Foi num ‘passeio’ ao Caramulo Motorfestival que ficámos a conhecer os novos Alfa Romeo Giulia e Stelvio Quadrifoglio, dois dias marcantes, pois não sucede muitas vezes guiarem-se carros desta estirpe. No primeiro dia, ‘calhou-nos’ o Stelvio, para o segundo estava reservado o Giulia, e logo com muitos quilómetros de percursos das belas estradas do centro do país.
Tudo começou em Lisboa, a partir de um simples premir de um botão vermelho que está no volante e o roncar do V6 turbo 290cc com 520 cv deixava antever tudo de bom que aí vinha.
O sol brilhava no céu azul, havia aqui e ali, nuvens que ameaçavam alguma chuva, que se concretizou, mas nós preparados para a aventura.
Os primeiros quilómetros, em autoestrada passam depressa, aí ainda é cedo para qualquer arrepio de emoção a percorrer a espinha, pois o bom senso assim o obrigava.
Não foram precisos passar muitos quilómetros para perceber se o Stelvio Quadrifoglio era o melhor SUV que alguma vez guiei e quando vieram as estradas mais enroladas, já na zona centro, indo eu, indo eu, a caminho de Viseu. Ver as Serras da Lousã e Açor ao longe e depois o Caramulo, bem de perto, comprovei que guiar o Stelvio é algo excecional.
Para o tamanho e peso que tem o carro é muito ágil, e não me lembro de me ter divertido tanto a guiar com qualquer outro SUV. O carro é muito rápido, muito preciso a cada curva, e era fácil confiar nele em qualquer situação. Já perto do destino, subir a Serra do Caramulo, entre aldeias, nunca o Stelvio se acanhou.
Não é por acaso que existe a paixão ‘alfista’. Eu sei que o comercial foi feito para outra marca, mas ‘meravigliosa creatura’ aplica-se bem melhor à Alfa Romeo e a este Stelvio. Este carro é mais do que apenas uma máquina.
Agora compreendo melhor os ‘alfistas’, e se há uma representação de amor por uma marca ou um carro, compreendo agora um pouco melhor.
Mas o melhor estava ainda para vir. No dia seguinte, era a vez do Giulia.
É claro que falamos de contextos e carros diferentes. O Stelvio é um SUV, pesado, o Giulia apesar de partilhar a mesma plataforma e motor, e ter a mesma potência 520 cv, e binário 600 Nm, é algo totalmente diferente.
Perdemos a tração total que puxou e empurrou o Stelvio serra cima, mas perdemos quase 200 Kg, descemos muitos centímetros para perto do chão, que faz toda a diferença.
O Giulia eleva à potência a diversão ao volante. E senti-me ainda mais vivo! A adrenalina corre de outra forma, e o mundo parece diferente. Com o Giulia Quadrifoglio sente-se uma ligação ainda mais profunda com o carro.
E com a estrada.
Novo dia, nova ida ao Caramulo, desta feita vindo eu, vindo eu, do caminho de Viseu…
Já perto da ‘meta’. O troço de Muna do Rally de Portugal de 1993.
Curiosamente estive lá nessa noite do início de março de 1993, há precisamente 30 anos, e em boa hora decidi ir para Muna ao invés do troço do Caramulo. É que esse foi anulado quando os Comissários Técnicos apertaram mal um tubo ao colher uma amostra de gasolina, e o Ford Escort Cosworth François delecour já não saiu da partida, de onde não passou mais ninguém sem que a Ford levasse o carro.
Antes, em Muna, lembro-me de ter ficado na partida. Ouvia o roncar do motor dos carros no arranque, três ou quatro segundos depois um gancho à esquerda perdia-os de vista, e ali iam eles serra acima, até ao Caramulo.
Agora fiquei a saber bem o caminho…
O Lancia Delta Integrale, o ‘Deltona’ com que Carlos Sainz venceu o troço de 9,27 Km, em 1993, tinha 300 cv às 7.000 rpm. O espanhol fez 5m55s. Quanto faria Sainz hoje com este Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio de estrada, com 520 cv à 6.000 rpm? Por acaso gostava mesmo de saber, pois sei o que senti sempre que tive estrada à vista e não zonas cegas onde não podia acelerar.
Não sei o tempo que demorei a chegar lá acima, mas sei que a estrada é fantástica e mais fantástico, só o carro. Não lhe falta nada, tem desempenho, dirigibilidade e design.
O motor é excelente e não é brutal, apesar dos 520 cv, é progressivo, a suspensão é muito precisa, e apesar da estrada estar húmida aqui e ali, em algumas zonas à sombra, a suspensão esteve ‘sempre no controle’, pois o carro foi capaz de lidar com as curvas mais sinuosas com toda a facilidade e segurança, o chassis é mesmo bom.
Vamos falar do design? O design do Giulia Quadrifoglio é elegante e desportivo, e só tenho mesmo pena que não me tenha ‘calhado’ o vermelho. Ficava melhor nas fotos. O carro tem um bonito perfil e linhas marcantes.
Talvez o interior do carro pudesse ser mais luxuoso, face ao valor do carro, mas ‘who cares?’. Seja como for, o interior é funcional e bem-acabado. Deste tipo de carros, só um BMW M2 Coupé já com uns ‘anitos’, me deu semelhante gozo. O carro é muito rápido e ágil e tem um motor absolutamente fantástico.
É um automóvel para quem gosta de guiar, e obrigado Alfa Romeo pelas estradas escolhidas.
Foi juntar o útil ao agradável e realizar a tarefa com prazer.
Os novos Giulia e Stelvio Quadrifoglio estão disponíveis no mercado nacional com PVP a partir de 118.450 € e de 140.150 €, respetivamente.























