Skoda Fabia RS Rally2 e estatuto de campeão colocam micaelense um passo à frente
O Rali Capital do Queijo e das Fajãs, na ilha de São Jorge, inaugura uma nova temporada do Campeonato dos Açores de Ralis, e tudo aponta para que o nome a bater volte a ser o de Luís Miguel Rego. Atual campeão regional, o piloto micaelense inicia a defesa do título novamente ao volante de um Skoda Fabia RS Rally2, carro com o qual dominou em 2025 e com que parte, à partida, como único concorrente com um Rally2 com presença assídua ao longo de todo o ano.

O campeonato insular de 2026 integra nove provas – quatro em terra e cinco em asfalto – entre março e novembro, com apenas os sete melhores resultados a contar para as contas finais. O regulamento obriga cada concorrente a disputar pelo menos cinco ralis, com um mínimo de duas presenças em cada superfície, condição que poderá voltar a limitar o número de pilotos efetivamente classificados no final da época, num “Regional” em que tem sido rara a participação plena em ambos os pisos.
Para Rego e o navegador José Janela, o cenário é familiar: com um pacote competitivo e um calendário que favorece quem consegue garantir presença regular, a dupla depende sobretudo de si própria para fechar o campeonato cedo e apontar a um quinto cetro absoluto nos Açores.

Oposição pontual de Carlos Martins e José Paula
Apesar do favoritismo claro do campeão em título, o arranque em São Jorge promete alguma oposição. O algarvio Carlos Martins regressa ao arquipélago com o Ford Fiesta R5, apostando numa participação seletiva mas competitiva em pisos de terra. Já José Paula, piloto radicado na ilha do Pico, volta a alinhar com um Citroën C3 R5 e deverá marcar presença em todos os ralis de terra e em algumas provas de asfalto, embora o seu programa possa evoluir ao longo da época, inclusive com uma eventual troca de viatura.
Rui Borges, presença assídua em 2025 com viaturas N5, opta este ano por um programa centrado em provas no continente, o que retira um potencial adversário direto da equação regional logo à partida.
Duas rodas motrizes sem Botelho, mas com forte armada Rally4
Uma ausência de peso neste início de temporada é a de Rafael Botelho. O piloto de São Miguel, dominador das duas rodas motrizes e que chegou mesmo a liderar o campeonato absoluto em 2025, está nesta fase a ultimar, segundo se comenta, a aquisição de uma versão mais recente do Peugeot 208 Rally4 que utilizou nas últimas épocas. Bicampeão açoriano de 2RM, Botelho deixa um vazio no topo da categoria, mas o pelotão de tração dianteira apresenta‑se, ainda assim, bem composto.
Num ano assumidamente ambicioso, Pedro Câmara Jr. vai disputar o campeonato açoriano com um Opel Corsa Rally4, enquanto Fernando Soares mantém o Lancia Ypsilon Rally4 adquirido em 2025. Gustavo Silva, Ricardo Araújo e Paulo Matos alinhariam com Peugeot 208 Rally4, garantindo uma forte representação do modelo francês nas classificações de classe.
Para além das máquinas mais recentes, o campeonato dos Açores continuará a viver do espetáculo proporcionado por figuras habituais como João Faria, com o inseparável Peugeot 206 RC, Rui Torres ao volante de um sonoro Ford Escort Mk II e Carlos Melo com o pequeno Toyota Yaris. Em conjunto, compõem um pelotão em que o favoritismo de Luís Miguel Rego é indiscutível à partida, mas em que a diversidade de carros e perfis de pilotos promete manter o interesse elevado em cada ilha ao longo de toda a temporada.
Por João Freitas Faria












