A Fórmula 2 cumpre em 2026 a sua 10ª temporada sob a designação atual, num momento que o CEO Bruno Michel descreve como simbólico para um campeonato que, desde 2017, se consolidou como principal plataforma de acesso à Fórmula 1. Numa reflexão sobre a última década, o dirigente sublinha a clareza do percurso competitivo, o aumento da visibilidade global e a capacidade da categoria para formar pilotos prontos para competir ao mais alto nível do automobilismo.
Balanço de uma década
Bruno Michel sustenta que o crescimento da F2 resulta de “um esforço coletivo”, envolvendo Fórmula 1, FIA, equipas, parceiros técnicos e fornecedores, e não de uma evolução individualizada. “Foi um trabalho de equipa”, afirmou o responsável, defendendo que o campeonato se tornou mais relevante no seio da pirâmide da FIA e mais apelativo para jovens pilotos graças à simplificação da rota até à F1, em contraste com a dispersão de categorias que existia antes de 2017.
Michel considera que uma das mudanças estruturais mais importantes foi precisamente a definição clara dessa trajetória, reforçada pela identidade das designações F2 e F3, mais intuitivas do que as antigas GP2 e GP3. Ao mesmo tempo, assinala que a categoria ganhou alcance internacional, aumentou o número de corridas e alargou a sua base de adeptos, hoje mais jovem e expressiva.
Formação e custos
Apesar da evolução, o responsável garante que a missão central permanece inalterada: preparar pilotos para a Fórmula 1 com maquinaria, sistemas e procedimentos o mais próximos possível dos que encontram no escalão principal. Em paralelo, defende que essa ambição tem de coexistir com controlo de custos, competitividade em pista e uma preocupação crescente com sustentabilidade e diversidade, áreas em que destaca o uso antecipado de combustível sustentável em parceria com a Aramco.
O dirigente aponta ainda os resultados desportivos recentes como sinal da eficácia do modelo, referindo que 22 pilotos chegaram à Fórmula 1 desde a época inaugural de 2017. Michel destaca igualmente o impacto imediato da geração promovida em 2025, com Gabriel Bortoleto, Oliver Bearman, Andrea Kimi Antonelli, Isack Hadjar e Jack Doohan entre os nomes lançados a partir da F2 para a grelha principal.
Próxima etapa
O calendário de 2026 marca uma novidade histórica: a estreia da Fórmula 2 na América do Norte, com rondas em Miami, de 1 a 3 de maio, e em Montreal, de 22 a 24 de maio. Segundo Michel, a entrada nesses mercados representa “um passo importante” no crescimento global do campeonato, embora ressalve que qualquer expansão futura terá de respeitar limites financeiros, numa altura em que a F2 já cumpre 14 eventos por temporada.
Desafio técnico
O futuro, admite o CEO, passará também por manter a relevância técnica da categoria numa fase em que a Fórmula 1 avança para soluções de unidade motriz que a F2 não pode replicar por razões orçamentais. Ainda assim, Michel garante que o objetivo se mantém: ajustar o campeonato ano após ano para continuar a produzir pilotos preparados para o patamar seguinte.
FOTO F2/Formula MotorSport Limited










