Kimi Antonelli continua a construir uma vantagem robusta nas contas do campeonato. O jovem piloto da Mercedes tem sido o mais forte nesta primeira metade do ano e continua a aumentar a margem para a concorrência. Na Hungria, partiu apenas da sétima posição da grelha (depois da aplicação de uma penalização após a qualificação), mas voltou a demonstrar maturidade tática ao terminar no terceiro lugar, aproveitando uma mudança de estratégia a meio da corrida e um Safety Car Virtual. É já o nono pódio do jovem italiano em onze corridas, um número que ele próprio admite nunca ter antecipado.
A corrida de Antonelli não seguiu o plano inicial. A equipa começara por equacionar uma estratégia de paragem única, mas rapidamente ficou claro que os pneus não aguentariam a distância necessária, obrigando a um ajuste. Foi nesse contexto de improviso que surgiu o momento decisivo da corrida: a entrada do Safety Car Virtual e a entrada nas boxes dos dois Ferrari, deixando Antonelli com pneus duros numa altura em que os rivais italianos corriam já com compostos macios, uma desvantagem teórica que a equipa geriu com sucesso, mantendo os Ferrari atrás até ao fim.
Antonelli é o primeiro a reconhecer que houve uma dose de sorte associada ao abandono de Oscar Piastri, que motivou a entrada do VSC em condições favoráveis para si. Mas insiste que o resultado, mais do que sorte, reflete um esforço coletivo de maximização de um fim de semana complicado, marcado por dificuldades de equilíbrio.
“Foi uma corrida difícil” admitiu Antonelli. “Era muito difícil ultrapassar, por isso tivemos de fazer algo diferente na estratégia. No início tentámos ir para a paragem única, mas disseram-me que os pneus estavam demasiado no limite, por isso parámos. Depois, com o Virtual Safety Car, os dois Ferrari fizeram a paragem e eu sabia que ia ser muito difícil porque estava com pneus duros e eles em macios. Felizmente, conseguimos mantê-los atrás.”
“Acho que hoje maximizámos o resultado. Obviamente tivemos alguma sorte com o VSC, com o problema do Oscar, mas fora isso, fizemos o melhor que pudemos. As condições estavam bastante difíceis hoje, com alguma dificuldade em sobreviragem, equilíbrio e depois subviragem. Por isso, as condições não foram fáceis hoje, mas estou contente com o resultado.”
Questionado se poderia ter lutado pela vitória partindo mais à frente, o italiano revelou dúvidas
“Não sei. Se tivesse partido em terceiro, seria outra história. Mas acho que o Lando continuava a ter vantagem sobre nós este fim de semana. Em ritmo puro, não acho que conseguisse desafiá-lo, especialmente com a dificuldade que era seguir outro carro, com muito sobreaqeucimento dos pneus. Por isso acho que teria sido muito difícil. Fora isso, foi um grande trabalho de equipa. Também na estratégia, arriscámos no início e depois recuámos um pouco porque ficámos preocupados com a segurança. Mas, apesar disso, colocaram-me numa posição para lutar, eventualmente, pelo pódio.”
Sobre se os resultados superaram as suas expectativas de pré-época, Antonelli reconheceu que não esperaria estar nesta posição:
“Sim, claramente não esperava estar nesta posição. Mas o carro tem sido extremamente bom, a equipa tem feito um trabalho incrível e, da minha parte, tento maximizar cada oportunidade que tenho. Claro que ainda há muito trabalho a fazer, muito a aprender, mas foi uma boa primeira metade da época. Agora estou de olhos postos na segunda metade e vamos continuar a lutar.”
Foto: Philippe Nanchino /MPSA








