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Fórmula 1, Shakedown de Barcelona: fiabilidade, quilometragem e adaptação à nova era

José Luis Abreu by José Luis Abreu
1 Fevereiro, 2026
in F1, FÓRMULA 1, Newsletter, Newsletter destaque
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MIAMI, FLORIDA - JANUARY 30: Antonio Felix da Costa of Portugal driving the (13) Jaguar TCS Racing Jaguar I-TYPE 7 on track during Practice, ahead of the Miami E-Prix, Round 3 of the 2026 FIA Formula E World Championship at Miami International Autodrome on January 30, 2026 in Miami, Florida. (Photo by Mark Sutton/LAT Images)


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Equipas privilegiam voltas e dados sobre tempos por volta

O primeiro grande teste da nova era de 2026 da Fórmula 1 no Circuito de Barcelona‑Catalunya foi marcado por um objetivo comum a praticamente todo o pelotão: maximizar quilometragem, validar sistemas e perceber o comportamento dos novos monolugares, mais do que procurar tempos de referência.

Em contraste com 2014, ano da anterior grande revolução técnica, a fiabilidade foi globalmente elevada, com equipas como Mercedes, Ferrari, Red Bull, McLaren, Audi, Racing Bulls e outras a completarem programas robustos, enquanto Williams optou por não rodar e preparar diretamente a estreia no Bahrein.
As alterações profundas ao chassis, incluindo aerodinâmica ativa, e aos grupos propulsores, agora com repartição quase igual entre potência elétrica e térmica, obrigaram as estruturas a centrar o trabalho na gestão de energia, na dirigibilidade e na integração de novas unidades motrizes e software.

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Mercedes: referência na quilometragem com o W17
A Mercedes saiu de Barcelona como a equipa com programa mais completo em termos de voltas e fiabilidade, acumulando cerca de 500 voltas e mais de 2300 quilómetros com o W17 ao longo de três dias de rodagem.
Kimi Antonelli e George Russell dividiram o trabalho, com múltiplas simulações de corrida e séries longas de voltas em condições variadas, permitindo validar sistemas, modos de energia e o comportamento da nova unidade híbrida. Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista, destacou que o W17 rodou “praticamente sem falhas”, que o nível de quilometragem ficou acima do previsto e que a prioridade foi confirmar a robustez do pacote e reunir o máximo de dados antes de qualquer foco sério em performance.

Ferrari: SF‑26 rápido, programa estável e sem dramas
A Ferrari utilizou os seus três dias de shakedown para combinar um volume de voltas elevado com sinais encorajadores de competitividade do SF‑26, que terminou a semana no topo das folhas de tempos em pelo menos uma das jornadas, com Lewis Hamilton a registar a melhor volta global. Entre chuva e piso seco, Hamilton e Charles Leclerc totalizaram cerca de 440 voltas, mais de 2000 quilómetros, num programa centrado na recolha de dados com pneus de diferentes compostos e na exploração da nova unidade motriz híbrida da Scuderia.
A equipa sublinhou repetidamente que não estava focada em performance absoluta, mas em verificar sistemas, fiabilidade e a resposta do carro a mudanças de afinação, construindo uma base sólida para os testes mais representativos no Bahrein.

Red Bull e Racing Bulls: estreia forte do motor próprio
A grande novidade técnica do shakedown foi a estreia em pista da unidade motriz desenvolvida internamente pela Red Bull Powertrains, em parceria com a Ford, utilizada tanto pela Red Bull como pela Racing Bulls. Max Verstappen e Isack Hadjar, do lado da equipa principal, e Liam Lawson e Arvid Lindblad, do lado da estrutura de Faenza, completaram um número de voltas considerado “muito saudável” para um programa de apenas duas equipas com motor totalmente novo. Verstappen classificou a semana como “um bom começo”, destacando o número de voltas alcançado com um motor ainda em desenvolvimento e a necessidade de continuar a trabalhar num regulamento que considerou “muito complexo”. Hadjar referiu‑se a um primeiro dia “surpreendentemente produtivo”, com mais quilometragem do que o esperado e apenas pequenos problemas, enquanto Tim Goss, responsável técnico da Racing Bulls, elogiou a dirigibilidade da unidade, que qualificou como “fantástica”. Claro que o forte acidente de Hadjar complicou a vida à Red Bull, que teve de esperar dois dias por novelas peças vindas de Milton Keynes, mas em termos globais a semana foi positiva.

McLaren: arranque atrasado, mas dia final consistente com o MCL40
A McLaren optou por não rodar nos primeiros dias, entrando em pista apenas a partir de quarta‑feira, o que reduziu o total de voltas face ao plano inicialmente traçado. Lando Norris estreou o MCL40 a meio da semana, com um primeiro dia de aprendizagem e aclimatação ao novo carro e às exigências acrescidas da gestão de energia, enquanto Oscar Piastri assumiu a condução nas sessões seguintes.
Pequenos problemas, incluindo uma questão no sistema de combustível, limitaram a quilometragem nos primeiros dois dias, com o diretor técnico Neil Houldey a descrevê‑los como “pequenas falhas” que, ainda assim, custaram tempo relevante em pista.
O último dia, no entanto, decorreu de forma fluida, com 162 voltas somadas entre Norris e Piastri e um volume total de rodagem que colocou a equipa num patamar intermédio do pelotão em termos de quilometragem.
Houldey salientou que o foco esteve na validação dos modos de reta e de curva, na afinação da implantação e recuperação de energia e na colaboração com a Mercedes‑Benz High Performance Powertrains para refinar o comportamento da unidade motriz, reforçando que os dados recolhidos serão decisivos para chegar ao Bahrein com um monolugar mais rápido e fiável.

Audi: primeiro programa completo com o R26 e foco na aprendizagem
A Audi Revolut F1 Team completou em Barcelona o seu primeiro programa completo de atividades oficiais em pista, com três dias de testes ao longo de cinco jornadas e um total superior a 140 voltas no último dia, num momento marcante para o novo projeto de fábrica. O R26 e a nova unidade de potência híbrida Audi foram o centro de um trabalho que, segundo Mattia Binotto, marcou “o início do percurso” da marca como construtora e fornecedora de motores, com uma forte carga simbólica quando o monolugar entrou em pista no primeiro dia.
Apesar de desafios técnicos normais numa estreia deste tipo, a equipa foi aumentando gradualmente a quilometragem, estabilizando o programa e recolhendo dados considerados fundamentais para as próximas fases de desenvolvimento. O diretor técnico James Key destacou que Barcelona representou um passo significativo no processo, com um primeiro programa completo de testes a permitir validar sistemas, compreender o comportamento do pacote chassis‑unidade motriz e criar uma base de fiabilidade e correlação para trabalhar em Hinwil e Neuburg antes do Bahrein.

Cadillac: projeto de raiz testa limites e acumula experiência
Entre os novos projetos, a Cadillac enfrentou o desafio adicional de montar praticamente uma equipa de raiz, com Sergio Pérez e Valtteri Bottas a liderarem a descoberta do novo monolugar e da nova unidade motriz.
Ambos os pilotos, regressados ao pelotão após períodos fora da grelha, acumularam quilometragem útil ao longo dos três dias, aproveitando o shakedown como fase de resolução de problemas, afinação de processos e validação de componentes. As sessões foram marcadas por algumas, para não dizer muitas, “areias na engrenagem” esperadas numa estrutura emergente, mas a leitura geral foi de progresso constante a cada saída, preparando terreno para um programa mais intenso no Bahrein.

Aston Martin: estreia ‘apertada’ do AMR26, mas simbólica
A Aston Martin chegou atrasada a Barcelona, com o AMR26 a viajar de avião e a ir para a pista apenas na parte final da semana, depois de um esforço logístico e técnico significativo na fábrica. Lance Stroll foi o primeiro a conduzir o monolugar na quinta‑feira, num curto período de rodagem destinado sobretudo a verificar sistemas, enquanto Fernando Alonso assumiu no dia seguinte para aumentar a quilometragem e tentar recuperar parte do atraso.
O shakedown teve ainda um peso simbólico extra para a equipa: tratou‑se da estreia do primeiro Aston Martin desenhado por Adrian Newey e do início oficial da parceria de fornecimento de unidades motrizes com a Honda, a par de uma nova caixa de velocidades e suspensão próprias, áreas anteriormente herdadas da Mercedes.
Apesar da pouca rodagem, o sentimento interno foi de otimismo moderado e de consciência de que a verdadeira leitura só chegará em contexto mais representativo no Bahrein.

Racing Bulls: fiabilidade sólida e integração com o motor Red Bull‑Ford
No universo da Visa Cash App RB, a semana de Barcelona foi encarada como um teste de fiabilidade e integração do novo conjunto técnico, mais do que como uma procura de tempos de referência. Liam Lawson e o estreante Arvid Lindblad partilharam o carro ao longo de três dias, sem paragens significativas por problemas técnicos, o que permitiu aos engenheiros focarem-se em afinação, gestão de energia e recolha de dados para o desenvolvimento subsequente. Lawson realçou que a equipa saiu de Barcelona “num lugar muito melhor” do que no primeiro dia, fruto da evolução passo a passo entre sessões, enquanto Lindblad descreveu o seu primeiro contacto prolongado com um F1 como “muito positivo”, elogiando a forma como a estrutura de Faenza e a Red Bull Powertrains trabalharam em conjunto na fiabilidade e dirigibilidade do pacote.

Haas e Alpine: programas robustos no “meio da tabela”
A Haas utilizou o shakedown ao máximo para validar o seu novo pacote técnico, com um programa robusto em termos de voltas e foco na fiabilidade. Esteban Ocon e o jovem Ollie Bearman repartiram as jornadas, com o francês a elogiar o esforço da equipa para ter o carro pronto logo na manhã do primeiro dia e a sublinhar a importância de um plano de trabalho intenso numa primeira saída com o carro de 2026. Bearman, penalizado por um problema técnico numa das manhãs, recuperou no último dia para completar mais que o dobro da quilometragem anterior em metade do tempo, descrevendo o salto em termos de compreensão do monolugar como “enorme” e valorizando a responsabilidade de liderar, com Ocon, o rumo de desenvolvimento desta nova geração.

Na Alpine, que entra em 2026 com unidades motrizes Mercedes, o foco esteve igualmente na quilometragem e na adaptação a um carro descrito como “muito diferente” pelos seus pilotos. Franco Colapinto realçou a importância de, pela primeira vez, poder cumprir uma pré‑temporada completa, sublinhando o ganho de confiança que isso traz antes do Bahrein, enquanto Pierre Gasly falou num “bom começo”, com muitas voltas e a necessidade de redefinir referências de condução perante um pacote totalmente novo, encarado, contudo, com entusiasmo.

Williams: ausente em Barcelona, tudo apontado ao Bahrein
A Williams foi a única equipa a não participar no Barcelona Shakedown, decisão tomada devido a atrasos de produção que levaram a estrutura a privilegiar a conclusão do novo carro e a realização de um Virtual Track Test.
O diretor James Vowles mostrou‑se confiante de que a opção não colocará a equipa em desvantagem irrecuperável, explicando que o monolugar passou os crash‑tests obrigatórios e que a formação de Grove terá um dia de filmagens antes dos seis dias de rodagem previstos no Bahrein, onde, como todas as outras, começará a virar atenções da fiabilidade para a performance.

Próxima fase: Bahrein vai começar a revelar a hierarquia
Com o shakedown de Barcelona concluído e uma leitura geral positiva da fiabilidade e da integração técnica dos novos regulamentos, o pelotão regressa agora às fábricas para analisar dados, afinar simulações e preparar os dois blocos de testes no Bahrein, ambos com transmissão televisiva parcial ou total. Em Sakhir, com temperaturas mais representativas e programas mais agressivos em termos de performance, começarão a surgir indicações mais claras sobre a hierarquia de 2026, embora as equipas e analistas alertem que o verdadeiro retrato competitivo só será conhecido quando a temporada arrancar de forma oficial.

Tags: Fórmula 1shakedwon Barcelona
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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