A Aston Martin deu um claro passo em frente com a sua versão B do AMR26. Os resultados obtidos na Hungria mostram-nos e os dados também. Rob Smedley, antigo engenheiro da Ferrari, analisou agora os dados reais da última atualização da Aston Martin e apresentou no podcast “High Performance Racing” aquilo que classificou como “dados exclusivos” sobre a verdadeira dimensão do salto de desempenho da equipa britânica.
A Aston Martin começou o ano com o monolugar muito longe do esperado, com problemas na unidade motriz Honda e com preocupações específicas no chassis, o primeiro com a assinatura de Adrian Newey, apesar da sua chegada tardia ao projeto. A opção por um conceito mais radical não foi feliz e a equipa, ao invés de procurar remendos rápidos, apostou desde início num novo pacote completamente novo, numa versão B que foi desenvolvida nesta primeira metade do ano. O resultado do trabalho dos engenheiros da equipa sediada em Silverstone viu a luz do dia na Hungria e as primeiras impressões foram positivas. Os pilotos mostraram muito mais competitividade e conseguiram fugir à cauda do pelotão, onde permaneceram nas primeiras dez jornadas do ano numa ingrata luta com a Cadillac.
Esta nova versão B trouxe mais carga aerodinâmica e um incremento na performance, esperando ainda pelas melhorias que a Honda vai implementar na próxima corrida, nos Países Baixos, que deverá permitir mais um salto qualitativo.
Smedley fez a sua análise comparativa com a Williams e a valia do novo chassis foi clara, com o britânico a afirmar que “nas velocidades mínimas em curva, Alonso é muito mais rápido em todo o lado”, acrescentando que “o carro de Alonso tem muito mais carga aerodinâmica em comparação com o Williams de Sainz: é simplesmente um carro mais estável e com melhor rendimento”.
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Mais lento nas retas
Apesar da vantagem nas curvas, Smedley destacou uma desvantagem clara nas retas: “Mas pode ver-se que, face ao motor Mercedes, a diferença entre os dois motores e, provavelmente também a resistência aerodinâmica entre os dois carros, ele [Alonso] fica para trás em todas as retas.” Segundo o britânico, “em todas as retas, Sainz é até 10 km/h mais rápido, o que é impressionante. Portanto, ele [Sainz] passa mais devagar nas curvas, mas ele [Alonso] perde muito tempo, em comparação com o Williams, devido ao motor e à resistência aerodinâmica desse carro.”
A dimensão do salto
De seguida, Smedley analisou um gráfico com a diferença entre a pole position e a Aston Martin na qualificação, corrida após corrida. “Se tomarmos as corridas até Espanha, mas sem a incluir, esse défice é de 4,1 por cento. Usamos a percentagem porque o tempo físico por volta é diferente de um circuito para outro, por isso usa-se a percentagem porque é mais consistente”, explicou. Acrescentou ainda: “A partir de Espanha, as melhores equipas introduzem novos pacotes, pelo que a Aston passa a ficar cerca de 5 por cento mais lenta. Mas depois, em Budapeste, voltara a situar-se nos 3,9 por cento”.
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A melhoria em segundos
Contas feitas, a Aston Martin melhorou 1,1 por cento do tempo total de volta na Hungria, o que corresponderia a um salto de cerca de 1,4 segundos em Budapeste. Ainda que possa parecer pouco, Smedley considera este número relevante: “Portanto, ajustaram o tempo relativo face a todos, e isto é realmente interessante, porque durante a primeira parte da época tinham uma desvantagem de 4,1 por cento, agora têm 3,9 por cento.”
Aston Martin já superou Cadillac e Williams
Com a chegada da nova unidade motriz Honda, Smedley mostrou-se curioso com o que poderemos ver da equipa britânica: “O que isso não inclui é o pacote de motor, que chegará para Zandvoort, e Zandvoort é um circuito muito exigente ao nível do motor. É preciso ali um motor muito, muito potente. Por isso vai ser interessante ver se pelo menos conseguem manter o ritmo, porque a falta de motor em Budapeste, foi um problema muito menor do que seria em Zandvoort.” O britânico acrescentou que “a Aston Martin precisa urgentemente que a Honda melhore o rendimento deste novo motor.” Smedley sustenta ainda que a Aston Martin “já ultrapassou a Cadillac e a Williams, mas ainda não ultrapassou a Haas.”
Para além da melhoria do motor Honda, Adrian Newey, diretor da equipa Aston Martin, afirmou que “em breve haverá mais atualizações do AMR26 para Zandvoort e Monza/Baku”.
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Os objetivos alcançados
Segundo Smedley, com as melhorias introduzidas na Hungria, a Aston Martin conseguiu aquilo a que se tinha proposto: “Ainda há muito por vir. O que realmente têm procurado é uma plataforma estável. A outra boa notícia é a correlação, ou seja, o quanto o carro entrega em pista em comparação com o que se espera na simulação.” O engenheiro britânico terminou referindo ter recebido esse feedback de pessoas dentro da própria equipa: “Falando com várias pessoas por lá, parece que cumpriu com o que esperavam.”
A análise de Smedley é mais uma confirmação de que o trabalho feito pela Aston Martin foi bem executado e que apenas não teve mais repercussão, pois os avanços das outras equipas fizeram-se sentir. Mas esta aproximação da Aston e a boa correlação de dados, mostra que a equipa começa finalmente a tirar partido das excelentes ferramentas que tem à disposição. Com isso, o aumento de performance deverá ser gradual e consistente.











