Depois do que se viu hoje na corrida do Bahrein a Ferrari e a Mercedes só podem estar fortemente preocupados com o que testemunharam, mas eu acrescentaria mais: arriscamo-nos todos a ter uma época bem pior em termos de incerteza com os resultados e emoção nas corridas de F1 do que tivemos em 2016 quando a Mercedes venceu 19 de 21 corridas desse ano. Seria um enorme passo atrás no interesse da F1, do qual a Red Bull não teria culpa nenhuma, por fazer simplesmente bem o seu trabalho. Obviamente, como jornalista, quanto mais emoção melhor. Exatamente o mesmo para os adeptos…
No ano passado vimos uma Ferrari com um carro que não era pior do que o Red Bull, e uma Mercedes que errou no conceito (depois de ganhar tantas vezes, também podem falhar de vez em quando), mas com uma Red Bull muito forte a partir da segunda corrida do ano, a Ferrari cometeu demasiados erros, atrasou-se e já não conseguiu dar a volta ao texto.
Este ano, é preocupante a diferença com que a Red Bull começa o ano, ao ponto de ter um carro tão bom, muito melhor que os adversários, que se deram ao luxo de usar muito mais que os adversários os pneus mais macios nesta corrida, sem se preocuparem com o desgaste destes, enquanto os adversários tiveram que rodar muito mais tempo com pneus de composto mais duro, pois têm carros que ‘comem’ pneu muito mais depressa.
As diferenças entre a Red Bull e a Ferrari e Mercedes são tão grandes que os homens da Red Bull nas suas declarações dizem que neste pista correu bem, nas outras vamos ver, mesmo só por descargo de consciência, porque estão a perceber que estão tanto na frente que se arriscam a ter uma época de passeio no parque.
Podemos claramente ter uma época de enorme vantagem da Red Bull. O ano passado víamos os Ferrari a ficaram mais ou menos facilmente na frente de Sergio Pérez, hoje, nem por isso, foi precisamente o contrário, o ‘mexicano’ passou Carlos Sainz com uma facilidade incrível.
É óbvio que estamos ainda no começo e as coisas podem mudar, mas não é nada disso que parece. Comparar a época de 2021, com o que tivemos o ano passado, e com o que nos arriscamos de ter este ano, é noite e dia.
Se a Mercedes chegou a 2014 como clara dominadora, 2022 pode ter sido a mesma coisa para a Red Bull e foi o conceito que mudou e não o motor. O que significa que a Red Bull percebeu muito melhor o que tinha de fazer do que a Ferrari e a Mercedes, ressalvando que os problemas da Scuderia foram muito mais tudo o resto do que a qualidade do carro.
Quando Max Verstappen avisa que o seu carro é 100% melhor do que no ano passado “Houston, we have a problem…”. de todos os restantes pontos de vista, menos o da Red Bull, claro…
A única coisa positiva neste momento é que ainda é cedo para atirar foguetes.
Pode ser que não seja assim, estamos a ser pessimistas…
E se for? Podemos passar já para 2024? É que faltam 22 corridas…
É que convém não esquecer que todos os outros vão agora fechar-se na fábrica a trabalhar para recuperar, mas a Red Bull não vai de férias para as Bahamas…
É óbvio que a Ferrari e a Mercedes, estando atrás, mais facilmente recuperam o atraso do que a Red Bull se distancia mais, isso é lógico, nesta modalidade é mais fácil recuperar quando se está mais atrás do que esticar ainda mais a margem competitiva, isso todos sabemos, mas também não me admirava nada que esta margem que se viu agora se mantenha. Vamos ver qual é a importância dos 7% por cento de túnel de vento a menos vão significar como castigo de terem ultrapassado o teto orçamental…
Sinceramente, não desejo mal nenhum à Red Bull, mas gostava mesmo que os senhores da Ferrari e Red Bull se mostrassem bem mais inspirados do que os de Milton Keynes nos próximos tempos. Ou mesmo a Aston Martin e Fernando Alonso continuarem na senda em que começaram o ano, porque esperar alguma coisa da Alpine e McLaren é mesmo pouco provável. É que dava mesmo jeito que as restantes 22 corridas fossem a antítese desta em termos de emoção lá na frente. É que Max Verstappen corre o sério risco de adormecer ao volante…











