António Félix da Costa considera que ter deixado a equipa da Porsche na Fórmula E foi a decisão correta para a sua carreira, o que lhe permitiu o regresso ao WEC e aos Hypercars, voltando a um programa duplo, mais exigente mas mais interessante.
2026 foi um ano de grandes mudanças para Félix da Costa. Na Porsche, o rótulo de “nº2” demorava a descolar e a dinâmica interna estava comprometida com um relacionamento pouco saudável como colega de equipa. Por outro lado, a Porsche exigia 100% de foco na Fórmula E o que impedia o piloto de competir no WEC, onde já tinha dado cartas. Um conjunto de situações que levou o piloto a procurar outros rumos. Veio a Jaguar, e a Alpine. Na Jaguar a integração tem sido excelente e, apesar de alguns azares, a época de estreia na equipa pode ser considerada positiva. No WEC, passou a representar a Alpine, mas poucos meses depois foi confrontado com o fim do projeto.
Apesar de toda esta incerteza, da Costa mantém-se firme na convicção de que tomou a decisão certa a longo prazo ao deixar a Porsche: “Saí também com o objetivo de conseguir combinar os dois programas [WEC e Fórmula E] — não conseguia fazer isso lá — por isso tomei uma decisão valente de deixar um dos maiores fabricantes do mundo para perseguir a minha própria paixão, e obviamente depois aconteceu isto [a saída da Alpine], que nunca foi o objetivo, estar aqui apenas por um ano, por isso estamos a trabalhar em algumas opções para ficar aqui no próximo ano” disse o português citado pelo sportscar365.
Da Costa destacou ainda a intensidade de gerir dois programas em simultâneo: “Conhecer pessoas novas, equipas novas, engenheiros novos, companheiros de equipa novos, mecânicos novos, fazer isso com duas equipas de uma vez [é muito], mas eu precisava disso, precisava mesmo.“
O piloto português admitiu que inicialmente estava “um pouco nervoso” quanto ao regresso à divisão Hypercar, depois de um programa parcial num Porsche 963 privado gerido pela JOTA em 2023, mas sentiu que conseguiu adaptar-se rapidamente: “É agora dominar todos os detalhes de endurance, como reinícios com pneus frios, decisões de estratégia e coisas do género”, afirmou, tendo alcançado como melhor resultado da temporada um quarto lugar.
Da Costa é um dos quatro pilotos a competir atualmente tanto na Fórmula E como no WEC, e considera que essa dupla presença lhe traz muitas vantagens: “Tenho de dizer que sou muito sortudo por a Jaguar Racing compreender o quão importante as corridas em geral são para mim e para realizar a minha paixão. A Alpine este ano compreende bem isso, por isso combinar os dois programas tem sido, na verdade, algo benéfico para mim como piloto de corridas. Estou tão ativo, conduzo um carro de corrida de duas em duas semanas, estou no simulador, estou a aprender coisas técnicas e a cruzá-las entre os dois programas, por isso acredito mesmo que é uma vantagem estar em ambos os campeonatos. E os carros do WEC estão a tornar-se muito mais tecnológicos, por isso estes sistemas híbridos são, na verdade, um passo atrás em relação ao que estamos a fazer na Fórmula E neste momento, por isso há muitas coisas técnicas que podemos trazer de um lado para o outro.”
Da Costa acrescentou que a sua experiência em ambas as categorias é “algo a seu favor” para permanecer nas fileiras da Hypercar no próximo ano. O piloto afirmou existirem “algumas boas opções na mesa” para continuar no WEC e mostrou-se confiante de que pode permanecer na competição.










