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Rally de Lisboa: Armindo Araújo fez a festa, num rali que voltou a mostrar muito potencial

José Luis Abreu by José Luis Abreu
18 Junho, 2023
in Destaque Homepage, Newsletter, Ralis
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Rally de Lisboa: Armindo Araújo fez a festa, num rali que voltou a mostrar muito potencial

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Caiu o pano sobre a terceira edição do Rali de Lisboa, um evento que este ano se mudou para Belém, e que continua a afigurar-se com um candidato muito forte ao Campeonato de Portugal de Ralis. Há uns anos, em conversa com Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal, nos dizia não compreender como uma prova do Campeonato ‘nacional’ de ralis pode deixar Lisboa e Porto de fora? O Porto até se pode ligar ao Rali de Portugal, porque Matosinhos e Porto não difere muito, mas Lisboa, a zona do país com mais espectadores, não tem há três décadas, uma prova do campeonato principal de ralis no calendário.
Nessa altura, tinha duas, as Camélias, Sintra é logo ali ao lado e a Volta Galp, que partia dos jardins da Praça do Império, Mosteiro dos Jerónimos, e ligava ‘meio’ Portugal. Tudo isso acabou, o tempo passou e o CPR teve este ano o Rally de Lisboa como prova candidata.
A prova foi, logicamente, observada, e foram vários os pilotos que nos disseram ter gostado do evento, que tem coisas a corrigir – a tecla da promoção da prova foi a mais batida – e por isso no fim do ano a federação vai ter uma decisão para tomar. Há quem nos diga, também, que não faz qualquer sentido deixar Lisboa fora do calendário do CPR. Mesmo admitindo que há arestas para limar.
Quanto ao troços, foram do agrado geral, uns melhores do que outros, as opiniões também não foram todas no mesmo sentido, mas houve uma coisa comum: pisos muito escorregadios, porque quase todos os troços tinham níveis de aderência distintos e isso traz sempre algo de diferente à prova.
Não há outra de asfalto em Portugal que tenha tanta diversidade de asfalto como esta, embora, como já referimos, há troços, ou zonas de troços que não são tanto do agrado de alguns pilotos.
Público também não faltou, como se esperava, na estrada, mas a mudança do parque de assistência para Pedrouços, levou a que não estivesse lá muita gente, o que já sucedeu mais na zona do Padrão dos Descobrimentos, embora não tanta quanto se poderia esperar.
Claro que com os turistas que por ali andam, haveria sempre gente, mas tive casos de pessoas no Parque de Assistência a perguntar-me onde é que era o pódio. Conclusão: falta de divulgação fora dos meios habituais. O pódio final não teve, nem de perto, tanta gente quanto deixa crer uma zona das mais ‘concorridas’ da cidade para passeios. Querem apostar que, dentro de uma semana, quase não dá para as pessoas se mexerem ali na zona com o Red Bull Show Run?

Grandes lutas
Em termos desportivos o rali teve muita luta, e até ao último troço as quatro primeiras posições estavam todas por definir, e isso é mesmo o melhor que se pode ‘pedir’ a um rali, que se resolva apenas no derradeiro troço.
Foi o que aconteceu.
Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia RS Rally2) e José Pedro Fontes/João Câmara (Citroen C3 Rally2) andaram na luta do primeiro ao último troço, houve avanços e recuos dos dois lado e um pião de Fontes no primeiro troço de hoje, domingo, dia decisivo, converteu uma diferença de 1.8s em 8.5s e isso tornou bem mais difícil a alteração na classificação Fontes ainda atacou ao passo de entrar para a derradeira especial do rali a 3.8s de Armindo Araújo, mas já não foi a tempo de virar as contas a seu favor.
Também a luta pelo pódio foi fantástica, com Ricardo Teodósio/José Teixeira (Hyundai I20 Rally2) a passarem para a frente, colocando-se no terceiro lugar, apenas na penúltima especial, com Rui Madeira/Mário Castro (Citroen C3 Rally2) a entrar para o último troço a 1.1s de Teodósio. Madeira ganhou 0.9s na última especial e ficou a 0.2s do terceiro lugar, uma prestação notável do Campeão do Mundo de Produção de 1995, quase há trinta anos, e ainda luta por pódios com os melhores pilotos do CPR. Notável.
Armindo Araújo estava muito contente, pois esta prova foi feita com um carro totalmente diferente do anterior, que teve de aprender, e conseguiu juntar a isso a vitória na prova. Ou seja, está muito contente porque tem ainda margem para fazer melhor, porque acabou por ser um rali de descoberta de um carro completamente novo para si. José Pedro Fontes deixou claro que têm de contar com ele nas provas de asfalto que faltam no CPR, e Ricardo teodósio entrou no rali com afinações demasiado ‘arriscadas’, que não funcionaram e por isso, quando reagiu, mudando as afinações, já estava quase a 30 segundos da frente, ficando por isso desde logo afastado das lutas à frente.
Já Miguel Correia/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Rally2 evo), entraram mal na prova, perderam tempo demais num curto primeiro troço e ao tentar recuperar, fizeram um pião no segundo, perderam mais de 30s e com isso ficaram a 39.5s da frente, com apenas dois troços decorridos, o que condicionou logo o resultado. Depois disso, foi ganhar ritmo e trabalhar para Castelo Branco, pois aí sim, os pontos são a contar para o que verdadeiramente lhe interessa, o Campeonato de Portugal de ralis, que, lembramos, lidera. Terminaram em quinto, mas cientes que se tudo estiver normal, pode dar luta aos melhores do CPR no asfalto. Porque na terra ele também já é dos melhores.
A dupla açoriana Rúben Rodrigues/Estevão Rodrigues (Skoda Fabia Rally2 Evo) veio ao continente fazer uma prova diferente de tudo o que já tinham feito e fizeram um rali em crescendo, numa realidade que para si era totalmente desconhecida, ficando claro que caso viessem para o CPR, iriam melhorar muito rapidamente, pois rapidez ao volante do Skoda não lhes falta, o que falta e toda a experiência e conhecimento de outras estradas, e contextos. Querem imaginar do que se queixou mais Rúben Rodrigues? do calor…
Daniel Berdomas/Brais Miron (Toyota GR Yaris RZ) venceram a Toyota Gazoo Iberican Cup, bateram Sergi Francoli/Javier Moreno (Toyota GR Yaris RZ) por 17.3s, numa prova em que os quatro primeiros classificados foram todos espanhóis.
Paulo Neto/Carlos Magalhães (Skoda Fabia Rally2 Evo) entraram para o último troço no nono lugar da geral, mas bateram e abandonaram. Um azar, depois de uma prova regular, ao seu ritmo.
Alberto Monarri/David Jésus (Toyota GR Yaris RZ) fechou o top 10 à geral, seguindo-se Javier Villa/Velasco Alonso (Toyota GR Yaris RZ).
André Cabeças/Diogo Costa (Mitsubishi Mirage Evo) foram 12º e tiveram uma prova sem sobressaltos, num rali com troços difíceis.
Miguel Campos/Marco Macedo(Toyota GR Yaris RZ) foram 13º quintos entre os Toyota, e terminaram na frente duma das sensações da prova: João Rodrigues/Manuel Santos (Peugeot 106) foram os melhores nas duas rodas motrizes, batendo com grande clareza os campeões de Portugal de 2RM, Ernesto Cunha/Rui Raimundo (Peugeot 208 Rally4), que ficaram mais de quarenta segundos mais atrás. Claro que são carros diferentes, mas a exibição de João Rodrigues é notável. Pelo meio ficaram os açorianos Henrique Moniz/Jorge Diniz (Renault Clio Rally4), segundos das 2RM.
53 concorrentes terminaram o rali, muitos deles não os vemos no CPR, mas que neste Rally de Lisboa têm aparecido, o que deixa claro que há para aí muito bom carro e pilotos que só conseguem tirar os carros das garagens de vez em quando, mas que valorizam muito o espetáculo.
Há muitos exemplos.
Diogo Mil-Homens/Pedro Oliveira e o seu Toyota Starlet, enchem os troços, Daniel Amaral saltou para o banco da esquerda, num Toyota GR Yaris RZ, gostou, e quer fazer mais ralis
Rui Borges/Nelson Dinis e o interessante Citroen C3 N5
Foi pena Gonçalo Boaventura/Rodrigo Silva (Peugeot 106 Rallye S2) desistirem tão cedo com um apoio da caixa de velocidades partido, e até mesmo Paulo Fiúza/Nuno Batalha, sempre a dar gás com o Peugeot 309 GTi 16v, acabando por desistir já perto do fim.
Por fim, Bruno Sá/Ricardo Batista (Citroen Saxo VTS) saíram de estrada, tiveram que passar pelo hospital, mas nada de grave, foi mais o susto. Rápida recuperação, quanto mais não seja, do susto.
Vamos ver agora o que acontece, sendo certo que o evento do CPKA tem muitas arestas para limar, pormenores aqui e ali, a promoção tem de ser bem melhor, como disseram vários pilotos, mas a verdade é que o potencial para ser uma grande prova de ralis em Portugal está lá todo.

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