Thierry Neuville conquistou este domingo a vitória no Vodafone Rally de Portugal, aproveitando o furo de Sébastien Ogier na penúltima especial para selar o primeiro triunfo da Hyundai Shell Mobis World Rally Team na temporada de 2026. O belga terminou com 16,3 segundos de vantagem sobre Oliver Solberg, enquanto Elfyn Evans fechou o pódio, a 29,1 segundos, num rali decidido apenas na reta final e marcado por chuva, lama e sucessivas mudanças de aderência.

A prova parecia encaminhada para um oitavo triunfo de Ogier em Portugal. O francês arrancou para o derradeiro dia com 21,9 segundos de avanço e manteve-se no comando até Vieira do Minho 2, onde um furo no pneu traseiro direito o obrigou a parar para mudar a roda e o fez cair para sexto da geral. Neuville, que se manteve sempre perto da frente num fim de semana de enorme desgaste, herdou a liderança e geriu a Power Stage de Fafe sem sobressaltos até à meta.

Triunfo muda o rumo da época
A vitória assume peso acrescido no contexto do campeonato. Neuville, campeão do mundo de 2024, chegou a Portugal apenas no sétimo lugar da classificação de pilotos, sem qualquer pódio nas cinco primeiras provas e ainda marcado pelo acidente na última especial do Rali da Croácia, quando seguia na liderança. Do lado dos construtores, a Hyundai procurava igualmente travar o domínio inicial da Toyota, vencedora de todas as rondas anteriores de 2026.

“É uma vitória muito especial”, afirmou Neuville, sublinhando que o resultado surge “depois do que aconteceu na Croácia e das dificuldades que temos tido há já algum tempo”. O piloto belga acrescentou que a equipa “nunca desistiu” e que isso acabou por ser recompensado num rali em que, apesar de nada ter sido perfeito, conseguiu manter sempre um ritmo competitivo.

Ogier perde tudo na penúltima especial
A reviravolta consumou-se quando Ogier encontrou condições particularmente agressivas em Vieira do Minho 2. O troço apresentava sulcos profundos e muitas pedras soltas, e o francês acabou por danificar o pneu traseiro direito numa fase em que parecia caminhar para mais uma vitória no norte de Portugal. No final, resignado, resumiu o episódio de forma curta: “Há coisas que não conseguimos controlar. Tudo o que podíamos ter feito este fim de semana, fizemos muito bem”.
Também Sami Pajari foi apanhado pelo mesmo troço. O finlandês seguia lançado para o quinto pódio consecutivo, mas teve igualmente de parar para trocar uma roda e caiu de terceiro para sétimo, alterando por completo a composição final do top 5.

Solberg regressa ao pódio, Evans reforça liderança no campeonato
Oliver Solberg capitalizou melhor o caos da última manhã. O sueco liderou após a abertura da prova, recuperou o comando brevemente no sábado de manhã e, apesar de um rali com problemas de pneus e um pião, manteve-se suficientemente perto para herdar o segundo lugar final. “Foi um grande resultado ping-pong todo o fim de semana”, resumiu Solberg, satisfeito por regressar ao pódio depois de dois ralis de asfalto mais complicados.

Evans, por seu lado, fechou em terceiro e saiu de Portugal com a liderança do campeonato reforçada. Sem conseguir sempre o ritmo que desejava, o galês beneficiou do desfecho atribulado do domingo e ampliou para 12 pontos a vantagem sobre Takamoto Katsuta após seis rondas.

Prova confirmou equilíbrio raro na frente
Adrien Fourmaux terminou em quarto, depois de um rali que chegou a liderar antes de um incidente e de um duplo furo na sexta-feira o afastarem da luta pelo triunfo. Katsuta concluiu no quinto posto, à frente de Ogier e Pajari, enquanto Dani Sordo foi oitavo, Mārtiņš Sesks nono e Teemu Suninen completou o top 10 como vencedor do WRC2.

O Rally de Portugal deixou ainda um sinal claro sobre a época de 2026: continua tudo em aberto. A prova teve quatro líderes distintos — Fourmaux, Solberg, Ogier e Neuville — e confirmou Neuville como o quinto vencedor diferente nas seis primeiras provas do ano, um dado que sublinha o equilíbrio raro vivido na frente do Mundial. A próxima ronda será o Rali do Japão, entre 28 e 31 de maio.
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