
Max Verstappen venceu o Grande Prémio dos Países Baixos e foi notório que tinha uma vantagem face aos demais, mas será que a Mercedes poderia ter feito mais para, pelo menos, dificultar a tarefa do Campeão do Mundo em oferecer algo para celebrar aos seus compatriotas que pintavam as bancadas de Zandvoort?
Desde cedo que ficou claro que o binómio Verstappen / Red Bull era o mais forte no traçado holandês e que a principal ameaça a um popular triunfo do piloto da casa vinha da equipa de Brackley, que apostava claramente numa estratégia de apenas uma paragem, contra duas do líder do Campeonato de Pilotos.
A perspectiva era de ter um final de corrida em que Verstappen teria de perseguir os dois pilotos da Mercedes e ultrapassá-los em pista, caso quisesse vencer, o que poderia não ser uma tarefa simples, dada as dificuldades em ultrapassar em Zandvoort.
Tudo parecia correr de feição a Lewis Hamilton e a George Russell, até que na quadragésima oitava volta Yuki Tsunoda parava em pista pela segunda vez, desta feita definitivamente, com estranhos problemas no seu Alpha Tauri.
A situação obrigava ao uso do Safety-Car Virtual, o que permitia ao holandês parar nas boxes pela segunda vez sem perder o comando. Com pneus fresco, duros, e no primeiro lugar, dificilmente Verstappen poderia perder a corrida.
A Mercedes, percebendo bem o cenário, fez a única coisa que poderia fazer, chamar os seus pilotos às boxes para lhes montar borrachas médias.
Com um carro que, em performance pura, não podia enfrentar o Red Bull, os estrategas da equipa de Brackley apostavam em pneus mais macios, logo capazes de permitir um ritmo mais elevado, e na capacidade de gestão das borrachas por parte do W13 para poder recuperar terreno a Verstappen até ao final da corrida e tentar ultrapassá-lo com a bandeira de xadrez à vista.
Contudo, a corrida sofreria mais um volte de face, quando Valtteri Bottas parou em pista no final da recta da meta com problemas de motor, o que obrigou à entrada em pista do Safety-Car.
Faltavam quinze voltas para o final da prova e a Red Bull rapidamente decidiu chamar Verstappen para montar pneus macios.
Corria o risco de perder posição em pista, mas contava com a vantagem dos pneus macios para poder recuperar o comando e vencer.
A Mercedes fez o que se esperava de uma equipa que sabia que não tinha carro para lutar de igual para igual com o Red Bull de Verstappen e manteve os seus dois pilotos em pista, ganhando posição em pista.
A equipa de Brackley estava na confortável posição de ter os seus dois carros nas duas primeiras posições, ainda que estes ter-se-iam de haver com o holandês equipado com as borrachas marcadas a vermelho.
Com Hamilton no comando seguido de Russell, este poderia fazer a “vida negra” ao Campeão do Mundo, permitindo ao heptacampeão mundial aquecer os pneus e ganhar uma vantagem que poderia ser decisiva para o desfecho da corrida.
No entanto, a meio da segunda volta sob Safety-Car, o jovem inglês informou a sua equipa que queria montar pneus macios e esta assentiu aos desejos do seu piloto.
Esta decisão custou a Hamilton ter no seu escape um ‘guarda costas’, deixando-o exposto ao ataque de Verstappen, que o ultrapassou logo após ter cruzado a linha de meta, assim que as bandeiras verdes apareceram.
Os homens da Mercedes sucumbiram os interesses da equipa, que ainda que fosse difícil, poderia obter a sua primeira vitória da temporada, perante os desejos pessoais de um dos seus pilotos que na pior das hipóteses terminaria em quarto, mas assim assegurou um segundo lugar.
No mínimo, quando permitiram que Russell montasse pneus macios, deveriam ter feito o mesmo com Hamilton, dado que sem o seu colega de equipa nas suas costas dificilmente conseguiria suster Verstappen, mas com borrachas marcadas a vermelho nos dois carros facilmente poderia também ele assegurar um pódio, uma vez que Charles Leclerc e a Ferrari não tinham andamento para os ‘Flechas de Prata’.
A lógica para manter os seus dois pilotos em pista é perfeitamente compreensível, tentar vencer, ainda que, muito provavelmente, o resultado final fosse o mesmo, mas ao deixar Russell parar pela terceira vez, a Mercedes ficou a meio caminho entre o risco e a segurança, o que no fundo custou um pódio a Hamilton.











