Há pilotos que valem o seu peso em ouro. Que além de serem rápidos e competitivos, ajudam a equipa a ter um bom ambiente e colocam os interesses da equipa antes dos seus. António Félix da Costa é um dos grandes exemplos desse tipo de pilotos.
O português pagou a fatura de ser um piloto afável e de colocar várias vezes os interesses da equipa à frente dos seus, especialmente na sua antiga equipa. Não que não tenha a sua dose de egoísmo e de inflexibilidade, pois não teria chegado onde chegou sem isso. Mas comparando com outros pilotos, torna-se quase um sonho para um chefe de equipa ter um piloto que facilita a vida nas decisões. Em Londres voltou fazê-lo.
Na Corrida 1 da jornada dupla de Londres, onde ainda tinha matematicamente hipóteses de chegar ao título, não se agarrou a esperanças irrealistas e preferiu uma abordagem simples… ajudar Mitch Evans. A decisão parece simples tendo em conta os 30 pontos de distância a que estava da frente. Mas, não seria difícil encontrar uma lista de pilotos que teriam reservas em dar uma mão ao colega de equipa, se ainda houvesse esperança de estar na luta, apesar da distância. AFC não foi por aí. Colocou-se logo à disposição da equipa para ajudar Evans a manter e reforçar o seu ataque ao título.
Na conferência de imprensa, reconheceu que disse à equipa para apostar tudo em Evans e que faria a sua parte, lamentando o desfecho da corrida do seu colega;
“Fui o primeiro a levantar a mão este fim de semana para dizer que tudo tinha de girar em torno dele. Não importa que ele se vá embora. Não importa que, matematicamente, eu ainda possa conseguir. Não estaríamos a utilizar toda a nossa capacidade e experiência se não apostássemos tudo nele. E, francamente, ele merecia-o. Qualificou-se bem. Estava lá em cima, ao alcance de todos, e essa estratégia parecia indicar que ele poderia ter voltado à luta de alguma forma para enfrentar o Pascal no final.
Por isso, acho que tomámos a decisão certa. Apenas tivemos azar com Full Course Yellow e foi a coisa certa a fazer. Não sou idiota, sei que quando esse FCY é acionado, isso vai prejudicá-lo. E também não quero estar a lançar fogos de artifício quando sei que o meu companheiro de equipa e o meu amigo está triste ao meu lado. Portanto, é o que é. Isto são corridas, e sei que estamos todos a dar tudo nestas duas corridas, mas é um campeonato de 17 corridas e há, sim, há coisas em que nos saímos bem e outras em que nos saímos mal, e tudo se vai decidir amanhã, mas foi um longo caminho até aqui, e vamos concentrar-nos no amanhã.”










