Rúben Rodrigues terminou a manhã no segundo lugar do CPR, a 9,1 segundos de Armindo Araújo, mas o cronómetro não conta toda a história de uma manhã marcada pela frustração e impotência. Aos microfones da RTP Antena 3 Madeira, o piloto açoriano não escondeu o desagrado, apontando diretamente a Kris Meeke como fator decisivo num momento que lhe condicionou a prova.
O irlandês, recorde-se, sofreu um violento embate logo no primeiro troço do dia. Ainda assim, e apesar dos danos evidentes na suspensão e na roda traseira esquerda do Toyota GR Yaris Rally2 — que seguia visivelmente desalinhada, quase em desafio às leis da mecânica —, conseguiu efetuar reparações mínimas e apresentou-se à partida do troço seguinte.
Foi nesse cenário que a tensão ganhou forma na estrada. Na PE3, Palheiro Ferreiro 1, Rodrigues foi apenas oitavo, a 16,9 segundos do melhor tempo, cedendo 8,3 segundos a Armindo Araújo. Mais do que números, foi a sensação de estar preso, sem margem de resposta, que marcou o momento. Num troço estreito, sinuoso e quase sempre a subir, na zona do Parque de Merendas, a ultrapassagem ter-se-á mostrado impossível — e o prejuízo aparentemente inevitável.
À chegada à assistência, a indignação era evidente: “Acho que o Kris Meeke tem que ter alguma sensibilidade e perceber que todos os concorrentes têm que partir em condições normais. E principalmente a organização tem que ter isso em conta! Se nós formos para arrancar uma classificativa e não tivermos as luvas, a balaclava, o fato mal apertado, não podemos arrancar e o Kris Meeke com uma roda naquele estado não pode arrancar.
É uma coisa que têm de rever e pensar bem, prejudicou-me imenso, porque numa zona sempre a subir no Parque de Merendas, nós não o conseguimos passar, só cabia um carro. E tivemos que ir sempre atrás dele. É de lamentar isso, penso que a organização tem que olhar para isso e a rever o nosso tempo, porque como já referi nós estamos neste campeonato à séria, e não podemos ser prejudicados, por um ato de irresponsabilidade de um piloto” disse Rúben Rodrigues.
Do outro lado, a resposta surgiu sem emoção, quase fria, contrastando com a intensidade do momento vivido em estrada. Confrontado com as críticas, Kris Meeke foi lacónico: “ele perdeu meio segundo, se ele se quiser queixar, venha falar comigo”, disse Kris Meeke aos microfones da rádio.











