Opel das mãos General Motors, por pouco mais de 2,3 mil milhões de euros. Na ocasião, Tavares disse que a Opel regressaria aos lucros em 2020, mas um ano depois, já a marca alemã estava a dar dinheiro. 

Contas feitas, a PSA tem uma margem de lucro operacional de 8,7%, com Carlos Tavares a levar a cabo um plano de redução de custos e maior eficiência na produção, distribuição e venda dos seus produtos. Simplificou as gamas, partilhou até á exaustão as plataformas com todas as marcas e direcionou a rubrica de investimento em pesquisa e desenvolvimento para áreas rentáveis e não para projetos sem sentido.

Evidentemente que a PSA tem pontos fracos, um deles é o mercado chinês, onde as duas “joint ventures” da PSA não conseguem aumentar as vendas e os números derraparam para o vermelho com 302 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre de 2019. A PSA diz continuar firme na China, mas sabe-se que toda a operação da PSA está à venda.

Tags: Carlos TavaresFCAFusão FCA-PSAPSA
José Manuel Costa

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