Tiphanie Isnard (Dacia): “Não está nos nossos planos entrar no WRC, vamos concentrar-nos na evolução futura da Renault e na estratégia do grupo, teremos de esperar para ver”
Tiphanie Isnard é Chefe de Equipa da Dacia Sandriders & Co-CEO All Sports Management. Depois da Dacia ter vencido o Dakar pela primeira vez, os responsáveis da marca decidiram terminar o programa Dacia Sandriders mais cedo do que o previsto, no final deste ano.
Até lá, há mais um campeonato para vencer, o W2RC, e para já estão bastante bem posicionados, pois venceram as duas primeiras provas, Dakar e Portugal.
Numa conversa levada a cabo antes do arranque da prova portuguesa, Tiphanie Isnard falou sobre o Dakar, uma vitória histórica mas admite sentimentos mistos perante o fim anunciado do projeto no final de 2026, garantindo, contudo, que o futuro da marca no desporto motorizado continua em aberto…

AutoSport: Antes de mais, parabéns pela vitória no Dakar. Vencer o Dakar é fantástico. Como foi para si e para a sua equipa?
Thipanie Isnard: “Foi maravilhoso, porque por detrás deste resultado estão milhares e milhares de horas de trabalho árduo, de dedicação, de tempo passado fora de casa, longe da família e dos amigos. É, de facto, um grande sacrifício em termos de tempo. Quando vi a equipa a chorar e a viver a vitória intensamente, foi extraordinário, sobretudo ao fim de apenas dois Dakar e um ano de projeto. Foi um grande feito, mas eles merecem-no plenamente.”

AutoSport: O que correu diferente – e melhor – neste Dakar em comparação com as edições anteriores?
Thipanie Isnard: “Temos agora mais experiência, esse é o ponto-chave. Mais experiência com o carro, que se mostrou realmente robusto, e isso foi uma grande vantagem. Tínhamos já um ano de bagagem, em diferentes tipos de terreno, no Campeonato, o que nos deu muita informação. Voltamos mais fortes.
Também a própria equipa está mais experiente, e penso que foi isso que esteve na base deste resultado.”

AutoSport: Qual foi, para si, o momento decisivo deste Dakar?
Thipanie Isnard: “Penso que foi na primeira parte do rali. Tivemos bastante sorte, apesar dos muitos furos, e por isso escolhemos uma abordagem mais prudente. Definimos que queríamos estar a meio da tabela de tempos, nem demasiado acima nem demasiado abaixo, encontrando o equilíbrio certo, para fazer uma corrida mais segura e inteligente. E essa estratégia acabou por fazer a diferença…”

AutoSport: Como é que equilibra o orgulho de vencer o Dakar com a decisão de terminar o programa no final de 2026?
Thipanie Isnard: “Por um lado, é uma boa notícia, porque atingimos o nosso objetivo. Mas, naturalmente, há uma certa tristeza por chegarmos ao fim. Isto faz parte do desporto motorizado e faz parte também da vida de uma marca, que investe muito dinheiro na competição, e o Dakar é extremamente exigente.
No final, quando se sente que foi cumprido o que se pretendia para a marca, encerrara-se esse ciclo. Melhoramos em termos de combustível, melhoramos a fiabilidade do carro, reforçámos a imagem da marca num ambiente outdoor.
É muito positivo termos alcançado os objetivos que nos foram traçados. Portanto, são boas notícias, mas é da natureza destes projetos que, a dada altura, tenham de terminar…”

AutoSport: Isto representa uma saída total da Dacia do desporto motorizado ou a marca está a olhar para outras áreas?
Thipanie Isnard: “Para já, o que está decidido é a saída do programa Dakar. Nunca sabemos o que poderá acontecer no futuro. O que é certo é que estamos muito satisfeitos com o que o desporto motorizado trouxe à marca e também à tecnologia dos nossos carros. O mundo está a evoluir muito depressa e de forma muito diferente, por isso vamos ver o que o futuro nos reserva. Não é uma porta completamente fechada para a Dacia no desporto motorizado.
AutoSport: Já ouviu a palavra WRC ser mencionada entre os decisores de topo da Dacia?
Thipanie Isnard: “É engraçado ver que as pessoas falam disso (ndr, rumores na comunicação social). É um programa interessante, mas neste momento não está nos nossos planos entrar no WRC. Estamos focados nesta campanha nos Rally-Raids. Depois de concluirmos este programa, vamos concentrar-nos na evolução futura da Renault e na estratégia do grupo, e então veremos o que acontece. Mas não vamos competir no WRC ‘para a semana’. Gostamos muito do WRC, mas teremos de esperar para ver…”
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