Alain Prost não escondeu o seu desagrado pela saída da Alpine. O campeão francês está de saída da estrutura francesa mas fez questão de bater a porta com força, apontando o dedo à nova chefia.
Prost usou as redes sociais para manifestar o seu desagrado pela forma como a sua saída foi anunciada, afirmando que tinha acordado com a equipa um anúncio conjunto, algo que não aconteceu. O francês não poupou nas palavras e deu a entender que o mal estar já não era de agora.
“Estou muito desapontado com a forma como esta novidade foi anunciada hoje! Ficou acordado que anunciaríamos juntamente com a Alpine! Sem respeito! Recusei a oferta que me foi feita em Abu Dhabi para a temporada 2022 por causa de uma relação pessoal e eu estava certo! À equipa Enstone e Viry, vou sentir a vossa falta.”
Citado pelo racingnews365.com, francês admitiu que Laurent Rossi o foi colocando de parte e que procura protagonismo:
“Aceito mudanças, porque não é necessário trabalhar na F1 sempre da mesma maneira. Pode fazê-lo de forma diferente, e é isso que temos feito ao longo do último ano”, explicou Prost. “Mas para mim, tornou-se demasiado complicado. Já não estava envolvido nas decisões, no entanto, tinha de continuar a levar a palavra oficial. Mesmo como membro do Conselho de Administração, eu ficava a saber de certas decisões no último minuto. É uma questão de respeito. As relações tornaram-se cada vez mais complicadas. Senti que havia muitos ciúmes”.
“Laurent [Rossi] quer estar sozinho, não ser influenciado por ninguém. Na verdade, ele próprio me disse que já não precisava de um conselheiro. Ele ainda me ofereceu um contrato em Abu Dhabi, que eu recusei. Laurent quer ser o centro das atenções. O que me interessa é o desafio de fazer parte de uma equipa e de estar envolvido em certas decisões. Eu estava voluntariamente muito em segundo plano e tive muita influência de uma forma discreta, apesar das coisas com as quais discordava, que guardei para mim próprio”.
“Ninguém é indispensável, e claro que não sou mais do que qualquer outra pessoa”, continuou Prost. “Mas não devemos esquecer que tudo o que está a ser feito hoje e para 2022 foi lançado há dois ou três anos. A gestão de hoje, sabe tão bem como eu, será julgada apenas numa ou duas épocas, não antes. A Alpine foi sem dúvida a primeira a concentrar-se nas mudanças de regulamentação. A equipa vai recomeçar com novas caras. Porque não? Otmar [Szafnauer, antigo director da equipa Aston Martin], se ele vier, eu gosto dele. Mas não devemos esquecer todo o trabalho realizado por todos os rapazes de Viry ou Enstone, que estão a trabalhar arduamente neste projeto. Não tenho nada contra a mudança, mas o que não aprecio é a relação e a falta de respeito para com as pessoas. Eu gosto do aspeto humano”.
Fica assim confirmado que a Alpine está a fazer uma limpeza de fundo, retirando todas as pessoas que estiveram ligadas à estrutura anterior, para um começo do zero. Se esta é a forma mais correta de fazer as coisas, só o tempo dirá, mas a verdade é que a Alpine perdeu, aparentemente por vontade do seu CEO Laurent Rossi, peças importantes que poderiam continuar a dar o seu contributo. De reestruturação em reestruturação, a Alpine vai caminhando rumo ao futuro. Se este é o caminho certo, não sabemos, mas o que é um facto é que raramente se viu uma equipa a ter sucesso sem estabilidade ao longo do tempo.










