F1, GP da Arábia Saudita: Fugir de uma guerra para entrar noutra

Por a 26 Março 2022 16:43

Não foi há muito tempo que a F1 terminou o contrato com um promotor devido à guerra. No entanto, neste fim de semana a guerra bateu às portas da F1 com um ataque feito com mísseis, a uma infraestrutura da Aramco, a poucos quilómetros do circuito onde o Grande Circo estacionou para a sua segunda corrida do ano.

Os Houthi reivindicaram o ataque que levou os pilotos a considerarem seriamente o boicote à prova. Este ataque é apenas mais um de uma guerra que dura há anos que, como todas as guerras tem feito demasiadas vitimas, a maior parte civis.

A primavera Árabe levou à queda de alguns ditadores um pouco por todo o médio e o Iémen também foi na onda, com o presidente Ali Abdullah Saleh a ter de renunciar do poder, entregando-o a Abdrabbuh Mansour Hadi na altura vice-presidente, isto em 2011. A transição revelou-se catastrófica, com o país a ficar em ainda pior estado. Para piorar ainda mais o cenário, iniciou-se uma guerra entre os separatistas Houthis e pessoas leais ao antigo presidente Saleh e do outro lado as forças do governo Hadi. O conflito foi ganhando cada vez maiores dimensões e Hadi teve de sair do país numa altura em que os Houthis queriam controlar todo o território e chegaram à capital do país, Saná. Hadi acabou na Arábia Saudita, que viu o conflito avançar para proporções que não desejava a nível geopolítico e tomou ações (juntamente com uma coligação de vários países) começando uma campanha militar no Iémen com impactos devastadores. A tentativa de restaurar o governo de Hadi tem falhado e os Houthis tem respondido com ataques à Arábia Saudita. Saleh que era um dos principais rostos da coligação entre os Houthis e as suas forças acabou por se afastar dos Houthis, morrendo pouco dias depois do anúncio. De um lado e outro tem sido reportados atrocidades reportadas pelas Nações Unidas que, infelizmente se têm tornado cada vez mais comuns nos noticiários, com uma das piores crises humanitárias do mundo em curso.

É no meio deste conflito que a F1 aterrou e em 2021 a intensidade dos ataques começou a aumentar. Já no ano passado antes da corrida de Fórmula E, em Diriyah, foram feitos ataques com mísseis na região. No fim de semana de prova tudo acabou por correr bem. Este ano, com a F1 não foi bem assim. O problema não está apenas na F1. O desporto motorizado no geral tende a olhar com despreocupação para este tipo de situações. Era apenas uma questão de tempo até que algo deste género acontecesse, o que coloca a postura dos responsáveis em cheque. Se por um lado querem fomentar a igualdade e querem mostrar uma mensagem positiva, por outro, não têm problema em montar o seu circo em palcos onde há questões sociais e humanitárias prementes e que são ignoradas. Até quando? Não sabemos.

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2 comentários

  1. Roberto

    26 Março, 2022 at 17:29

    “Democracias” coxas e ditaduras não deviam ter GPs. Temos de ser inclusivos e tolerantes, mas não podemos ser tolerantes com pessoas e governos intolerantes. Para mim, nem russia, nem arabia saudita nem china

  2. Scb

    26 Março, 2022 at 19:10

    Falta aí também o atentado, perdão, “acidente” no começo do Dakar deste ano. E na Fórmula E os mísseis não foram no final da corrida?

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