Sébastien Ogier (Toyota GR Yaris Rally1) venceu o Rali da Acrópole, garantindo uma vitória total ao triunfar também na Power Stage e no Super Domingo, num fim de semana marcado pela consistência e pela gestão exemplar das duras condições gregas.
O francês, navegado por Vincent Landais, terminou com 58,3 segundos de vantagem sobre Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1), que viu as suas aspirações à vitória ruírem após um duplo furo na última manhã de prova. Takamoto Katsuta assegurou o terceiro lugar final, consolidando mais um dos seus melhores resultados da sua carreira.
Para Ogier “os deuses gregos finalmente estiveram do meu lado”, afirmou. “Foi um fim de semana longo, sem momentos para relaxar. Conduzi com o máximo cuidado e tentei evitar todas as pedras.”
Arranque em Atenas antecipou batalha entre gigantes
O rali começou com Ogier a impor-se na superespecial urbana de Atenas, superando Neuville por 1,1 segundos, num primeiro sinal do duelo que marcaria toda a prova. Katsuta posicionou-se desde cedo entre os mais competitivos, enquanto Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) enfrentava desde logo o desafio de abrir a estrada nas etapas de terra.
Sexta-feira expôs dureza do Acrópole
A primeira etapa em pisos de terra confirmou a reputação da prova como uma das mais exigentes do calendário. Neuville assumiu a liderança após uma gestão eficaz num dia marcado por furos e problemas mecânicos generalizados. O belga terminou com 9,7 segundos de vantagem sobre Ogier, enquanto Adrien Fourmaux, apesar de um furo, recuperou até ao terceiro lugar. “É sempre bom liderar, mas o rali ainda é muito longo”, advertiu Neuville.
Ogier manteve-se próximo sem assumir riscos excessivos, sublinhando a importância da sobrevivência: “O foco é evitar problemas.”
Sábado prepara decisão ao segundo
O duelo intensificou-se no sábado, com trocas constantes de tempo entre os dois líderes. Ogier reduziu progressivamente a desvantagem e entrou no último dia apenas a 4,1 segundos de Neuville.
Apesar de pequenos danos no Hyundai, o belga mostrou-se confiante. “Não é um problema”, garantiu. Ainda assim, Ogier apostou numa estratégia ousada de pneus e voltou a aproximar-se, preparando um domingo decisivo.
Atrás, Katsuta subiu ao terceiro lugar após problemas de Fourmaux, enquanto Josh McErlean consolidava uma surpreendente presença no top 5. Evans, líder do campeonato, caiu para sétimo após novo furo.
Domingo decide com reviravolta dramática
O momento-chave surgiu na penúltima especial. Após perder a liderança para Ogier no arranque do dia e com apenas 1,3 segundos a separá-los, Neuville sofreu dois furos consecutivos nos pneus traseiros, perdendo cerca de um minuto. “Fomos muito azarados. Primeiro um alerta de pressão, depois outro furo. Queríamos lutar até ao fim”, lamentou.
O incidente abriu caminho para Ogier gerir a vantagem até ao final e atacar a Power Stage, onde ainda garantiu o melhor tempo, batendo Sami Pajari por 2,7 segundos.
Classificação final e destaques
Neuville terminou em segundo, alcançando o seu 76º pódio no WRC, mas com sentimentos mistos: reconheceu o mérito de Ogier e admitiu que o desfecho poderia ter sido diferente sem os problemas.
Katsuta foi terceiro, num resultado que reforça as suas ambições no campeonato. “Gerimos bem os riscos e evitamos problemas”, explicou, destacando também o significado pessoal do pódio.
Josh McErlean foi quarto, alcançando o melhor resultado da carreira, enquanto Pajari fechou o top 5 após recuperar de contratempos iniciais.
Fourmaux terminou sexto, também afetado por furos, e Evans foi apenas sétimo após um rali difícil a abrir a estrada. Mārtiņš Sesks foi oitavo, beneficiando do abandono de Dani Sordo.









