Chegou ao fim o último dia de testes no Bahrein. As equipas terminaram a preparação para a época 2023 e agora é olhar para os dados recolhidos e começar a trabalhar no que pode ser melhorado para a primeira corrida do ano, daqui por uma semana.
Para a maioria das equipas a sessão da manhã decorreu com a tranquilidade necessária para realizarem os seus programas, mas McLaren e Alfa Romeo perderam tempo em pista durante a manhã. A McLaren voltou a ter problemas com os apêndices aerodinâmicos superiores que cobrem as rodas, que voltaram a mostrar sinais de fraqueza, e para resolver esta questão o carro da equipa permaneceu muito tempo dentro da garagem tirando tempo de pista a Oscar Piastri, que só regressou à pista perto do final da sessão. Más notícias também para a Alfa Romeo que perdeu mais de uma hora de teste no último dia disponível no Bahrein depois de o Alfa Romeo C43 de Valtteri Bottas ter ficado em pista com problemas de caixa de velocidades. Veremos o que acontece de tarde com o carro suíço.
A sessão começou com uma breve bandeira vermelha, devido a um pedaço de fibra de carbono que se soltou do carro de Sergio Pérez. Foi apenas o tempo necessário para um comissário ir para a pista e recolher os destroços. A sessão recomeçou imediatamente e as equipas começaram a acumular voltas. A meio da primeira hora, um dos motivos de destaque foi o pião de Oscar Piastri na curva dez. Alguns minutos mais tarde, George Russell usou os pneus C4 (mais macios) pela primeira vez e fez o melhor tempo da sessão, aproximando-se do melhor tempo do teste (1:31.610s, feito por Zhou Guanyu). Pouco depois, Russell assinou a melhor volta do teste, com os pneus C5 (os mais macios da Pirelli).da
A segunda hora de testes foi mais movimentada. George Russell e Charles Leclerc trataram de animar a ação em pista, com os dois a fazer algumas voltas com pneus mais macios em busca de mais performance. Russell começou a hora a fazer algumas voltas rápidas, com Leclerc a juntar-se à festa pouco depois. O piloto da Ferrari saiu por cima e aproximou-se do segundo trinta, com o pneu C4. De resto, as equipas cumpriam com os seus programas sem grandes problemas, exceção à McLaren.
Felipe Drugovich fez mexer a tabela de tempos durante a terceira hora da sessão no Bahrein, utilizando os pneus C5 para primeiro ascender ao quarto posto e na volta seguinte ao terceiro, com o tempo de 1:32.075s e ficando a 1.051s do registo de Charles Leclerc.
No resto da sessão, já sem Valtteri Bottas em pista, as equipas continuaram a realizar programas de simulação de condições de corrida, com apenas alguns pilotos a melhorarem os seus registos, mas sem alterarem a tabela de tempos.
A sessão da tarde foi marcada pelas simulações de corrida. Em que as equipas começaram a preparar a corrida do próximo fim de semana. A meio da tarde, Carlos Sainz tentou fazer melhor que o seu colega de equipa, Charles Leclerc, que liderava a tabela de tempos, mas ficou 12 centésimos do registo do monegasco, depois de várias tentativas. Mas perto do final da terceira hora, Lewis Hamilton foi o primeiro a entrar no segundo 30, tornando-se no piloto mais rápido do teste até agora. No entanto, Sergio Pérez tratou de tirar 0.048 seg. ao tempo de Hamilton, sentando-se no primeiro lugar da tabela de tempos. Pérez ainda tirou mais alguns centésimos ao tempo feito e encerrava definitivamente a discussão do melhor tempo do teste. As equipas continuaram com stints médios e longos e nos minutos finais da sessão a direção de corrida testou os sistemas de VSC, bandeiras vermelhas e arranque de corrida.
O que concluir destes testes?
Nunca iremos saber ao certo o que as equipas mostraram, ou esconderam ao longo destes três dias. No entanto, há tendências que se tornaram claras ao longo dos três dias de testes. A Red Bull aparece neste arranque de época como clara favorita. Foram constantemente os mais fortes e os dados indicam que encontraram mais apoio aerodinâmico e com mais consistência, pelo que o RB19 nasceu bem. Max Verstappen disse que este carro é um passo em frente em relação ao do ano passado, o que pode assustar a concorrência. Mas os primeiros dados mostram a Red Bull claramente na frente. A Ferrari parece ser candidata ao segundo lugar. Apostaram numa configuração com menos arrasto, o que dá vantagem nas retas, mas o apoio aerodinâmico nas curvas não é o melhor, o que prejudica especialmente a degradação dos pneus, um problema que vem do ano passado e pelos vistos continua. A Ferrari começa este ano com menos ímpeto relativamente a 2022, mas parece ter uma base boa o suficiente para poder crescer e aproximar-se da Red Bull.
O terceiro lugar está entregue à Mercedes, que não deu um passo tão grande quanto o esperado. O novo W14 ainda não é uma máquina que permita a Hamilton e Russell lutarem por vitórias em condições normais e alguns dos pontos fracos do ano passado parecem permanecer. A Mercedes desiludiu ligeiramente, mas não se podia esperar que chegasse já ao nível da Ferrari e Red Bull. Os Flechas de Prata quererão ter cuidado com a Aston Martin. Talvez a melhor surpresa do teste, a Aston trouxe para a pista um carro muito melhor que o do ano passado, com muito potencial. A fiabilidade não é ainda a melhor, mas o potencial parece convencer a generalidade do paddock e a Aston poderá até ameaçar a Mercedes. Mas o quarto lugar parece uma realidade.
A Alpine escondeu um pouco o jogo. Há quem diga que os franceses têm um carro muito bom, apesar de em pista não ter dado nas vistas. Mas alguns dados parecem sugerir que os gauleses fizeram um excelente trabalho, mesmo com um carro que parece muito duro. Parece que o quinto lugar está à vista para a Alpine. A Haas poderá ser a equipa que se segue na ordem. O carro deste ano é um passo em frente, os testes correram bem e diz-se na Haas que foi a melhor pré-época da curta história da equipa. Poderemos ter uma Haas a lutar por pontos desde o arranque da temporada.
A McLaren e a Alfa Romeo são as equipas que se seguem e pelo que vimos, a Alfa Romeo poderá estar à frente da McLaren. A Alfa começou o ano de forma positiva, não tão exuberante como o ano passado, mas com bons apontamentos. Mas a melhoria das outras equipas faz efetivamente a equipa cair na ordem, pelo menos do que foi possível ver. A McLaren teve novamente um arranque de época para esquecer. Muitos problemas, um carro que não impressionou, à espera de uma nova versão que está agora a ser trabalhada pelos engenheiros. Mas não se espera um arranque brilhante por parte da equipa de Woking.
Por fim, os últimos lugares deverão estar entregues à AlphaTauri e à Williams. Apesar de a Williams ter mostrado grandes melhorias em relação ao ano passado, pode não ser o suficiente para sair da cauda do pelotão. Depende também do que poderá fazer a AlphaTauri que não convenceu nestes três dias e parece ter dado um passo positivo, mas não o suficiente para chegar ao meio da tabela.
Assim, a nossa aposta para o arranque desta época é Red Bull, Ferrari, Mercedes, Aston Martin, Alpine, Haas, Alfa Romeo, McLaren, Alpha Tauri e Williams. É apenas uma aposta mediante o que vimos, sem termos certezas. Essas surgirão na primeira corrida do ano.













