Quem acompanhou de perto o escândalo de Christian Horner e da Red Bull em fevereiro de 2024, quando o então chefe de equipa da Red Bull foi acusado de “comportamento inaceitável” por uma funcionária da Red Bull Racing, percebeu que a situação nunca foi totalmente resolvida.
Realizou-se um inquérito, chegaram-se a conclusões e Christian Horner manteve o cargo, mas a dinâmica na equipa nunca mais foi a mesma. Todos os principais nomes da nova direção da Red Bull, após a morte de Dietrich Mateschitz, a começar por Oliver Mintzlaff, Diretor Executivo de Projetos Empresariais e Novos Investimentos da Red Bull GmbH, viram esta questão agravar, ainda mais, as tensões dentro do grupo da empresa de bebidas energéticas.
Recorde-se que este caso ocorreu numa altura em que a Red Bull Racing vinha de três campeonatos mundiais de Fórmula 1 conquistados sem problemas, mas em 2024 iniciou-se um declínio, atenuado apenas pelo título de pilotos de Verstappen.
Nos bastidores, formaram-se fações opostas: Horner, os Verstappen e Marko. Apesar de terem tentado resolver os problemas para o bem da equipa, o declínio competitivo expôs ainda mais Christian Horner, e a administração da Red Bull decidiu agora aproveitar a oportunidade.
É fácil perceber o motivo, basta analisar os problemas que Horner enfrenta: a queda de desempenho da equipa em 2024/2025 é evidente, as divisões internas (com Jos Verstappen e Helmut Marko) são antigas, e a saída de figuras importantes como Adrian Newey e Jonathan Wheatley não foi coincidência (recordem-se as declarações da esposa de Newey a dizer “Agora tens a tua oportunidade de te arrependeres, Adrian”, referindo-se à recusa em ir para a Ferrari).
A cereja no topo do bolo é a situação competitiva da equipa e a incerteza em relação ao futuro de Max Verstappen, que tem sido o principal motor das vitórias da Red Bull. Basta observar o que acontece com o segundo carro há anos e ver as diferenças. Portanto, é quase certo que este tenha sido o fator decisivo para a saída de Horner.
Os problemas não são recentes, existem há cerca de três anos, e muitos na equipa não aprovam a forma como Horner centralizou o poder e escolheu pessoas da sua confiança para certos cargos. Juntamente com Horner, saíram também o diretor de marketing e comercial do grupo, Oliver Hughes, e o diretor de comunicações do grupo, Paul Smith. Não foi por acaso.
A paciência de Oliver Mintzlaff esgotou-se com as dificuldades na escolha e gestão de pilotos. Veja-se o caso de Sergio Pérez, cujo contrato foi prolongado e, poucos meses depois, foi despedido e substituído por Liam Lawson, que teve uma passagem curta. Agora, Yuki Tsunoda parece ser o mais recente fracasso. No meio disto, lemos várias declarações de Jos Verstappen a afirmar que a equipa podia colapsar sob a liderança de Horner.
As crises têm sido constantes e, como acontece frequentemente no futebol, a administração optou agora por uma mudança na estrutura, mas não há garantias de que isso resolva alguma coisa.
Se a saída de Christian Horner trará melhorias, só o tempo dirá…
FOTO MPSA/Phillippe Nanchino











