George Russell garantiu a pole position com uma volta fenomenal em Spielberg. Contudo, a partida do primeiro lugar da grelha não é – de modo nenhum – garantia de triunfo no Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1. Sob uma onda de calor na Europa, as simulações apontam para uma corrida com múltiplas paragens nas boxes, elevada degradação de pneus e forte probabilidade de drama em pista, onde a precisão estratégica das equipas será o fator decisivo para a vitória.

O domínio da estratégia de duas paragens
De acordo com as simulações da Pirelli, a estratégia teoricamente mais rápida para as 70 voltas ao Red Bull Ring é uma corrida de duas paragens com o esquema Médio > Duro > Duro. Esta abordagem prevê a primeira troca de pneus entre as voltas 17 e 24, e o segundo reabastecimento de borracha entre as voltas 44 e 52. Sete carros guardaram dois conjuntos de pneus duros novos para adotar esta via, coincidindo precisamente com os primeiros sete pilotos da grelha de partida.
Por sua vez, Max Verstappen surge como o elemento imprevisível no grupo da frente. O piloto da Red Bull optou por uma tática flexível, tendo conservado dois conjuntos de pneus duros novos e dois médios novos. Para o neerlandês e para os restantes monolugares da marca austríaca no top 10, a opção ideal passa por um esquema Médio > Duro > Médio, com paragens previstas para as voltas 18-24 e 44-50.


Calor extremo abre porta a três paragens
Ao contrário do sucedido no início da temporada, onde as corridas de apenas uma paragem foram predominantes, as condições atmosféricas na Áustria alteraram radicalmente o cenário. Espera-se que a temperatura do ar atinja os 34 °C e a do asfalto chegue aos 55 °C no decorrer da prova.

O Diretor da Pirelli Motorsport, Dario Marrafuschi, explicou o impacto deste cenário térmico no rendimento dos compostos: «As temperaturas estão bastante elevadas e estamos a registar valores de degradação muito próximos dos que observámos em Barcelona». Marrafuschi detalhou que, perante estes dados, «a estratégia de três paragens, baseada no cálculo puro, poderia ser ligeiramente mais rápida do que a de duas». No entanto, o responsável advertiu que variáveis como o tráfego em pista podem penalizar a opção de três paragens em cerca de cinco segundos no tempo total de corrida.
O poder do undercut (antecipação da paragem nas boxes) será outra arma crucial. Se algum piloto optar por parar mais cedo, poderá desencadear um efeito cascata em todo o pelotão. Esta dinâmica ganha relevância num ano em que o novo ‘Modo de Ultrapassagem’ substitui o tradicional sistema DRS, gerando incerteza sobre a facilidade de ultrapassagem no traçado austríaco.
Para as equipas que largam mais atrás, o pneu macio deste ano revela-se mais robusto, abrindo a porta a uma tática alternativa de arranque com o composto Macio > Médio > Duro, com a primeira paragem antecipada para as voltas 14-20.
FOTO MPSA Agency









