A rivalidade entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton pela vitória do Mundial de 2016 chegou a um ponto de rutura tão grave que Toto Wolff afirma ter chegado a despedir ambos os pilotos da Mercedes. Mas Rosberg contrariou essa versão, garantindo que “nunca chegou a esse ponto de despedimento”.
O choque em Espanha
O momento mais explosivo da disputa aconteceu no GP de Espanha de 2016, quando os dois companheiros de equipa colidiram entre si logo na primeira volta, entregando a vitória à Red Bull e a Verstappen. Segundo Rosberg, citado pelo The Athletic Wolff ficou furioso: “Ele foi duro. Foi tipo, ‘Que raio estão vocês a fazer?’ Entregámos a vitória à Red Bull. Isso é a pior coisa que se pode fazer, entregar a vitória ao inimigo feroz. Foi horrível, por isso o Toto não ficou nada contente”.
Questionado sobre se Wolff lhes disse diretamente que estavam despedidos, Rosberg negou: “Nunca chegou a esse ponto de despedimento, não. Mas sei que ele teve conversas internas com o grande chefe, Dieter Zetsche, sobre dar esse passo … acho que não foi… provavelmente uma suspensão ou algo assim, teria sido um primeiro passo, algo do género. Por isso, essa conversa aconteceu mesmo, à porta fechada. Nunca chegou até nós”.
360 mil dólares de danos no carro
Ainda que o despedimento não se tenha concretizado, o incidente teve consequências financeiras diretas. Rosberg revelou: “O Toto pôs um contrato em cima da mesa que tínhamos de assinar, e era 50/50 do dano que eu tinha de pagar do meu próprio bolso. Não importava de quem fosse a culpa. Por isso, mesmo que fosse 90% culpa do Lewis, eu tinha de pagar 50% do dano real que causámos. Um dos acidentes custou-me 360 mil dólares, e isso definitivamente acalmou-nos. Foi caro. Não foi propriamente um exercício divertido”. As sequelas do incidente ficaram marcadas na própria fábrica da Mercedes, que guardou os side pods danificados dos carros, hoje pendurados nas paredes do escritório em Brackley.
A dificuldade de apurar culpas
Rosberg reconhece, contudo, que a Mercedes poderia ter gerido melhor o pós-incidente: “Podiam ter comunicado mais, preparando-se para todos os cenários possíveis o melhor que conseguissem. Mas é difícil prever este tipo de coisas — não se pode prever que vão acontecer incidentes, roda-a-roda entre companheiros de equipa.” Segundo o alemão, a equipa passou a definir critérios detalhados de responsabilidade para cada situação: “Fomos ao pormenor de cada detalhe — se o teu pneu está ali, então é o carro de dentro, a curva dele, mas se estiveres blá blá blá. Assim, pelo menos tens diretrizes a que recorrer depois. Porque se houver um acidente e uma grande discussão à porta fechada, sem ninguém saber realmente de quem é a culpa, torna-se difícil — as pessoas tomam partido, sentem-se tratadas injustamente, e é aí que tudo descamba por completo.”
Foto: MPSA









