GP China F1: Kimi Antonelli vence e faz história, segunda de seguida para a Mercedes
Kimi Antonelli (Mercedes) assegurou na China a sua primeira vitória na carreira, torna-se no segundo piloto mais novo de sempre a consegui-lo, aos 19 anos, naquele que foi apenas o seu 26º Grande Prémio da carreira.
Depois do triunfo de George Russell (Mercedes) na Austrália, novo triunfo da Mercedes. Para Itália, este é o primeiro triunfo em 20 anos de um piloto italiano, quando Giancarlo Fisichella triunfou no GP da Malásia de 2006.
Russel terminou a corrida em segundo a cinco segundos do seu colega de equipa e logo atrás os dois Ferrari, de Lewis Hamilton (Ferrari), que regressa aos pódios, e Charles Leclerc (Ferrari).
Grande resultado de Oliver Bearman (Haas Ferrari), quinto com o Haas, na frente de Pierre Gasly (Alpine Mercedes), outra grande atuação. Liam Lawson (Racing Bulls Ford) foi sétimo na frente de Isack Hadjar (Red Bull Ford), o melhor dos Red Bull já que Max Verstappen (Red Bull Ford) ficou pelo caminho.
A fechar o top 10, Carlos Sainz (Williams Mercedes) e Franco Colapinto (Alpine Mercedes), com o piloto argentino a ajudar a colocar dois Alpine no top 10.
Numa corrida que começou como mais um duelo interno da Mercedes e terminou como o dia em que um adolescente escreveu o próprio nome na história, Kimi Antonelli segurou a pressão dos campeões à sua volta, sobreviveu à gestão dos pneus e às investidas dos Ferrari e de George Russell, e cruzou a meta em Xangai para a sua primeira vitória na Fórmula 1, fechando um Grande Prémio da China tão caótico nas estratégias como brutal nas emoções.
McLaren out
A história começa ainda antes das luzes se apagarem, com a grelha mutilada por problemas de fiabilidade: McLaren, Bortoleto e Albon nem chegam a alinhar, enquanto Antonelli arranca da pole com a memória fresca do Sprint, em que perdera várias posições na partida.
Muita luta inicial
Quando as luzes se apagam, ele reage bem, mas é surpreendido pela agressividade dos Ferrari: Lewis Hamilton, lança o carro por fora na Curva 1, ganha a liderança, e Charles Leclerc segue-o, deixando o jovem italiano momentaneamente encurralado entre o vermelho e o prata. Antonelli responde de imediato, luta com Leclerc e recupera o segundo lugar, recusando ser empurrado para o meio do pelotão logo no arranque.
As primeiras voltas são um xadrez tático entre os quatro da frente. Hamilton lidera, Antonelli controla a distância, Leclerc segura um George Russell claramente mais rápido, enquanto atrás o pelotão se baralha com toques, pequenos incidentes e estratégias de pneus divergentes.
Pierre Gasly assume o papel de “melhor dos outros”, Franco Colapinto mistura-se no top 10 com pneus duros, e Liam Lawson, Arvid Lindblad e Max Verstappen tentam recuperar terreno após arranques complicados.
Max Verstappen, em particular, volta a sair mal da grelha, preso no meio do trânsito e sem a habitual capacidade de fatiar o pelotão em poucas voltas.
À medida que os pneus médios começam a degradar-se, a corrida entra na fase estratégica. Um pião de Lance Stroll que fica imobilizado em pista e a consequente entrada do Safety Car baralham tudo: os líderes param em simultâneo, Mercedes e Ferrari fazem “double stack”, e de repente o topo da classificação mistura quem já parou com quem se mantém em pista, a apostar num safety car futuro ou numa paragem mais tardia.
Antonelli regressa ainda na frente, mas agora com a pressão de Hamilton mais próxima e com Leclerc e Russell a tentar libertar-se do trânsito. O jovem italiano, no entanto, mostra maturidade rara: com pista limpa, cuida dos pneus duros e começa a construir uma almofada de segurança.
Boas lutas no meio do pelotão
É atrás que o drama se adensa. Na luta pelo top 10, Colapinto regressa dos pits com pneus frios, Esteban Ocon vê uma oportunidade, atira-se por dentro… tarde demais. Ambos fazem pião, deixam detritos na pista e a direção de corrida reage com investigação imediata e, mais tarde, com uma penalização de 10 segundos para o francês.
Ao mesmo tempo, Nico Hülkenberg e Lindblad tentam alongar ao máximo os seus stints, à espera de um novo Safety Car que nunca chega, enquanto Oliver Bearman aproveita o caos para se instalar solidamente no grupo dos pontos.
Luta tática na frente
Na frente, a corrida transforma-se numa peça de teatro em três atos: primeiro, Hamilton, com pneus mais “vivos”, cresce e pede “mais potência” à Ferrari, aproximando-se de Antonelli. Depois, Leclerc entra no jogo, passa Hamilton numa luta de alta tensão entre colegas de equipa, com pequenos “chega para lá” e trocas de posição volta após volta.
É aqui que Russell cheira sangue: com os dois Ferrari a desgastar pneus e nervos, aquece o seu próprio jogo, primeiro ultrapassa Hamilton, depois, com bateria bem gerida, finalmente passa Leclerc na Curva 14 e sobe a segundo. À frente, Antonelli, silencioso no rádio, limita-se a gerir e a aumentar a margem.
Antonelli firme na frente a meio da corrida
A meio da corrida, as contas são claras: o jovem italiano lidera com vários segundos de vantagem, Russell tenta reduzir pouco a pouco, Hamilton e Leclerc continuam numa dança tensa pelo último lugar do pódio.
Ferrari chega a falar em “Plano C” com Leclerc, sugerindo um possível segundo pit stop, mas a realidade dos pneus duros – surpreendentemente resistentes – acaba por empurrar todos para a mesma conclusão: sobreviver até ao fim com uma só paragem.
Mesmo assim, os problemas rondam o grupo da frente: Hamilton queixa‑se por rádio de “não ter potência” à saída da última curva, tem um momento de susto, mas a equipa resolve à distância e o britânico mantém-se no jogo, defendendo-se de Leclerc com experiência e precisão.
Mais atrás, o meio da tabela vive uma corrida à parte. Gasly perde posição para Verstappen num movimento em que se queixa de ter sido empurrado para fora de pista, Hadjar, depois de uma corrida de altos e baixos com duas paragens e um pião no arranque, regressa à zona de pontos, e Colapinto, depois do toque com Ocon, lança uma recuperação final, ‘caçando’ Carlos Sainz e lutando até à última volta por um lugar no top 10.
Max Verstappen out
A própria Red Bull vê-se traída pela mecânica: um problema de unidade motriz atira Verstappen para o abandono quando o neerlandês ainda procurava minimizar danos numa corrida que nunca o deixou realmente entrar no ritmo de ataque habitual.
Nas derradeiras voltas, toda a pressão converge sobre Antonelli. A vantagem, que chegou a ser confortável, vai sendo erodida pelo desgaste extremo dos pneus. A Mercedes avisa, pela voz do engenheiro “Bono”, que é hora de apenas “trazer o carro para casa”.
Ainda assim, há espaço para um susto: um bloqueio de travões no ‘gancho’, uma saída larga que maltrata ainda mais a borracha e dispara os alarmes internos. Atrás, Russell continua a tentar, mas a distância já é demasiado grande, e a Ferrari, ocupada com o seu duelo interno, já não tem argumentos para incomodar verdadeiramente as flechas prateadas.
Quando a placa de última volta aparece, o cenário está montado: Antonelli, com mais de sete segundos de margem, tem apenas de sobreviver a uma última volta com pneus em ‘farrapos’. O Mercedes dança de traseira à saída das curvas, escorrega pela longa parabólica que conduz à reta da meta, mas o italiano mantém as mãos firmes e o coração frio. Cruza a linha, quase a “derrapar” em falta de aderência, e solta o grito que vinha a segurar há 56 voltas: “YES! YES, YES, YES! Fizemos isto!” Na box, o pai é abraçado por Toto Wolff, numa imagem que condensa a passagem de testemunho: a casa de Brackley volta a vencer com um jovem prodígio, tal como acontecera noutras eras.
Russell chega em segundo, depois de uma corrida em que foi, durante longos períodos, o homem mais rápido em pista, mas acabou por pagar o preço da luta no tráfego e da gestão de pneus.
Hamilton garante o terceiro lugar e o seu primeiro pódio com a Ferrari logo no palco onde brilhara no Sprint do ano anterior, descrevendo uma corrida “intensa, mas divertida”, marcada por lutas corpo a corpo com Leclerc e pela constante preocupação com a degradação. O monegasco, quarto, admite no rádio que a batalha interna “foi bastante divertida desta vez”, num alívio evidente face às queixas do sábado.
No top 10, Bearman volta a ser “melhor dos outros” com um sólido quinto lugar, Gasly confirma a boa forma de um Alpine que se instala no grupo que pode sonhar com grandes pontos sempre que os da frente falham, Lawson, Hadjar, Sainz e Colapinto fecham as posições pontuáveis numa prova onde a fiabilidade baralhou hierarquias e abriu a porta a protagonistas improváveis.
No fim, porém, tudo gravita em torno de uma imagem: a de Kimi Antonelli, 19 anos, a agradecer pelo rádio e a encostar o Mercedes à parede das boxes, saudado por uma equipa que percebeu, em Xangai, que o futuro já chegou – e chegou em modo Grande Prémio.
FOTO Dom Gibbons/LAT Images/Mercedes AMG F1

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Pity
15 Março, 2026 at 11:41
Voltámos aos anos 80? É que com esta falta de fiabilidade, parece. Os saudosistas devem ter gostado 🙂 A maior parte destes 22 pilotos não sabe o que é isso, talvez só o Alonso, dos tempos do “jipitu engine”. Esperava este descalabro na Austrália, mas só aconteceu na China. Mas nem tudo foi negativo. Os pilotos da McLaren tiveram a oportunidade de aprender, com os pilotos da Ferrari, como se luta roda a roda, sem se tocarem.
A corrida voltou a ser bem animada graças, principalmente, aos pilotos da Ferrari. Não me importa que sejam lutas artificiais, a questão é que nos mantêm acordados.
Muito bem o miúdo Antonelli, que correu como gente grande, apesar daquela travagem, que poderia ter deitado tudo a perder.
De salientar a Alpine, que pontuou com os dois carros, primeiro ponto da carreira para Colapinto, que estava a fazer uma corrida sólida até lhe aparecer um desastrado Ocon.
De salientar que, das quatro “faltas de comparência”, três têm motores Mercedes. Coincidência, ou motivo de preocupação?
Preocupante continua a ser a situação da Aston Martin, com as vibrações a levarem ao abandono de Alonso.
Canam
15 Março, 2026 at 11:52
Cada vez mais este regulamento “esquisito” parece ter sido feito à medida de 2, com os outros 20 a verem ao longe. Que são os que têm maior “peso” na F1. Uma coincidência. Competitividade, equilibrio ? Ok, prometeram , mas parece que fugiu. Uma chatiçe.
Esta F1,é (bem), vendida como ouro puro,, numa bela caixa com lacinho, ultrapassagens para cá e para lá. Mas quando abrimos a … a coisa é de pechebeque, postiça, artificial, mas bem maquilhada. O futuro é isto! OK. Então será “qualquer coisa”, muito divertida e entretida !
Finalmente, parabêns ao Antonelli. A Itália precisa de um campeão…desde o Ascari. Será desta ?
Guilherme Moreira
15 Março, 2026 at 12:54
Boa corrida no geral, com mais uma vitória e dobradinha da Mercedes como o esperado, mas desta vez foi Kimi Antonelli que aproveitou e conseguiu uma excelente vitória a sua primeira na carreira na f1 e que seja a primeira de muitas, parece que voltamos aos niveis de hegemonia da Mercedes de 2014-2016 e 2019, mas com a Ferrari claramente o segundo carro parece mais 2015 e 2019, veremos depois da pausa de abril acredito que a Mclaren e a Red Bull vão melhorar muito e aproximar-se das equipas da frente, sobretudo a Mclaren em qualificação mostrou ter bom ritmo e chassis nas curvas com o setor 1 e 2 mais rapidos, mas em ritmo de corrida há qualquer coisa no carro de errado e está muito longe da Mercedes e da propria Ferrari, a Red Bull parece ter o pior chassis das 4 o motor também é o pior mas não é o maior problema parece-me para a RBR e o Max! Grande luta entre os homens da Ferrari, foi mais uma vez o momento mais divertido, foi uma luta épica entre os 2 pilotos com Hamilton de volta aos velhos tempos a conquistar o primeiro pódio pela Ferrari e levar a melhor de forma mais fria e inteligente sobre o latino Leclerc! Grande corrida dos Alpine e da Haas, com destaque para Gasly e Bearman que são 2 pilotos muito bons e que têm um futuro risonho na f1 como já demonstraram, finalmente Colapinto a conquistar um ponto saboroso e merecido depois de um 2025 a seco e para esquecer depois de em 2024 na Williams ter mostrado muito valor, veremos se o Colapinto consegue aproximar-se do ritmo do Gasly e ajudar a Alpine a somar pontos e evoluir o carro! Sainz a capitalizar os muitos abandonos nesta corrida e colocar o Williams nos pontos, é sempre bom, visto que o carro é muito dificil de guiar e tem muitos problemas e sobrepeso do chassis e vai demorar tempo até chegar ao nivel da Alpine e Haas e até ultrapassar estas 2 equipas veremos, muito bem Hadjar depois do erro do inicio da corrida a conseguir recuperar e aproveitar as desistências para pontuar e bater o Max, está a ser um pesadelo esta época 2026 para o Max, claramente ele está em dificuldades com este carro e novos regulamentos, que exige mais da traseira que da frente como estava habituado nos carros de efeito de solo, veremos se consegue adaptar-se ou pode ser o fim de uma era dourada do Versttapen na f1 e ser um piloto vulgar e acontecer o que aconteceu ao Vettel tambem na red bull depois de 4 titulos seguidos, cada vez acho mais provavel isso voltar acontecer, são muitas coincidências e depois desses tetra da red bull com o vettel e max segue-se uma hegemonia da Mercedes e toda aquela historia do interesse do Wolff para o Max e os elogios do russell e do wolff à unidade de energia da Red Bull Powertrains Ford foi para pisar e destruir psicologicamente o Max e resultou, não acho que é maldade nem jogo sujo, é competição e inteligencia, e o Max está a provar do próprio veneno depois de tantos anos de colinho e proteção da FIA e do Horner etc, não tenho pena nenhuma! Venha o Japão, uma pista onde a Mclaren tem sido forte nos ultimos anos e a Mercedes tem estado em baixo e a Ferrari no meio termo, acredito que desta vez, a Mercedes vá conseguir dominar e reconquistar Suzuka, com a Ferrari e Mclaren na luta pelo podio, e a Red Bull talvez melhor visto que é uma pista onde eles andaram sempre bem na historia, veremos!
JoaoLima
15 Março, 2026 at 15:49
Concordo com tudo o que disse, Pity, só acrescentava um piloto que tem vindo a ultrapassar o valor do seu carro, e merecia uma equipa de topo, o Oliver Bearman.