Fernando Alonso, 43 anos, 401 GP. Já sem nada para prova, aguentou as dores numa corrida dura, pelos seus mecânicos e pelas pessoas de Valência que sofrem, num gesto simbólico de solidariedade. Numa corrida onde o seu maior feito passou completamente despercebido.
Fernando Alonso enfrentou um Grande Prémio de São Paulo extenuante, lutando contra intensas dores nas costas e problemas mecânicos com o seu Aston Martin. Apesar do desconforto causado pela pista áspera de Interlagos que exagerou os ressaltos e dos problemas com os travões que causaram graves alterações no equilíbrio traseiro, Alonso estava determinado a terminar a corrida por respeito aos seus mecânicos, que trabalharam incansavelmente para reparar o seu carro após um acidente na qualificação.
“Vou terminar a corrida pelos mecânicos”, disse Alonso ao seu engenheiro de corrida através do rádio da equipa durante a corrida. “Eles fizeram um trabalho muito bom hoje. Mas as minhas costas estão a doer. Estes ressaltos não são normais.”
O empenho de Alonso resultou de uma semana difícil, que incluiu um regresso à Europa após o GP do México para recuperar de uma infeção intestinal, chegando ao Brasil à última hora. Ele reconheceu que, embora a dor física tenha sido um desafio, a sua perseverança também foi motivada pelos recentes acontecimentos trágicos em Espanha, que colocaram a sua luta em perspetiva.
Refletindo sobre as suas dificuldades, Alonso descreveu a corrida como “um pesadelo” e enfatizou a necessidade de melhorias antes das corridas restantes da temporada.
“Tivemos muitos ressaltos na segunda metade da corrida”, disse ele. “Não sei porquê, mas foi uma corrida difícil. Ficámos fora dos pontos. Penso que, em quaisquer outras circunstâncias, provavelmente teria parado. Mas os mecânicos fizeram um trabalho incrível antes da corrida para colocar o carro pronto na grelha, por isso tive de a terminar por eles. Foi doloroso, com certeza”, admitiu. “A preparação para esta corrida foi muito intensa da minha parte, muitos exames, muito trabalho, muito fisioterapeuta e médicos para chegar aqui ao Brasil. Portanto, foi um grande esforço de toda a gente: o mesmo esforço que os mecânicos fizeram hoje.”
“Não estava confortável no carro”, disse ele. “Mas há pessoas piores do que eu, também em Valência, temos estas imagens terríveis. E pessoas a lutar. Por isso, tive de lutar algumas voltas por toda a gente. Acho que o Lance teve um problema de travões na volta de formação e eu tive um problema de travões depois de todas as partidas, em que todo o equilíbrio dos travões foi completamente para trás”, disse. “Foi como travar com um travão de mão. Em suma, foi um pesadelo. Precisamos de melhorar para as próximas três corridas.”
Apesar das dores, apesar do desconforto e apesar de regressar de ter recuperado recentemente de uma indisposição, Alonso, que caiu para a cauda do pelotão e ficou a 20 segundos do penúltimo, conseguiu recuperar e ultrapassar Zhou Guanyu. Alonso é, de facto, especial também por isto.











