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WRC, Rali da Suécia, PEC11: Elfyn Evans termina manhã com 16.1s de avanço

José Luis Abreu by José Luis Abreu
14 Fevereiro, 2026
in Destaque Homepage, Newsletter, Ralis, WRC
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Terminada que está a manhã do segundo dia do Rali da Suécia, a classificação é clara como os troços e o filme do rali fica cada vez mais nítido. Elfyn Evans (Toyota GR Yaris Rally1) começou o dia 2.8s atrás de Takamoto Katsuta (Toyota GR Yaris Rally1) e termina a manhã na frente do rali com 16.1s de avanço para o seu colega de equipa japonês. 12.9s mais atrás roda Sami Pajari (Toyota GR Yaris Rally1) agora um pouco mais longe da frente do que estava no final do dia de ontem.
Oliver Solberg (Toyota GR Yaris Rally1), depois dos problemas que teve na sexta-feira, e depois de terminar o dia a 51.0s do líder, mantém sensivelmente a mesma margem, mas já subiu de sexto para o quarto lugar.
Quatro Toyota separados por 53.0s, seguindo-se três Hyundai, o mais perto da frente, Esapekka Lappi (Hyundai i20 N Rally1) a 53.0s, Adrien Fourmaux (Hyundai i20 N Rally1) 9.3s mais atrás e Thierry Neuville (Hyundai i20 N Rally1) a mais de dois minutos.

O troço de Kolksele ofereceu um duelo intenso pela tabela de tempos, com Solberg a responder ao aviso de Sesks, Evans a gerir (e a aumentar) com autoridade a liderança do rali e Pajari a defender com inteligência o quarto lugar face ao ataque do sueco. Do lado dos Hyundai, Lappi destacou-se como o mais competitivo, enquanto Neuville e Fourmaux continuaram presos à subviragem e à falta de respostas imediatas.
O momento-chave, porém, foi a forma como Evans alargou a vantagem para Katsuta: numa especial rápida, nova e traiçoeira, o galês esteve imperial, enquanto o japonês voltou a queixar-se da falta de confiança e o equilíbrio da luta pelo rali inclinou-se mais um pouco para o lado do líder.

Filme da especial
Antes de os primeiros carros entrarem em Kolksele, já se sabia que a especial ia ser tudo menos banal. O troço, este ano em sentido inverso, começava nas curvas largas e lentas do circuito de motocrosse de Vännäs, antes de se atirar para uma estrada ampla e rapidíssima. Depois, três desvios entre os seis e os nove quilómetros quebravam o ritmo, obrigando a mudar de registo, para mais quatro quilómetros em alta velocidade e um final em estrada de largura média, técnica no início e cada vez mais rápida até à meta. Um cenário perfeito de rali nórdico: neve compacta, árvores a enquadrar o traçado e uma faixa branca a serpentear no meio da floresta.

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Martins Sesks, ainda com o brilho da vitória na classificativa anterior, é o primeiro dos protagonistas a deixar a sua marca. O Ford Puma da M-Sport rasga a entrada no circuito, dança com pequenas correções de volante e sai para a estrada larga a um ritmo que o letão reconhece não ter sido totalmente limpo. Fala de um troço “mais nevoso”, admite que podia ter sido mais rápido no início e que não foi tão preciso na zona rápida, descrevendo a superfície como “bastante escorregadia”. Mesmo assim, o tempo fica estabelecido como referência.

Atrás dele, Josh McErlean entra decidido, mas a realidade do cronómetro confirma a exigência do troço. O irlandês descreve a especial como “muito comprometida”, com uma aderência que muda sobretudo na parte final: parece boa, mas a camada solta no topo leva a alguns deslizes largos, daqueles que fazem o carro deslizar de lado entre as paredes de neve. Ainda assim, o piloto da M-Sport está apenas três segundos acima da marca de Sesks, sinal de que o ritmo está lá.

Jon Armstrong surge pouco depois e coloca o segundo Puma no topo da tabela provisória logo atrás do colega letão. Fica a 1,7 segundos do tempo de referência, mas sai do carro com um sorriso: fala de uma especial “incrível”, de uma velocidade absurda, daquelas em que o horizonte se estreita e os bancos de neve passam como um túnel branco. A sensação é de equilíbrio: tudo muito perto, tudo decidido em detalhes.

Quando Thierry Neuville chega, é a vez dos Hyundai medirem forças com o ritmo imposto pela M-Sport. O belga termina a PEC11 em sétimo da geral, praticamente colado ao melhor registo de Sesks, apenas duas décimas mais lento. Descreve um troço “bonito” e agradável de guiar, mas confessa que continua a lutar com a subviragem. O sentimento é o mesmo de antes: o carro resiste a virar como ele quer, a frente insiste em alargar e, embora se divirta ao volante, sabe que esse comportamento lhe está a custar tempo.

Depois é Oliver Solberg quem ‘explode’ na neve. O Toyota GR Yaris Rally1 entra nas zonas rápidas com aquela confiança típica do sueco, e o cronómetro não engana: faz uma passagem muito rápida e destrona a marca de Sesks por 5,9 segundos. Do lado de fora, vê-se o Yaris a flutuar entre os bancos de neve mais baixos, sem aquela rede de segurança de paredes altas. Solberg admite que é “difícil atacar a 100%” quando os ‘snowbanks’ não são altos, mas deixa clara a sua missão: “Sami Pajari é agora o alvo”. Sabe que é um tiro longo, mas promete fazer o melhor que puder para o apanhar.

Adrien Fourmaux, também em Hyundai, não encontra a mesma arma de ataque. Numa especial nova para todos, aproveita as boas condições e fala de um troço “muito agradável”, mas termina nove segundos atrás de Solberg e apenas com o sexto melhor tempo. Está focado em garantir boas sensações para os pontos de domingo, sente que não há muito mais que possa fazer e, apesar de satisfeito com a sua condução, reconhece que os segundos simplesmente não aparecem.

Em contraste, Esapekka Lappi assume o papel de melhor Hyundai. O finlandês termina apenas 4,1 segundos acima da referência de Solberg. A sua vantagem sobre Fourmaux cresce agora para 9,4 segundos na luta pelo quinto lugar à geral. Lappi quase se deixa contagiar pelo ambiente: diz que o rali é “realmente fantástico” e que as condições são ideais, uma forma de confirmar que, mesmo sem lutar pela vitória, está a saborear cada quilómetro. A pressão, porém, espreita mais à frente.

Sami Pajari entra na especial consciente de que tem Solberg a mirar o quarto posto. A sua passagem é forte, concentrada, e o tempo reflete isso: perde apenas 1,3 segundos para o sueco. O finlandês admite que não se surpreende por ser o alvo de Solberg e garante que fez “uma grande especial”. Lembra que ainda falta muito rali e confessa apenas uma pequena frustração: queria que os tempos estivessem “ao contrário” em relação ao nórdico que o persegue. Por agora, porém, mantém uma margem de 24 segundos sobre o sueco, um colchão ainda confortável mas que exige vigilância.

Depois é a vez de Elfyn Evans, o líder do rali, enfrentar Kolksele. O galês termina apenas nove décimas acima do registo de Solberg e sai do carro relativamente tranquilo: diz que a sensação é “bastante boa”, que em alguns pontos é preciso andar no limite, mas que, no geral, está tudo em ordem. Mais importante do que o tempo puro é o efeito na classificação: Evans reforça a sua liderança face a Katsuta.

Quando Takamoto Katsuta corta a meta, a diferença está à vista. O japonês perde mais 6,7 segundos para Solberg e o atraso para Evans sobe para 16,1 segundos na geral. A imagem é a de um piloto que parece sempre um passo atrás do carro: sai visivelmente desconfortável, fala de “perder imenso tempo” sem perceber completamente porquê, que não se sente bem dentro do Toyota e que “não há aderência”. Desabafa que precisa de perceber o que está errado e como melhorar para a tarde, mas, neste momento da manhã, a especial deixa-o com mais perguntas do que respostas.

FOTO @World

Tags: Rali da SuéciaWRC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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