Mais vale cair em graça do que ser engraçado. O dita popular pode ser, de alguma forma, aplicado à situação de Nikita Mazepin. O russo tem já uma “legião de haters”~, que a cada deslize apontam o dedo. Mas será que o russo é assim tão mau?
Mazepin começou a sua carreira na F1 da pior maneira. Depois das últimas corridas onde mostrou um estilo de condução extremamente agressivo, o russo “festejou” a promoção à F1 com o tal vídeo, que já foi inúmeras vezes referido. Uma atitude reprovável, pouco digna e que coloca a nu alguns problemas da nossa sociedade. O que se pretende aqui não é ser advogado de defesa do russo por o que fez (até porque tem pouco de defensável) , mas sim analisar tudo o que vem a seguir.
Desde essa altura que a campanha para impedir a ida de Mazepin para a F1 ganhou força nas redes sociais e foi claramente mal gerida pelo piloto, que deveria ter-se desculpado imediatamente, algo que apenas aconteceu algum tempo depois, já a bola de neve tinha um tamanho difícil de parar. Mazepin tornou-se alvo do ódio dos fãs e isso implicava que tudo o que fizesse em pista fosse escrutinado ao pormenor.
Temos aqui uma mistura explosiva de um jovem que além de ter entrado na F1 à custa do dinheiro do pai, teve uma atitude reprovável da qual não se retratou no devido tempo. Para um jovem que nasceu na era da internet, Mazepin sabe bem o que isso significa. O primeiro fim de semana foi péssimo e o russo além de lidar com a pressão da estreia tinha a pressão extra de ter milhares de pessoas a torcer fervorosamente pelo seu insucesso.
Não deverá ser fácil para um miúdo de 22 anos enfrentar este tipo de cenário hostil, ver que na internet já há um site que conta o número de piões e tem imagens de todos. Sim, Mazepin fez asneira da grossa antes de entrar na F1, teve uma estreia má a quase todos os níveis e sim é pagante. Mas é também um jovem que nasceu em berço de ouro, que se quisesse podia facilmente ter uma vida mais fácil, com o patrocínio do pai, mas tal como Lance Stroll, Nicholas Latifi e outros, quis ter sucesso num dos desportos mais exigentes do mundo. Depois do vice-campeonato no GP3 e do terceiro lugar na F3 asiática foi quinto na F2. Não é certamente o mais talentoso dos pilotos e muito dificilmente seria uma escolha lógica para a promoção à F1, pois há talentos bem mais entusiasmantes na F2, mas também não é claramente o pior que já vimos na F1.
O antigo conselheiro de Kevin Magnussen Jesper Carlsen, entretanto, trabalha agora ao lado de Mazepin na Haas, referiu-se ao russo como “realmente um bom rapaz. Ele é também um piloto de corridas rápido”, disse Carlsen ao jornal BT, acrescentando que se os patrocinadores de Mazepin não tivessem intervindo, “penso que a equipa não teria sobrevivido. De certa forma, estou contente por Kevin não estar sentado num dos carros este ano, porque é claro que agora só estão a apostar em 2022”, acrescentou ele.
Lando Norris também defendeu Mazepin dos ‘detratores’ no seu canal Twitch, salientando que Mick Schumacher também fez um pião no Bahrein.
“Vão começar a odiar o Mick também porque ele também fez um pião?”, acusou o britânico.
O fenómeno Mazepin é um pouco reflexo do mundo em que vivemos, em que a internet se torna numa caixa de eco quase infinito onde qualquer erro é visto e revisto até a exaustão e o dedo é apontado muitas vezes apenas pela piada do que por ser merecido. É esse mundo que a estrelas do desporto de hoje enfrentam, que Mazepin enfrenta de forma mais vincada. Será preciso muito para que Mazepin deixe de ser criticado. Terá de mostrar inequivocamente que tem algum talento e terá de ter um percurso imaculado. Não será tarefa fácil depois de uma das piores estreias que vimos na F1.











