A Ferrari chega às 24 Horas de Le Mans 2026 com três triunfos consecutivos na prova francesa desde o regresso à competição com o 499P. O objetivo declarado para 2026 é prolongar o ciclo de vitórias e reforçar um legado que já soma 12 triunfos absolutos na história da corrida.
A relação entre a Ferrari e Le Mans remonta a 1949, ano em que o 166 MM Barchetta de Luigi Chinetti e Lord Selsdon venceu logo na estreia da marca na prova. Esse primeiro triunfo inaugurou uma ligação de alta intensidade entre Maranello e La Sarthe que se prolongaria pelas décadas seguintes.
O final dos anos 50 e o início dos anos 60 constituíram a verdadeira era de ouro da Ferrari em Le Mans. Modelos como o 250 Testa Rossa, o 250 P e o 330 P estabeleceram um domínio sem paralelo, culminando numa sequência de seis vitórias consecutivas entre 1960 e 1965. Pilotos como Phil Hill, Olivier Gendebien e Jochen Rindt contribuíram para a construção deste legado, ao serviço da Scuderia oficial ou de estruturas satélite.
A partir do início da década de 70, e em particular após o fim do programa oficial de protótipos em 1973, a Ferrari retirou-se da luta direta pela vitória absoluta, mantendo-se em força através de equipas privadas, sobretudo nas categorias GT e em protótipos de menor cilindrada.
O regresso à classe principal aconteceu em 2023, após 50 anos de ausência, com o Ferrari 499P (equipado com um motor V6 biturbo de 3,0 litros) a vencer imediatamente com o carro n.º 51 de Alessandro Pier Guidi, James Calado e Antonio Giovinazzi. Em 2024, o n.º 50 de Antonio Fuoco, Miguel Molina e Nicklas Nielsen repetiu o feito. Em 2025, foi a vez do n.º 83 da AF Corse, com Yifei Ye, Robert Kubica e Phil Hanson a completarem um histórico hat-trick. Com este terceiro triunfo consecutivo, a marca elevou para 12 o total de vitórias absolutas na prova.
Imola: pole e pódio em casa
A temporada 2026 arrancou em Imola, em pleno território Ferrari. O 499P n.º 51 assegurou a pole position, confirmando o excelente desempenho em volta única do pacote italiano. Na corrida, o #51 liderou a primeira metade da prova e só perdeu a dianteira para o Toyota n.º 8 na dança estratégica das paragens, acabando por cruzar a meta em 2.º lugar, a 13,3 segundos do vencedor.
O Ferrari n.º 50 terminou em 6.º, depois de uma corrida mais discreta, condicionada por escolhas de pneus e por períodos de Full Course Yellow que não lhe foram favoráveis. Já o n.º 83 fechou o top 10 em Hypercar, garantindo pontos e mostrando um ritmo sólido, ainda que um degrau abaixo dos dois carros oficiais.
Apesar de não ter vencido, a Ferrari saiu de Imola com a sensação de ter validado o pacote 2026: pole, liderança prolongada e dois carros no top 6 em casa, perante uma concorrência mais numerosa e mais forte.
Spa: pódio para o #50, dia duro para o #51
Em Spa‑Francorchamps, segunda ronda do WEC, a Ferrari enfrentou uma prova bem mais complexa. Numa corrida dominada pela BMW coube ao Ferrari n.º 50 salvar o fim de semana com um 3.º lugar após uma recuperação consistente. Fuoco, Molina e Nielsen perdem tempo com um problema numa porca de roda durante uma paragem, mas conseguiram recuperar posições ao longo da segunda metade da corrida até fecharem o pódio.
O AF Corse n.º 83 terminou em 6.º e o n.º 51 viveu um fim de semana para esquecer: envolvimento em contactos LMGT3 e um toque tardio acabam por deixar Pier Guidi/Calado/Giovinazzi várias voltas atrás dos vencedores. À saída de Spa, o retrato parece claro: a Ferrari já não domina o WEC com a mesma margem, mas continua firmemente instalada no grupo da frente.
Le Mans 2026: tricampeã à procura de mais
A Ferrari chega a Le Mans ciente de que para voltar a vencer, terá de dar tudo, pois a concorrência parece mais próxima. No entanto, a confiança nos artistas do volante mantém-se inalterada com os seguintes alinhamentos:
- Ferrari AF Corse n.º 50 — Antonio Fuoco, Miguel Molina, Nicklas Nielsen
- Ferrari AF Corse n.º 51 — Alessandro Pier Guidi, James Calado, Antonio Giovinazzi
- AF Corse n.º 83 — Yifei Ye, Robert Kubica, Phil Hanson
O 499P chega a 2026 invicto em Le Mans desde que existe, com vitórias consecutivas para o #51, #50 e #83. A concorrência é mais forte do que nunca, mas a estrutura de Maranello leva para La Sarthe exatamente aquilo que se exige a um favorito: continuidade de pilotos, um carro já provado em todas as condições e a confiança de quem, desde 2023, não sabe o que é perder na pista onde a resistência se transforma em lenda.











