O Rali Casinos do Algarve foi palco de uma pequena reviravolta no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), com Pedro Almeida e António Costa, no Toyota GR Yaris Rally2, a conquistarem uma vitória crucial. Este triunfo não só marcou a segunda vitória da temporada para a dupla, mas também reduziu a diferença para a liderança do campeonato para meros seis pontos, após o abandono do então líder, Rúben Rodrigues, que sofreu um aparatoso e nada habitual no piloto, despiste.
Uma vitória decidida nos últimos metros
Pedro Almeida demonstrou um domínio impressionante desde a primeira especial, mantendo a liderança ao longo de grande parte da prova. No entanto, a tensão aumentou na fase final, com Rafael Rego a protagonizar uma recuperação notável, chegando à última classificativa com uma vantagem mínima de dois décimos de segundo.
A resposta de Almeida na Power Stage de São Marcos da Serra foi decisiva. Recuperou o primeiro lugar, assegurando pontos adicionais e confirmando a vitória com uma margem final de apenas 2,2 segundos. Esta diferença ínfima sublinha o equilíbrio e a intensidade da competição entre os dois Toyota na reta final do rali. A capacidade de Almeida em reagir sob pressão e maximizar a pontuação neste momento crítico é um testemunho da sua maturidade competitiva e do seu foco no título.
Rafael Rego: a revelação em terra
Rafael Rego e Nuno Mota Ribeiro alcançaram um notável segundo lugar, marcando o seu primeiro pódio no CPR. A dupla venceu duas classificativas e chegou a liderar o rali antes da Power Stage, demonstrando um potencial promissor.
A prestação de Rego é particularmente relevante, considerando que esta foi a sua estreia em pisos de terra com o Toyota GR Yaris Rally2. Embora esteja afastado da disputa pelo campeonato, o piloto mostrou que tem a capacidade de lutar pelas vitórias nas duas provas restantes, podendo influenciar significativamente a dinâmica da frente do campeonato. A sua rápida adaptação e competitividade em terra auguram um futuro brilhante no CPR.
Armindo Araújo completa o pódio
Armindo Araújo e Luís Ramalho, a bordo do Skoda Fabia RS Rally2, garantiram o terceiro lugar do pódio, a 19,5 segundos dos vencedores. Araújo manteve-se na discussão das posições cimeiras durante grande parte do rali, mas acabou por perder o contacto com o ritmo imposto pelos dois Toyota na fase derradeira da prova. A sua consistência, contudo, permitiu-lhe capitalizar o abandono de Rodrigues e consolidar a sua posição no campeonato.
O abandono de Rúben Rodrigues e a reabertura do campeonato
O momento mais impactante do rali foi o abandono de Rúben Rodrigues. Uma saída de estrada no início do segundo dia pôs fim a uma sequência impressionante de quatro vitórias e um segundo lugar nas cinco jornadas anteriores. Este incidente, para além de o deixar sem pontuar, teve um efeito drástico na classificação geral.
A vantagem do piloto açoriano sobre Pedro Almeida caiu de 33 para apenas seis pontos. Rodrigues conserva a liderança, com 125 pontos, mas Almeida, com 119, está agora numa posição muito mais favorável.
A regularidade que marcou a primeira parte da época de Rodrigues deixou de ser uma margem de segurança confortável, e o abandono altera a pressão na luta pelo título. Mas as coisas não mudam demais. O resultado que Rúben Rodrigues iria atirar fora eram 20 pontos, e agora com o abandono, passa a ser este o pior resultado, portanto as perdas não são dramáticas.
Seja como for, Almeida chega às duas últimas provas com um impulso competitivo renovado, enquanto Rodrigues terá de demonstrar resiliência e consistência para responder a este primeiro revés significativo na sua campanha.
Outros destaques e classificações
O campeonato mantém-se aceso também nas posições seguintes. Ricardo Teodósio ocupa o terceiro lugar com 85 pontos, apenas um à frente de Armindo Araújo. José Pedro Fontes segue-se com 82 pontos, mantendo a disputa pelas posições imediatamente atrás dos dois primeiros completamente aberta.
José Pedro Fontes e Inês Ponte colocaram o Lancia Ypsilon Rally2 no quarto lugar, a 45,1 segundos, confirmando a progressiva adaptação do modelo italiano aos lugares do pódio. Gonçalo Henriques e Gonçalo Cunha recuperaram até à quinta posição no Hyundai i20 N Rally2. Luís Cidade terminou em sétimo na sua estreia com o Toyota GR Yaris Rally2, numa preparação orientada para o CPR de 2027.
Entre os abandonos notáveis, Pedro Meireles foi forçado a desistir devido a um problema eletrónico, e Guilherme Meireles também não terminou, após o seu Skoda ter ficado imobilizado na sequência de um incidente envolvendo Ricardo Filipe, que sofreu um forte acidente, com o seu navegador, Filipe Carvalho, e ter de ir ao hospital por precaução.
Domínio de Pedro Câmara nas duas rodas motrizes
Na categoria CPR 2RM, Pedro Câmara (Peugeot 208 Rally4) conquistou a vitória. João Rodrigues privilegiou a pontuação, terminando à frente de Afonso Santos, que recuperou até ao terceiro lugar da categoria. Rodrigues lidera o CPR 2RM com 167 pontos, contra 88 de Câmara e 83 de Hélder Miranda. No campeonato Júnior, Luís Caetano mantém a primeira posição, com 97 pontos, mais cinco do que Afonso Santos.
A próxima ronda do campeonato será o ERC Rali 6 Cidades Norte de Portugal, agendado entre 23 e 25 de outubro. Sendo a penúltima prova da temporada, este rali será determinante para a definição da luta pelo título entre Rúben Rodrigues e Pedro Almeida, prometendo mais emoções e reviravoltas.













Lá teve o Rafael Rego de fazer o favor ao colega de equipa.