A beleza e o problema dos testes é que se podem tirar conclusões precipitadas sem uma análise mais detalhada dos dados. Foi o que aconteceu ontem com a McLaren.
Durante os testes no Bahrein, a McLaren pareceu ter uma vantagem significativa sobre a Ferrari na gestão dos pneus, particularmente na simulação de corrida. Lando Norris e Charles Leclerc estiveram em pista em alturas semelhantes, mas o McLaren de Norris pareceu gerir muito melhor os seus pneus em comparação com o Ferrari de Leclerc, que teve dificuldades no final da sua sessão. Olhando para os dados, McLaren teria uma vantagem de 30 segundos ao final das 57 voltas feitas na simulação de corrida.
No entanto, há fatores que deitam por terra a teoria que a McLaren tem uma grande vantagem, especialmente sobre a Ferrari. Um dos fatores chave são os compostos de pneus utilizados – Leclerc estava com o C1, que muitos pilotos consideraram difícil de gerir, enquanto Norris estava com o C2, um composto duro mais favorável. Este ano, a Pirelli aproximou o C2 ao C3 em termos de desempenho, criando uma maior diferença de desempenho entre o C1 e o C2. O C2 tornou-se num pneus mais capaz, permitindo flexibilidade estratégica, face ao C1. Isso pode ter contribuído para o bom desempenho da McLaren em comparação com a Ferrari. Além disso, Lando Norris, no final do seu stint, estava 10km/h mais rápido no final da reta da meta, em comparação a Leclerc. A McLaren terá trocado o mapa da sua unidade motriz para uma configuração de maior potência.
Assim, a vantagem que a McLaren mostrou, apenas olhando para os tempos, talvez não seja assim tão grande quanto se pensava inicialmente.
Foto: Philippe Nanchino /MPSA










