Ayao Komatsu rejeitou que a Haas possa ser considerada uma equipa B não oficial da Ferrari, apesar das ligações à marca italiana de Rafael Câmara, Oliver Bearman e do piloto de reserva Guanyu Zhou. Com Câmara confirmado num contrato plurianual a partir de 2027, o responsável da Haas também manifestou a intenção de manter Bearman, cuja continuidade ainda não foi formalmente anunciada.
As ligações da Haas à Ferrari são inegáveis e desde o início do percurso da equipa americana na F1 que a Scuderia serviu de base de apoio para o desenvolvimento do projeto, quer na vertente técnica, com o fornecimento de muitas peças, quer até na vertente desportiva, com vários pilotos da academia italiana a darem os primeiros passos na F1, via Haas.
Questionado pela Sky Sports sobre se a chegada de Câmara reforça a perceção de que a Haas está a tornar-se uma equipa júnior da Ferrari, Komatsu distinguiu o acesso aos pilotos da academia italiana da autonomia na sua contratação. “A nossa colaboração com a Ferrari dá-nos acesso a esses pilotos da Ferrari Driver Academy”, explicou, assegurando que a escolha pertence exclusivamente à Haas.
Komatsu negou que a Ferrari tenha pressionado a equipa para contratar Bearman ou Câmara: “Escolhemos os pilotos de forma completamente autónoma, eu e o senhor Gene Haas”, afirmou.
Câmara e Bearman são possíveis candidatos futuros à Ferrari e a dupla será acompanhada de perto em Maranello, num contexto em que a permanência de Lewis Hamilton não é perspetivada como indefinida. Komatsu, porém, defende que a prioridade imediata dos dois pilotos deve ser superar o colega de equipa e atingir o máximo do seu potencial.
“A Fórmula 1, no seu conjunto, é uma enorme competição. Por isso, o colega de equipa é a primeira pessoa que é preciso bater. E ambos, tanto o Rafa como o Ollie, são incrivelmente rápidos”, declarou o japonês.
Sobre Bearman, Komatsu esclareceu que a ausência de um anúncio formal para 2027 não deve ser interpretada como uma dúvida quanto à vontade da Haas de o manter. “É uma questão de tempo, mas não tenho controlo sobre isso”, afirmou, acrescentando que o objetivo da equipa é continuar a trabalhar com o piloto no próximo ano.
A aposta em Câmara, apesar das ligações à Ferrari, é compreensível. A passagem de Esteban Ocon pela equipa americana não foi feliz e não será exagerado dizer que foi uma aposta falhada dos dois lados. A chegada de Câmara traz sangue novo, talento e irreverência, tal como aconteceu com Bearman, que trouxe bons resultados logo na sua época de estreia. Assim, a equipa quererá repetir o truque com a chegada de um jovem talento à equipa, numa altura em que Bearman já tem alguma experiência e provas dadas. O rótulo de “equipa B” pode até ser referido, mas se a Haas tem acesso a uma academia que tem produzido excelentes pilotos, seria pouco inteligente não aproveitar essa oportunidade.










