Lewis Hamilton enfrentou um fim de semana agridoce no Grande Prémio da Bélgica com um Ferrari em que os upgrades parecem ter resultado, mas que várias coisas correram mal de início.
Apesar dos contratempos iniciais, incluindo um despiste e uma eliminação precoce na qualificação, o piloto britânico demonstrou resiliência e um ritmo promissor na corrida principal, culminando num sétimo lugar e no prémio de Piloto do Dia, indicando que as novas especificações e a sua adaptação ao monolugar estão a evoluir.
O fim de semana de Hamilton começou com um despiste na qualificação para a Sprint (SQ1) na sexta-feira, seguido por um 13.º lugar na corrida Sprint de sábado e uma eliminação na Q1 da qualificação para o Grande Prémio, devido à anulação de uma volta por exceder os limites de pista.
A equipa decidiu que Hamilton partiria das boxes para a corrida principal, o que permitiu uma mudança estratégica para uma asa traseira de maior carga aerodinâmica, antecipando a chuva. Esta decisão revelou-se crucial, pois Hamilton conseguiu recuperar até ao sétimo lugar na corrida de domingo, sendo ainda eleito Piloto do Dia – um resultado notável considerando as dificuldades iniciais.
Desafios com as novas atualizações
Os problemas iniciais de Hamilton foram, em parte, atribuídos a novas especificações de travões, desenvolvidas em parceria com a Brembo, que o piloto testava pela primeira vez num fim de semana de Grande Prémio. A combinação destes novos sistema de travagem, que visa proporcionar uma sensação de pedal mais responsiva, com a ‘travagem’ de motor extensiva da Ferrari, surpreendeu Hamilton. Contudo, antes do despiste na SQ1, Hamilton estava a caminho de registar uma volta mais rápida que o seu colega de equipa, Charles Leclerc, o que sugere o potencial das atualizações.
A volta anulada na Q1 foi uma admissão de erro por parte de Hamilton, que aceitou a responsabilidade, reconhecendo a “performance muito fraca” da sua parte.
A recuperação na corrida de domingo
No entanto, o domingo trouxe uma reviravolta. Partindo das boxes e da 18.ª posição, Hamilton demonstrou um bom ritmo. Nas primeiras voltas, ainda com pneus intermédios, ultrapassou vários adversários rapidamente, incluindo Carlos Sainz, Lance Stroll e Pierre Gasly. A decisão de ser o primeiro a parar para montar pneus de seco na volta 11 foi perfeita, permitindo-lhe um “undercut” que o catapultou para a sétima posição.
Embora a configuração de asa traseira de alta carga aerodinâmica, escolhida para a aguardada chuva, o tenha limitado em velocidade de ponta em pista seca, impedindo-o de ultrapassar o Williams de Alex Albon, a recuperação de 11 posições em 13 voltas foi um testemunho da sua capacidade e da melhoria do carro.
Hamilton admitiu que foi um fim de semana para “esquecer” em termos de resultados imediatos, mas salientou a aprendizagem e a confiança adquiridas para o futuro. As melhorias notadas no carro entre sábado e domingo, após ajustes noturnos com a equipa e o seu novo engenheiro de dados, deixam-no confiante para as próximas corridas.
A capacidade de uma equipa de Fórmula 1 em reagir e adaptar-se a condições adversas, como as vividas em Spa, é um fator determinante para o sucesso. A decisão estratégica de alterar a asa traseira de Hamilton, mesmo implicando uma partida das boxes, demonstra a flexibilidade e o pensamento tático da Ferrari. Esta abordagem permitiu a Hamilton maximizar o seu desempenho, mesmo que as condições meteorológicas não se tenham alinhado totalmente com a estratégia inicial.
FOTO Phillippe Nanchino/MPSA









