Desde que foi conhecido o calendário do CPR 2021 que se sabia que iria haver quem gostasse… e precisamente o contrário. Há pilotos que defendem a decisão tomada, e outros totalmente em desacordo.
Tal como o AutoSport já noticiou, a FPAK divulgou o calendário do Campeonato de Portugal de Ralis e os ralis dos Açores e Algarve ficaram este ano de fora. A decisão surgiu depois de conversas da FPAK com uma Associação de Pilotos de Ralis, que reuniu, e no final endereçou as sugestões à FPAK, que as acolheu e tomou a sua decisão.
Entre os pilotos, a pretensão que existia e era unânime, passava por deixar de haver nomeação de provas no CPR, uma medida que obrigatoriamente levava a que tivessem de sair dois ralis. Era também unânime que o CPR deveria ser dividido em partes iguais entre provas de asfalto e terra. Portanto, face ao ano passado, teria de sair uma de cada tipo de piso. A outra pretensão era baixar os custos.
Saindo uma prova de terra, tinha que sair uma internacional, pois só assim se baixariam custos. Nesse lote, havia três provas internacionais. Uma do WRC, o Rali de Portugal, e duas do Europeu de Ralis, Fafe e Açores.
A prova do ERC escolhida para sair foi os Açores. Entre as provas de asfalto, Madeira, Algarve, Castelo Branco, Alto Tâmega e Marinha Grande, teria de sair uma, a Madeira, apesar de ser cara, não foi cogitada de modo a não saírem duas ilhas, e no final a ‘fava’ saiu ao Algarve.
Ricardo Teodósio foi o primeiro a mostrar a sua insatisfação, ao publicar nas redes sociais um texto questionando os critérios para a exclusão dos ralis dos Açores e Algarve: “Sabemos bem a altura difícil que estamos a atravessar, mas isso não pode de todo justificar um calendário destes! Em primeiro lugar, num país tão pequeno há concentração de provas no centro e norte do país e numa só ilha. Por outro lado como orgulhosos algarvios que somos, o Rali do Algarve é uma das provas mais carismáticas do nosso campeonato que, entre outros fatores, sempre primou pela excelência e rigor das suas organizações. Estamos, de facto, muito tristes e sem saber como justificar esta ausência aos nossos parceiros Algarvios. O Rali dos Açores é uma prova que a maioria dos pilotos quer e gosta de fazer e não compreendemos como é que uma prova destas pode ficar de fora”, disse.
Já Miguel Correia, refere concordar com a redução de provas, e divisão entre terra e asfalto, mas que ficou triste por “nunca ter sido abordado pela FPAK, ou até mesmo pela comissão de pilotos, para poder expor a minha opinião” Sente ser importante a presença dos Açores no CPR: “em termos competitivos não há dúvidas da importância do Rali dos Açores no CPR” e sobre o elevado custo da prova, argumento usado por Ni Amorim, Presidente da FPAK diz “garantir não ser verdade que o Rali dos Açores é o rali mais caro do campeonato, quando comparado, por exemplo, com outras como a ‘Operação Madeira’ feita em 2020 (Rali da Calheta + Rali Vinho da Madeira). É óbvio que o Rali Açores, o Rali da Madeira e o Rali de Portugal são os que têm o custo mais elevado, mas é preciso também analisar o custo benefício de cada uma. Afinal o que é ‘caro’? Qual o rali que tem uma cobertura televisiva igual à que faz a RTP Açores e Eurosport? O CPR vive de equipas apoiadas por marcas de automóveis, empresas de telecomunicações, combustíveis, área da construção, entre outros, todas elas com interesses e enorme volume no mercado nesta região autónoma. O Rali dos Açores não é mais caro que a “Operação Madeira” da época passada, onde todos fomos fazer um rali de preparação para o Rali da Madeira, inclusive os pilotos que fazem parte da Comissão de Pilotos!”
Por outro lado, há os que defendem a decisão tomada. José Pedro Fontes disse-nos que “o calendário conhecido está de acordo com as sugestões da maioria dos pilotos bem como a não nomeação das provas”. Por fim, quanto à redução de custos: “teria que sair um prova de terra e uma de asfalto, havia três provas internacionais em terra”, dizendo-nos que na comparação Rali de Portugal/Rali dos açores, pesando todos os fatores a balança pende para o lado do Rali de Portugal.
Também Pedro Meireles se mostrou satisfeito com o calendário, ainda que, conforme revelou ao Sportmotores “mesmo preferindo os Açores”, mostrou-se satisfeito com o calendário anunciado: “tinha que haver uma redução de provas e acho que o calendário reflete a vontade dos pilotos”, mas quanto às provas a excluir: “acho lógico e normal que se tenha tirado uma das três de provas de terra”, disse à mesma fonte.
Por fim, Bruno Magalhães, a quem deve ter sido difícil ver os Açores ficar de fora: “era unânime que teríamos de reduzir o número de provas e havia acordo que o campeonato deve ser dividido entre provas de terra e asfalto” revelou à Sportmotores que as posições dos pilotos “eram diferentes”, entendeu não questionar o calendário.









