A Fórmula 1 deverá anunciar nas próximas horas o cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita, marcados para abril, na sequência da escalada do conflito na região do Golfo. A decisão, que será tomada em conjunto pelo CEO da F1, Stefano Domenicali, e pelo presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, terá como critério central a segurança dos cerca de 3000 elementos que compõem o “circo” mundial, entre equipas, oficiais e fornecedores.
De acordo com a imprensa britânica e várias fontes no paddock, os navios e aviões de carga que transportam carros e equipamento crítico para o Bahrein teriam de partir já na próxima semana, impondo um prazo rígido para a decisão. Em paralelo, ataques com mísseis e drones atribuídos ao Irão atingiram recentemente infraestruturas civis e hotéis em Manama e noutras cidades da região, alguns deles habitualmente utilizados pela F1, o que agravou as preocupações de segurança e já levou ao cancelamento de um teste de pneus da Pirelli no Bahrein.
Várias fontes citadas por agências internacionais admitem que o cenário mais provável passa por uma redução do calendário de 24 para 22 corridas, sem substituição direta dos dois eventos, ao contrário do que aconteceu em 2020 durante a pandemia. A possibilidade de recalendarizar o Bahrein e Jeddah mais tarde no ano é considerada remota, devido às temperaturas extremas de verão na região e à ausência de “janelas” livres no calendário, que a F1 quer manter com pausa de agosto e sem sobrecarga adicional para as equipas.
Impacto financeiro elevado, mas contratos principais devem manter‑se
O eventual cancelamento terá impacto significativo nas receitas da F1. O Bahrein, pioneiro da disciplina no Médio Oriente, paga mais de 40 milhões de eurosa por edição, enquanto a Arábia Saudita é, a par do Qatar, um dos promotores mais lucrativos, com uma taxa anual na ordem dos 70 milhões. Além disso, o Estado saudita é proprietário da Aramco, patrocinador‑título de vários ativos da F1, num acordo avaliado em cerca de 50 milhões de euros por temporada. As indicações disponíveis apontam para que esses contratos de patrocínio não sejam afetados diretamente por um cancelamento pontual das corridas, que seria enquadrado como força maior.
A praticamente certa perda dos dois Grandes Prémios do Golfo deixaria um hiato de cerca de um mês no meio do campeonato, entre a ronda que antecede o Bahrein e a prova seguinte. Ao contrário de 2020, quando a F1 montou um calendário alternativo para cumprir compromissos televisivos e manter a sustentabilidade financeira, o entendimento atual é que a disciplina está hoje em posição mais sólida, podendo absorver a redução do número de corridas sem comprometer contratos principais – desde que, como sublinham equipas e pilotos, a segurança permaneça no topo da lista de prioridades.












