A dupla Fernando Teotónio e Luís Morgadinho, aos comandos de um Mitsubishi Lancer Evo IX, foi forçada a abandonar o Rali de Castelo Branco devido a problemas mecânicos na nona Prova Especial de Classificação (PEC 9). Até ao momento da paragem, os pilotos dominavam de forma categórica a classificação do Campeonato Promo de Ralis, dispondo de uma vantagem que rondava os três minutos sobre a concorrência direta.
Domínio absoluto termina em desaire técnico
A prestação de Fernando Teotónio iniciou-se com um ritmo forte nas estradas da Beira Baixa, estabelecendo uma vantagem inicial de 7,6 segundos sobre Nelson Trindade logo no primeiro troço. Com os contratempos deste último, a margem alargou-se para dois minutos no encerramento da primeira etapa face aos segundos classificados, João Marques e Hélder Fernandes (Citroën Saxo VTS X1).
Durante a manhã de sábado, a liderança consolidou-se com quase três minutos de avanço, chegando a obter o décimo melhor tempo na classificação geral absoluta. Contudo, a quebra mecânica na PEC 9 deitou por terra a vitória que parecia assegurada.
Piloto alerta para a “tristeza” e falta de competitividade no Promo
Fernando Teotónio manifestou ainda um profundo descontentamento com o atual panorama do Campeonato Promo de Ralis. Para o piloto, o facto de conseguir uma liderança tão isolada, mesmo com um andamento forte, espelha a crise que a categoria atravessa devido à escassez de participantes e à disparidade competitiva. “Depois de acertarmos com as afinações do carro, chegámos a fazer um décimo tempo à geral, o que foi um ótimo tempo. Se nada tivesse sucedido era só levar o carro até ao fim, e infelizmente isso mostra um bocadinho a tristeza que estão as coisas a nível competitivo nos Promo”, desabafou o piloto, acrescentando que o atual figurino do campeonato está “super, super fraquíssimo”.
Reestruturação com inspiração no antigo Open de Ralis
Face ao cenário de esvaziamento, onde “três ou quatro carros não fazem falta ao campeonato nacional”, Teotónio defende que a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) deve intervir com urgência.
A solução preconizada pelo piloto passa por retirar a categoria dos ralis principais e fundi-la com as competições regionais, integrando viaturas R2, Rally4, Rally5, N5 e os Mitsubishi: “Acho que a federação vai ter que fazer alguma coisa. O que defendo há muito (…) era tirar o Promo do ‘Nacional’ e fazer duas, três provas Norte, Centro e Sul, para ter um bocadinho dos regionais todos. Acho que iria dar muito mais cor aos regionais.”
O piloto aponta como modelo de sucesso o formato do antigo Open de Ralis, época caracterizada por listas de inscritos extensas e listas de tempos equilibradas. O foco da equipa vira-se agora para a resolução dos problemas mecânicos do Mitsubishi Lancer Evo IX, enquanto o futuro regulamentar da categoria permanece sob debate no seio da modalidade.








