A Fórmula 1 prepara-se para uma das maiores mudanças da sua história moderna. Em 2026, os monolugares vão sofrer uma transformação profunda, quer o nível chassis, que ao nível das unidades motrizes. Muito se tem falado das preocupações sobre a velocidade dos carros e os tempos por volta. James Allison lançou mais alguma luz sobre as novidades do próximo ano.
As primeiras imagens digitais divulgadas pela FIA mostram carros mais curtos, estreitos e compactos, com linhas aerodinâmicas simplificadas. O novo regulamento elimina elementos como o beam wing e os canais Venturi, apostando num design que recorda a era pré-efeito solo, ainda que atualizado com soluções modernas.
James Allison, diretor técnico da Mercedes, citado pelo Auto Motor und Sport, que os fundos dos carros terão agora uma elevação central, reduzindo a capacidade de selar essa zona e, por consequência, o reduzindo o efeito Venturi. Isso traduz-se em menos carga aerodinâmica. A juntar isso aos pneus mais estreitos, teremos menor aderência em curva e, por conseguinte, tempos por volta menos rápidos. Ainda assim, a janela de funcionamento aerodinâmico será mais ampla, permitindo carros mais consistentes em diferentes condições de pista.

Potência híbrida acima dos 1.000 cv
Se a aerodinâmica perde peso, a motorização ganha um novo protagonismo. As novas unidades híbridas vão superar os 1.000 cv: cerca de 575 provenientes do motor de combustão e até 475 da bateria. O binário deverá ser inédito, levando pilotos a compararem a aceleração com a de um foguete. Ao nível da aceleração, os carros de 2026 serão mais fortes que os atuais.
Com a introdução da aerodinâmica ativa, que reduz o arrasto em linha reta, prevê-se que os monolugares atinjam velocidades próximas dos 400 km/h, segundo Toto Wolff, também citado pela publicação alemã.
Pilotos com mais controlo
Outra mudança relevante será o papel acrescido dos pilotos na gestão energética. Ao contrário do sistema atual, maioritariamente automático, em 2026 caberá ao piloto decidir quando utilizar a potência elétrica e como regenerar energia. Será uma exigência completamente diferente da atual, como explicou Alex Albon.

Reações divididas
As primeiras simulações geraram opiniões distintas no paddock. Charles Leclerc afirmou que os carros não parecem particularmente divertidos de pilotar, enquanto Max Verstappen preferiu sublinhar que ainda é cedo para conclusões. Os pilotos da Aston Martin também não ficaram impressionados. Já Toto Wolff e Stefano Domenicali rejeitam críticas antecipadas, defendendo que tudo se resumirá a uma adaptação natural ao novo estilo de condução. James Vowles recusou entrar em pânico com uma regulamentação que ainda pode ser trabalhada e afinada.
Regulamento em evolução
A FIA continua a afinar as regras, com revisões mensais para evitar desequilíbrios ou abusos técnicos. Essa instabilidade tem gerado alguma frustração nas equipas, que se veem obrigadas a rever projetos já testados em túnel de vento.
O certo é que a Fórmula 1 de 2026 marcará uma verdadeira rutura: menos apoio aerodinâmico, mais potência híbrida, velocidades recorde e um papel renovado para os pilotos.








