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GP de França de Fórmula 1: Red Bull leva Mercedes ao desacerto

José Luis Abreu by José Luis Abreu
21 Junho, 2021
in Autosport Exclusivo, F1, FÓRMULA 1
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Esperava-se que Paul Ricard fosse um circuito em que a Mercedes poderia inverter a sequência vencedora da Red Bull, mas uma prestação exemplar da Red Bull a todos os níveis resultou no terceiro triunfo seguido dos homens de Milton Keynes. Não acontecia desde 2013…

Depois de duas corridas dececionantes, a Mercedes esperava poder ripostar em Paul Ricard, um circuito que se esperava ser mais em linha com as necessidades do W12, porém, a formação de Brackley voltou a cometer erros e a Red Bull, com um fim-de-semana a roçar a perfeição, levou Max Verstappen ao triunfo no Grande Prémio de França com uma prestação notável deste.
A formação que dominou toda a Era turbohíbrida estava ferida no seu orgulho e precisava de um bom evento para poder recuperar das feridas que sofrera em Monte Carlo e Baku.
O traçado gaulês parecia ser o palco ideal para isto, uma vez que, desde o seu regresso, nenhum outro carro para além de um Mercedes tinha figurado no topo da tabela de tempos de qualquer sessão – fosse treinos-livres, qualificação ou corrida.
O primeiro contacto com a pista de Le Castellet mantinha esta tendência, com Valtteri Bottas a liderar Lewis Hamilton e Verstappen em terceiro a quatro décimos de segundo do finlandês.
Tudo parecia estar a correr em linha com o que se verificara nas duas últimas edições da prova francesa, mas na segunda sessão de treinos-livres o holandês mostrava que, se a Mercedes quisesse regressar aos triunfos, teria de ter um fim-de-semana perfeito, uma vez que o piloto da Red Bull arrancava a volta mais rápida num circuito que era um feudo da formação do construtor germânico.


No dia de sábado, Verstappen confirmava um ligeiro ascendente face aos Mercedes e selava a sua segunda pole-position da época, batendo Lewis Hamilton por mais de dois décimos de segundo, seguido de Valtteri Bottas e Sérgio Pérez, que nunca se mostrou capaz de entrar na luta pela melhor posição da grelha de partida.
A Red Bull vencia a primeira batalha, mas em Portugal e Espanha tinha ficado evidente que o W12 conseguia gerir melhor os pneus que o RB16B, o que poderia virar a situação a favor da Mercedes durante a corrida, sobretudo numa prova em que se esperava apenas uma paragem e o desgaste das borrachas poderia ser um factor determinante.
Porém, no dia de corrida tudo mudava, com temperaturas mais baixas – a pista apresentava 36ºC contra 44ºC de sábado – e o asfalto era completamente lavado pela chuva matinal, o que alterava a forma como os pneus seriam usados.
A granulação das borrachas passava a ser um problema ainda maior, juntamente com o desgaste, ao passo que a degradação térmica passava para segundo plano, o que poderia colocar em causa a execução de uma táctica de uma paragem nas boxes.
A corrida começou bem à Mercedes, uma vez que na primeira curva, a traseira do Red Bull número trinta e três fugia a Verstappen, que teve de recorrer à escapatória, acabando por perder o comando para Hamilton.
Em poucos metros, os homens de Brackley passavam para uma situação muito mais confortável, com o inglês no comando e Bottas em terceiro à frente de Sérgio Pérez.
O holandês manteve-se no escape do Mercedes nas primeiras voltas, mas a partir da décima perdeu o contacto com Hamilton, rodando a mais de dois segundos do líder.
Parecia que o padrão que se verificara no Algarve e em Barcelona voltava a revelar-se, em que o carro de Brackley conseguia gerir os seus pneus de uma forma mais eficaz.
Porém, Bottas acabaria por despoletar uma situação que levaria a Mercedes a errar estrategicamente.

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Pneus de Bottas ‘tramam’ Mercedes
O finlandês queimara uma travagem e, com um pneu danificado, sofria bastantes vibrações, colocava em risco a integridade mecânica do seu monolugar, o que obrigou a que fosse chamado às boxes na décima sétima volta, bastante cedo para que uma táctica de paragem fosse o caminho claro a seguir.
Bottas estava a 2,2s de Verstappen e, com o “undercut” a revelar-se poderoso (Charles Leclerc já o tinha demonstrado), a Red Bull reagiu na volta seguinte para defender o segundo posto. Já a Mercedes, que tinha Hamilton na liderança com uma vantagem de 3,0s para o holandês, mantinha o comandante em pista, fiando-se na distância que tinha para o seu perseguidor.
Verstappen conseguia manter a sua posição face a Bottas, graças, sobretudo, a uma paragem 0,7s mais rápida que a do finlandês.
Para além disso, Verstappen ganhava na sua volta de saída 1,1s a Hamilton, ao passo que Bottas conquistara apenas 0,6s ao holandês. Tudo junto, significou que quando o inglês saiu das boxes após a sua única troca de pneus, duas voltas depois do seu colega de equipa, estava atrás do seu rival na luta pelo título, que regressava ao comando que fora seu durante os primeiros metros de prova.
A Mercedes voltava a errar, desta feita estrategicamente, demorando em demasia a chamar Hamilton às boxes, o que lhe valeu a perda do controlo da corrida. Bastava que realizasse troca de pneus uma volta depois de operação semelhante de Bottas, ou seja na mesma de Verstappen, para ter a possibilidade de manter o comando.
Ainda assim, o jovem de vinte e três anos tinha no seu encalço os dois monolugares de Brackley, que se mostravam ameaçadores, e efectuar trinta e três voltas nestas condições não seria fácil para o líder do Campeonato de Pilotos.
Entretanto, assumindo-se como uma peça estratégica, Sérgio Pérez mantinha-se em pista, jogando em ter uma segunda metade de prova mais forte. O mexicano parou na vigésima quarta volta, o que acabaria por ser determinante para a jogada táctica da sua equipa.
A situação de Verstappen não era verdadeiramente confortável, e com as paragens nas boxes tão madrugadoras, a diferença entre uma táctica de uma ou duas trocas de pneus não era tão grande que pudesse colocar a segunda opção completamente fora de cogitação.
A Red Bull tinha esta possibilidade coberta, com Sérgio Pérez dentro da janela de uma paragem nas boxes por parte dos Mercedes e em condições de ir até ao fim da corrida, mas ainda assim, os homens da formação de Milton Keynes temiam que a sua rival pudesse optar por este caminho, voltando ao cenário que se verificara em Barcelona.
Os estrategas da equipa de bandeira austríaca não quiseram arriscar e chamaram Verstappen às boxes pela segunda vez na trigésima segunda volta para trocar os duros que tinha no seu carro por médios com pouco uso, ficando a dezanove segundos de Hamilton, que herdara o comando.
A Red Bull trocara a posição em pista por performance, surpreendendo a Mercedes, que ficava presa a uma estratégia de uma paragem apenas, se quisesse vencer, uma vez que, ao parar depois, ficaria com o inglês ainda mais distante do holandês, devido ao poder do “undercut”.
Verstappen tinha agora de ganhar quase vinte segundos ao seu rival na luta pelo título e realizar três ultrapassagens pelo caminho, muito embora a que realizaria a Pérez seria seguramente facilitada, como acabou por se verificar.
O piloto da Red Bull chegaria à traseira de Bottas na quadragésima segunda volta, a onze da bandeira de xadrez, e pouco depois, suplantava o finlandês, que sob ataque do seu perseguidor e com o pneu dianteiro – esquerdo a chegar à lona, errou na travagem para a Chicane da Recta Mistral, ficando exposto na aceleração seguinte.
Verstappen estava no segundo posto a cinco segundos de Hamilton e com nove voltas para regressar ao comando.
O andamento do holandês era inalcançável para o resto do pelotão e a três voltas do final encostava em Hamilton. As hipóteses para suplantar o inglês não eram muitas, mas com os pneus do heptacampeão mundial nas últimas, Verstappen vergava o seu rival na penúltima volta, o que na prática selou a sua terceira vitória da temporada.
A Red Bull batia estrategicamente a Mercedes e o holandês executara na perfeição a estratégia delineada, tendo ainda Sérgio Pérez batido Valtteri Bottas na luta pelo terceiro lugar.
O desacerto da formação do construtor de Estugarda era tal que, depois de o finlandês ser suplantado pelo mexicano e com o quinto classificado a mais de cinquenta segundos, não chamou o seu piloto às boxes para montar borrachas frescas, e tinha um jogo de macios novos, e assim tentar roubar a Max Verstappen a volta mais rápido, que com a inoperância da Mercedes somou mais um ponto que poderá ser decisivo nas contas do Campeonato de Pilotos.
Num fim-de-semana em que precisava de regressar às vitórias, tendo até oportunidades para isso, a Mercedes voltava a errar, evidenciando que a pressão que está a sentir começa a criar rachas na estrutura que até há bem pouco tempo parecia ser inabalável.
A Red Bull, por seu lado, mostra-se cada vez mais forte e mais segura, estando agora numa situação mais confortável em ambos os campeonatos.

FIGURA: Max Verstappen
A corrida não começou da melhor forma para o holandês, que deixou escapar o seu monolugar ao seu controlo e perdeu a liderança, depois de ter conquistado a pole-position, mas isso não o afectou.
Esteve sempre em contenção pela vitória e quando a sua equipa alterou a sua estratégia, cedendo posição em pista, esteve imparável, recuperado o suficiente sem roubar toda a vida aos pneus, de modo a ter condições de atacar Hamilton no final.
São estas performances que vencem campeonatos…

MOMENTO: 52ª volta
A Red Bull esteve, estrategicamente, superior à Mercedes, mas ainda assim foi preciso executar a tática e só na quinquagésima segunda volta, a uma do fim, Verstappen conseguiu ultrapassar Lewis Hamilton e, assim, rumar à sua terceira vitória da temporada. Pareceu fácil, mas o holandês cumpriu o que se exigia

Tags: Jorge Girão
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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