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Estudo revela impacto alarmante da fadiga na Segurança Rodoviária em Portugal

José Luis Abreu by José Luis Abreu
16 Março, 2025
in AUTO+, Mundo Automóvel, Newsletter, Notícias
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Estudo revela impacto alarmante da fadiga na Segurança Rodoviária em Portugal

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Se viaja frequentemente de automóvel, não deve ter sido apenas uma ou duas vezes que sentiu sono ao volante. E o que fez? Combateu esse sono da melhor forma que podia e sabia. Pois saiba que é perigosíssimo continuar a guiar quanto sente sonolência.

Numa análise da realidade portuguesa, um estudo demonstra claramente que fadiga e sonolência são responsáveis por 30% dos acidentes rodoviários. Cerca de 1 em cada 4 condutores apresenta sonolência excessiva, 1 em cada 5 condutores têm um elevado risco de sofrer de Apneia do Sono, 1 em cada 3 condutores já conduziu num estado de sonolência extrema e 9,4% dos condutores adormeceram ao volante. São números muito maus, e, na verdade, só tem que responder a uma questão e atuar conforme a sua resposta: está preparado para aceitar as consequências de ter um acidente porque continuou a conduzir com sono? A sua resposta só pode ser não…

Apesar de a maioria dos condutores reconhecer os riscos (90,6% admitem o perigo de conduzir com sono), muitos ainda adotam estratégias ineficazes para combater a fadiga, como abrir janelas ou aumentar o volume do rádio, em vez de medidas mais eficazes como parar para dormir.

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Os especialistas da PRP e VitalAire enfatizam a necessidade urgente de campanhas de sensibilização, melhorias na infraestrutura rodoviária e tratamento adequado de distúrbios do sono como a insónia e apneia obstrutiva, comparando a gravidade da fadiga ao volante a outros fatores de risco conhecidos como álcool e excesso de velocidade. E não se pode ignorar também o facto da condução em autoestrada, apesar de parecer simples, pode ser extremamente monótona e contribuir para o aumento da sonolência.
A repetição constante de movimentos, a paisagem uniforme e a falta de estímulos variados quase sempre levam a um estado de sonolência. A ausência de curvas apertadas, travagens bruscas e mudanças de velocidade frequentes reduz o nível de alerta do condutor.
A condução em autoestrada, geralmente mais suave e com menos stress do que em estradas urbanas, pode induzir um estado de relaxamento excessivo. Este relaxamento, combinado com a monotonia, vai levar inevitavelmente o condutor a baixar a guarda e a sentir mais sono.
Longas viagens em autoestrada podem causar fadiga física e mental, especialmente se o condutor já estiver cansado antes de iniciar a viagem. O que acontece na maioria das vezes…
O ambiente quente e confortável do carro, juntamente com o ruído constante do motor, pode criar um ambiente propício ao sono. A falta de ar fresco e a temperatura elevada podem agravar a sensação de sonolência.
Conduzir durante as horas em que normalmente se dorme, por exemplo de madrugada, vai provocar, com certeza, um aumento da sensação de sono.
Para combater a sonolência ao volante, é importante, descansar adequadamente antes de iniciar a viagem, fazer pausas regulares a cada duas horas para esticar as pernas e respirar ar fresco, manter o carro bem ventilado e a uma temperatura agradável, ouvir música animada ou conversar com os passageiros para manter o nível de alerta, evitar por completo conduzir durante as horas de sono e após refeições pesadas, e caso sinta sono, encostar o carro numa área de serviço e descansar.

A Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), em parceria com a VitalAire, divulgou os resultados do estudo “Fadiga, Sonolência e Distúrbios do sono – Que impacto na Segurança Rodoviária? – Uma análise da Realidade Portuguesa.”, realizado em dezembro de 2024 junto de 1002 condutores em Portugal, e que revela uma realidade preocupante que carece de sensibilização para os perigos reais, mas subvalorizados, medidas de mitigação e tratamento adequado dos distúrbios do sono.

O estudo analisou os hábitos de condução e revelou que 58% dos condutores conduziram pelo menos uma vez no ano anterior quando estavam demasiado cansados e que 33% conduziram tão sonolentos que tinham dificuldades em manter os olhos abertos. O estudo destaca ainda que 9,4% dos condutores adormeceram ao volante enquanto conduziam.

Os condutores profissionais, trabalhadores por turnos e jovens estão particularmente vulneráveis à fadiga na condução, devido a horários irregulares e a estilos de vida que aumentam o risco de sonolência ao volante. Embora 86,9% dos condutores reconheçam que não se deve conduzir com sono e 91,4% admitam que essa condição aumenta o risco de acidente, 9,6% afirmam que continuariam a conduzir mesmo cansados e 18,4% acreditam que conseguem fazê-lo em segurança.

Os condutores demonstram reconhecer o elevado risco da condução sob fadiga: 80,5% consideram arriscado conduzir quando se está cansado e 90,6% quando se está sonolento. No entanto, 5,2% ainda consideram aceitável conduzir quando têm dificuldade em manter os olhos abertos.

O estudo destaca ainda que 8,4% dos condutores estiveram envolvidos em, pelo menos, um acidente rodoviário no último ano, sendo que destes, 29,7% apontam o cansaço ou a sonolência como a principal causa do último acidente. Quanto aos quase-acidentes, 44,9% dos condutores afirmam ter tido, pelo menos, um nos últimos 12 meses, com 20,9% desses casos associados à fadiga ou sonolência.

Os resultados revelam que 26% dos condutores apresentam níveis de sonolência excessiva. Já 1 em cada 5 condutores apresentam alto risco de sofrer de apneia do sono, sendo que 10,7% relataram já ter sido diagnosticados com algum distúrbio do sono. Destes, destacam-se a insónia (53%) e a apneia do sono (41%).

“É essencial investir em campanhas de sensibilização e de prevenção relativamente aos perigos da fadiga e da sonolência na condução, com destaque para o impacto dos distúrbios do sono principalmente a Insónia e a Apneia Obstrutiva do Sono, assim como a importância do seu tratamento adequado”, afirma Jorge Correia, Diretor-geral da VitalAire Portugal.

“A fadiga é um fator de risco significativo, comparável à condução sob influência de álcool, excesso de velocidade e distração, contribuindo para uma percentagem considerável de acidentes rodoviários. Embora com menos notoriedade, o investimento no tratamento dos distúrbios do sono é fundamental para contribuir para a prevenção da sonolência diurna e, consequentemente, reduzir o risco de acidentes ao volante”, acrescenta.

Entre as estratégias mais comuns para combater a fadiga ao volante, destaca-se abrir as janelas ou ligar o ar condicionado (40,8%), parar para comer, fazer exercício ou relaxar sem dormir (34,6%), aumentar o volume do rádio (34,3%), beber cafeína ou tomar comprimidos de cafeína (28,9%) e conversar com os passageiros (25,2%). No entanto, as medidas, como parar para dormir uma sesta (11,2%) ou pedir a um passageiro para assumir a condução (13,0%), são das menos adotadas, apesar de serem consideradas altamente eficazes por 82,5% e 86,5% dos condutores, respetivamente.
Alain Areal, Diretor-geral da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) destaca, “este estudo revela que a fadiga na condução é um problema preocupante a nível nacional. Um em cada três condutores declararam ter conduzido com sonolência extrema. Muitos condutores subestimam os riscos e sobrestimam as suas capacidades para lidar com a fadiga, utilizando estratégias ineficazes que aumentam o risco de acidente. É essencial sensibilizar os condutores sobre as causas, efeitos e sintomas da fadiga, por meio de campanhas e programas de educação e formação. Além disso, são necessárias medidas complementares, como melhorias na infraestrutura (áreas de repouso, guias sonoras), fiscalização, incentivo ao uso de veículos com sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS) e deteção de fadiga, e maior enfoque das empresas na gestão do risco associado à fadiga na condução. Uma abordagem integrada é crucial para reduzir os acidentes relacionados à fadiga.”.

Tags: EstudoSegurança rodoviária
José Luis Abreu

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