Foi precisamente há 40 anos que Ayrton Senna obteve em Portugal a primeira vitória da sua carreira. Em 1985, vestindo já o fato da Lotus, Ayrton Senna regressa a Portugal, para se colocar definitivamente no firmamento da F1 e conquistar um lugar muito especial no coração da ‘aficción’ portuguesa, ao vencer à chuva e de forma inolvidável no Estoril, com o AutoSport a titular a reportagem com “Ayrton em Senna, um espetáculo”.
Serenata à chuva
Segunda prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 1985: Grande Prémio de Portugal. Data da corrida: 21 de Abril de 1985. Condições atmosféricas: chuva constante, muito violenta entre os 70 e 85 minutos da prova. Total: 67 voltas, ou 2h00m28,006s. Vencedor: Ayrton Senna, à média de 145,160 km/h. Carro: Lotus 97T/Renault Turbo. Chegaram ao fim 9 pilotos. Estes, são os dados estatísticos – frios, que nada dizem sobre a alma dos homens que, durante duas horas, se debateram contra condições meteorológicas atrozes e contra uma pista cuja aderência se alterava em cada volta.
O segredo esteve na largada
Autor da sua primeira “pole position” nos treinos, Ayrton Senna soube aproveitar bem esse facto e, na partida, suplantou de imediato todos os seus adversários, liderados por Alain Prost. Estava dado o mote para uma “cavalgada” solitária em que, a dado momento, o brasileiro desconcentrou-se e quase comprometeu todo o seu esforço com uma saída de pista. Mas, a partir de então, Senna voltou a pilotar a 100 por cento e, no final, apenas não dobrou o segundo classificado, Michele Alboreto, num Ferrari – mas o italiano ficou a mais de um minuto de distância. Na realidade, o único verdadeiro adversário de Ayrton Senna foi a própria pista, com a qual lutou constantemente, sem nunca baixar os braços, sem nunca se dar por vencido. E pensar que, nos treinos livres dessa manhã, Senna ficou parado em pista, com a caixa de velocidades partida…
O Grande Prémio de Portugal de 1985 ficou na história da F1 não apenas por ter sido a primeira vitória de Ayrton Senna. De facto, foi a primeira vitória de um Lotus desde a conquistada, em 1982, no Grande Prémio da Áustria, por Elio de Angelis. Foi, igualmente, a primeira vitória da Lotus que não foi saudada pelo boné lançado ao ar por Colin Chapman. Enfim, num espectro mais restrito, foi a primeira vitória de um piloto não-McLaren em nove corridas! Depois desta exibição de superioridade à chuva, Senna deu um passo de gigante no caminho da magia. “Mestre da chuva”, aquele que era capaz de tudo o que os outros não conseguiam fazer, Senna ficou para sempre ligado à imagem do piloto dos impossíveis. Ou melhor, aquele para quem essa palavra não existiu, nunca.

O que ele disse…
“Lembro-me da minha primeira corrida de kart na chuva. Foi um desastre, uma piada total. Eu não conseguia fazer nada, com toda a gente me passando por todo o lado. Era estranho, porque no seco eu era bastante bom. Nesse dia vi que não sabia nada de pilotagem na chuva e comecei a treinar em piso molhado. Sempre que chovia, lá estava eu, a testar e a treinar. Foi aí que aprendi a andar na chuva.”
(Senna, explicando como se tornou hábil à chuva)
“Os organizadores tinham-nos dado dez minutos extra de aquecimento para nos adaptarmos àquela chuva. Eu estava tão perdido naquelas condições, porque não fazia a mínima ideia de como o carro se iria comportar com tanta água, depois de ter saído do seco para o molhado com os depósitos cheios. Por isso saí das boxes como que pisando em ovos. Lentamente, com medo de perder o carro naquela volta e nem largar. Aí veio a largada, senti que o carro estava… normal e fui embora.”
(Senna, depois da corrida)
“Tive vários momentos difíceis, mas o maior foi quando passei com as quatro rodas por cima de uma enorme poça de água e o carro acquaplanou para fora da pista. Felizmente que não bati em nada e pude voltar ao asfalto.” (Senna e o momento de aflição por que passou)











Deu quase uma volta ao segundo.Parecia que os outros estavam parados.Hoje uma prova nestas condições nunca se realizaria. Infelizmente.
Estive lá e foi uma recordação INESQUECÍVEL! Vi a corrida no Peão Sul e o Senna na volta de consagração, passou por onde estávamos, com os cintos soltos, os dois braços no ar, virado para o público. Até uma meia-hora antes da partida não choveu. Uns minutos antes de começar o dilúvio, lembro-me de olharmos para o céu e pensarmos “ena o que aí vem!”. Umas nuvens bem escuras! Seguia avidamente Senna desde Setembro de 1979, quando vi aquela exibição monumental no Mundial de Karting no Estoril. Nos anos seguintes até chegar à F1, comprava propositadamente o SportAuto francês, que… Ler mais »
Também lá estava no peão sul! Grande corrida e grande molha, quando cheguei a casa até as cuecas torci de tão encharcada.
Eu estava na Bancada B e fiquei muito feliz quando começou a chover antes da partida, pois com pista seca dificilmente ele ganharia (o McLaren do Prost seria certamente superior). Foi uma grande molha mas valeu a pena!
Já chega de idoletrar Senna, pq este piloto foi um bom sacana e egocêntrico……sejam imparciais!
Viu-o correr?
Duvido, eu vi-o ao vivo em 84 no Toleman, os zigezagues que ele fazia eram incriveis…
Era duro, muito duro e fez uma ou duas mázinhas,mas tirando estas (uma delas a pagar o que lhe tinham feito antes), quando apertava o adversário numa curva, era para a fazer e não pra não deixar os outros fazer….
Não dou pontos, positivos ou negativos, mas caro forista, há que saber distinguir o piloto do homem, eu que nunca torci por ele, nem gostava dele, não tenho problema em reconhecer que foi um dos melhores (na chuva talvez o melhor), como homem se não privamos com ele ou o conhecemos e vamos beber copos juntos, apenas podemos confiar na imprensa, naquilo que os outros escrevem, sempre tendenciosos porque uns gostam e outros detestam, a imprensa isenta morreu há muito tempo. De qualquer maneira nunca houve, na minha opinião um campeão que não fosse egocêntrico ou sacana, pilotos já os… Ler mais »
Conforme já disse noutro post, também estive lá e no peão sul, era o que dava para pagar. Portanto acabei por me cruzar sem saber, alguns dos foristas que para aqui andam. Sobre a personalidade do Senna, já que do profissional ninguém contesta, acho muito distorcida toda a imagem aqui descrita. Senna tal com Schumacher e agora Verstapen, são seres altamente competitivos…e inteligentes. Para eles os detalhes contam e vivem obcecados com a competição. Não será estranho se tudo fizerem para dominar. Relativamente a Senna ví-o ser muito duro e agressivo, por vezes malandro, mas sempre leal e com respeito… Ler mais »
A 1ª vitória do melhor de sempre foi em Portugal!
Cumprimentos
Ah, que saudades, quer do Senna, quer dos Lotus com o negro e dourado da JPS!
E já agora saudades da Fomula 1 no Estoril. Não falhei nenhum GP e em 21 Abril 1985 estava lá na subida para a chamada bancada VIP . Grande molha que apanhei mas valeu muito a pena ver o Senna a dar um calendário ao resto do pelotão
Há aqui um comentário pouco abonatório em relação a Senna. Claro levou logo 15 negativos. Mas é uma opinião válida como as outras, de certo modo até estou de acordo.
Temos que distinguir o piloto era indubitavelmente fantástico, no molhado ainda mais da personalidade que era Aírton Senna da Silva. Tinha uma uma vontade demasiado grande de ganhar era de certo modo egocêntrico e isso tornava-o muitas vezes demasiado agressivo. Claro em determinadas ocasioes levou “troco”. Mas como grande piloto que era, entrava em jogos muitas veses dificeis de entender.
Eu por esta altura ainda gostava do Senna, cuja carreira comecei a acompanhar ainda ele andava nos Karts. Depois veio o «veto» ao Derek Warwick e eu comecei a perceber que o homem tinha tiques de mimalho. Pior – além de mimalho, era sujo e desleal como piloto. Nessa altura eu gostava de pilotos como o Lauda, o Gerhard Berger e o Patrick Tambay, pilotos combativos mas limpos. Como podia gostar do Senna? E aquela coisa de se considerar um enviado de Deus à Terra revelava uma personalidade muito, muito estranha…
E quando é que se considerou um enviado de Deus à Terra? As adulterações que se fazem da história!!!
“Mimalho”? Vetou Warwick porque a equipa não tinha estrutura para dois pilotos nº1… a ignorância dá em comentários como o teu! Sim Senna não era perfeito,era aguerrido, intimidador e duro mas a resumir Senna a “sujo e desleal” é mesmo conversa de hater!
Tive o “prazer” (estar durante 2 horas a apanhar chuva na zona dos tesos – Peão) de ver esta corrida ao vivo.. Poucos sabiamos antes o autêntico virtuoso que iriamos ver e que eu pessoalmente (espectador) iria particularmente apreciar . Uma exibição de que me voltei a lembrar quando vi o Max no Brasil em 2024. Infelizmente tambem vi em directo aquela corrida em Imola… e que me afastou da F1 por alguns anos. Virtuoso, complexo, emocional e com defeitos como qualquer homem. Sem estabelecer qualquer comparação ou classificação, pilotos como Senna, Hunt, Gilles Villeneuve, Mansell, Raikkonen ou Verstappen, são… Ler mais »