Temíamos que pudesse acontecer algo que ensombrasse a vitória no campeonato, fosse qual fosse o campeão, mas o que menos se esperava é que fosse o ‘árbitro’ a criar a polémica. Com a Gala da FIA na próxima semana a decisão sobre os dois protestos da Mercedes vai ser célere, mas depois disso, seja quem for, o ‘perdedor’ pode reclamar para o Tribunal Arbitral do Desporto. Era mesmo tudo o que menos queríamos. Ao invés de estar aqui a falar de Max Verstappen (ou eventualmente de Lewis Hamilton) estamos a discutir Michael Masi, Comissários, etc. É mau demais para a F1.
Logicamente que Max Verstappen é um campeão merecido, como seria Hamilton, mas infelizmente houve uma intervenção controversa da direção de Corrida e agora está tudo em causa.
A Mercedes interpôs dois protestos: um que contesta o procedimento de partida noutro alega que Verstappen ultrapassou sob Safety Car. Este último dificilmente será atendido, porque o que Verstappen fez foi colocar o nariz do seu Red Bull um pouco à frente do Mercedes, quando ambos se preparavam para a última volta do ano, mas quanto ao outro protesto, o caso é muito mais intrincado.
E o que está em causa é o Artigo 48.12 dos regulamentos desportivos, que se refere aos procedimentos do Safety Car. Este artigo não refere se apenas alguns carros, ou todos os atrasado devem passar o Safety Car, e que devem cumprir a volta e colocar-se atrás antes que a corrida recomece, mas diz que depois dos monolugares passarem o Safety Car, este deve regressar às boxes às boxes no final da volta seguinte. Os carros tiveram ordem para passar o Safety Car na volta 57, e portanto o Safety Car deveria regressar às boxes no final da volta 58, a última da corrida.
Mas não, saiu no final da volta 57. E é nisto que a Mercedes se agarra…
Claro que nada disto interessaria (nem à Mercedes) se Hamilton tem aguentado Verstappen atrás de si, mas como todos sabemos, os nervos de Toto Wolff na rádio mostravam bem o que todos sabemos: Ao ter ido à boxe no período de Safety Car, a red Bull colocou o seu piloto com pneus macios em pista face a Hamilton, que tinha pneus duros com várias dezenas de voltas. Fosse qual fosse a decisão da FIA, alguém iria ficar chateado. Atente nesta troca de palavras após a mensagem “Lapped cars will not be allowed to overtake”, da volta 57 entre o engenheiro e Verstappen, o que significaria que iria haver cinco carros entre Hamilton e Verstappen quando recomeçasse a corrida. O engenheiro de Verstappen disse-lhe isso na rádio, e a resposta do piloto foi “Pois claro, decisão típica… não é uma surpresa”. Como se sabe, a decisão ajudou muito a Red Bull. Outra decisão ajudaria a Mercedes. É muito difícil ser árbitro…









