Ayrton Senna: Primeira vitória no Estoril foi há 34 anos

Por a 21 Abril 2019 10:29

Foi há 34 anos que Ayrton Senna obteve em Portugal a primeira vitória da sua carreira, e foi com 34 anos que perdeu a vida no terrível acidente de Imola 1994.
Em 1985, vestindo já o fato da Lotus, Ayrton Senna regressa a Portugal, para se colocar definitivamente no firmamento da F1 e conquistar um lugar muito especial no coração da ‘aficción’ portuguesa, ao vencer à chuva e de forma inolvidável no Estoril, com o Autosport a titular a reportagem com “Ayrton em Senna, um espectáculo”.

Serenata à chuva

Segunda prova do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 1985: Grande Prémio de Portugal. Data da corrida: 21 de Abril de 1985. Condições atmosféricas: chuva constante, muito violenta entre os 70 e 85 minutos da prova. Total: 67 voltas, ou 2h00m28,006s. Vencedor: Ayrton Senna, à média de 145,160 km/h. Carro: Lotus 97T/Renault Turbo. Chegaram ao fim 9 pilotos. Estes, são os dados estatísticos – frios, que nada dizem sobre a alma dos homens que, durante duas horas, se debateram contra condições meteorológicas atrozes e contra uma pista cuja aderência se alterava em cada volta.

O segredo esteve na largada
Autor da sua primeira “pole position” nos treinos, Ayrton Senna soube aproveitar bem esse facto e, na partida, suplantou de imediato todos os seus adversários, liderados por Alain Prost. Estava dado o mote para uma “cavalgada” solitária em que, a dado momento, o brasileiro se desconcentrou e quase comprometeu todo o seu esforço com uma saída de pista. Mas, a partir de então, Senna voltou a pilotar a 100 por cento e, no final, apenas não dobrou o segundo classificado, Michele Alboreto, num Ferrari – mas o italiano ficou a mais de um minuto de distância. Na realidade, o único verdadeiro adversário de Ayrton Senna foi a própria pista, com a qual lutou constantemente, sem nunca baixar os braços, sem nunca se dar por vencido. E pensar que, nos treinos livres dessa manhã, Senna ficou parado em pista, com a caixa de velocidades partida…

O Grande Prémio de Portugal de 1985 ficou na história da F1 não apenas por ter sido a primeira vitória de Ayrton Senna. De facto, foi a primeira vitória de um Lotus desde a conquistada, em 1982, no Grande Prémio da Áustria, por Elio de Angelis. Foi, igualmente, a primeira vitória da Lotus que não foi saudada pelo boné lançado ao ar por Colin Chapman. Enfim, num espectro mais restrito, foi a primeira vitória de um piloto não-McLaren em nove corridas! Depois desta exibição de superioridade à chuva, Senna deu um passo de gigante no caminho da magia. “Mestre da chuva”, aquele que era capaz de tudo o que os outros não conseguiam fazer, Senna ficou para sempre ligado à inagem do piloto dos impossíveis. Ou melhor, aquele para quem essa palavra não existiu, nunca.


O que ele disse…
“Lembro-me da minha primeira corrida de kart na chuva. Foi um desastre, uma piada total. Eu não conseguia fazer nada, com toda a gente me passando por todo o lado. Era estranho, porque no seco eu era bastante bom. Nesse dia vi que não sabia nada de pilotagem na chuva e comecei a treinar em piso molhado. Sempre que chovia, lá estava eu, a testar e a treinar. Foi aí que aprendi a andar na chuva.”
(Senna, explicando como se tornou hábil à chuva)

“Os organizadores tinham-nos dado dez minutos extra de aquecimento para nos adaptarmos àquela chuva. Eu estava tão perdido naquelas condições, porque não fazia a mínima ideia de como o carro se iria comportar com tanta água, depois de ter saído do seco para o molhado com os depósitos cheios. Por isso saí das boxes como que pisando em ovos. Lentamente, com medo de perder o carro naquela volta e nem largar. Aí veio a largada, senti que o carro estava… normal e fui embora.”
(Senna, depois da corrida)

“Tive vários momentos difíceis, mas o maior foi quando passei com as quatro rodas por cima de uma enorme poça de água e o carro acquaplanou para fora da pista. Felizmente que não bati em nada e pude voltar ao asfalto.” (Senna e o momento de aflição por que passou)

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malhaxuxas
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malhaxuxas

Então faz 34 anos que apanhei uma molha desgraçada no peão sul. Vida de estudante não dava para mais.
Foi um banho literal que o puto deu em todos.
Ainda não vi mais ninguém desde aí, a fazer o mesmo, sejam eles hexa, penta, septa ou uns mimados que por aí andam.
Ah! E tudo ao som de Smooth Operator(Sade), bem a propósito.
Só mais um detalhe, desculpem.
Ainda se estava fora do autódromo e o som dos F1 a fazerem a recta, era mágico e arrepiante. Hoje, segundo dizem, é um troar pífio, como a modalidade em si.

MurrayWalker
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MurrayWalker

O meu caro perdeu a corrida de 2008 em Silverstone? é que o atual deus da chuva, nessa corrida ainda terminou com mais vantagem para o 2ºclassificado do que o Senna no Estoril.

Claro que as épocas são incomparáveis. Em 85 o piloto conseguia fazer muito mais a diferença que em 2008. Depois tínhamos, Prost, Lauda e Piquet que detestavam a chuva, Mansell mais ou menos e Bellof que adorava.

Em 2008 tínhamos Massa e Kimi que não eram grandes adeptos de pistas molhadas, mas tínhamos Vettel, Alonso e Barrichello que adoravam.

malhaxuxas
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malhaxuxas

Lembro perfeitamente e foi fantástico. Outra lição de um super. LH para mim o que mais se aproxima de Senna. Bellof fez um excelente Mónaco 84, ao nível do Senna, sem dúvida, em corridas com objectivos diferentes. Se bem que não tivesse sido interrompida, iria ser épico entre os dois.

MurrayWalker
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MurrayWalker

Eu também sou desse tempo e a F1 de hoje não me parece em nada inferior. O que nos fica na memória dos anos 80 são sempre os momentos positivos. Lembramos-se sempre das voltas fabulosas em qualificação do Senna, mas rapidamente esquecemos das vezes que em qualificação foi batido pelo De Angelis. Recordamos as grandes corridas e grandes lutas, mas esquecemos que na maioria das corridas terminavam apenas 5 ou 6 carros, dos quais 3 ou 4, terminavam a 2 e 3 voltas do vencedor. Passados todos estes anos, continuo a ver e gostar de F1 exatamente com a mesma… Ler mais »

malhaxuxas
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malhaxuxas

Concordo até certo ponto. Batido pelo De Angelis, pelo Prost e pelo Berger. Hakinen no Estoril até. Mas convenhamos que isso enchem os dedos de duas mãos apenas. De Angelis com a sua morte, infelizmente, (tinha uma namorada giríssima), escapou ao massacre que iria sofrer do Senna. É a minha opinião. Quanto ao que se passa hoje, Senna não teria vencido o 1 no Estoril. Levaria com uma estúpida penalização pelo troca de caixa. Depois, a quebra dos carros era um facto. Mas para mim, trata-se tão só de regulamentação em excesso e electrónica a mais. E que me diz… Ler mais »

MurrayWalker
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MurrayWalker

Ninguém gosta de DRS mas ele é um mau menor. Caso contrário voltávamos à segunda metade dos anos 90 e início deste século, em que pura e simplesmente não existiam ultrapassagens, a não ser nos reabastecimentos. Hoje em dia para voltarmos a ter ultrapassagens no final de uma grande recta, teríamos de aumentar a distância de travagem. Implicaria voltarmos aos travões de aço e isso nunca irá acontecer.

can-am
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can-am

GP dispurado sob chuva intensa.E nessas condições o Senna era imbativel.E não tinha o melhor carro.Deu uma volta a quase todos!

malhaxuxas
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malhaxuxas

Isso mesmo. A quase todos. Foi fenomenal.
Para a História fica que o “provável”, maior de todos os tempos, ganhou o seu 1º GP …em Portugal!

Eu_não_sou_o_frenando_afondo
Membro
Eu_não_sou_o_frenando_afondo

Não podia ser um artigo sobre o passado sem algum saudosista com o comentário cliché do costume “antigamente é que era bom” numa constante comparação de épocas, problemas e soluções completamente diferentes.

Mas enfim.

malhaxuxas
Membro
malhaxuxas

Mas é que era mesmo! Qual é o seu problema?
Se hoje fosse melhor, seria óptimo, mas não é. Temos visto boas lutas e algumas corridas com muito interesse. Mas no geral, a paixão foi-se! Paciência.
Só desejo que no futuro, seja bem melhor que no “tal” passado. Mas desconfio…

lualfemagmail-com
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lualfemagmail-com

SAUDADE. Lembro-me muito bem, estava na curva a seguir à meta. Que molha monumental, sequei a roupa no corpo na viagem de regresso a Vila Real, primeiro em comboio até ao Porto e depois de autocarro até casa. Ayrton deu literalmente um banho na concorrência. Antes já o tinha lá visto brilhar com o Toleman Hart e ainda tive o previlegio de o tornar a ver a fazer aquela volta fulminante, com a qual obteve a pole no Lotus Camel. Alguém dizia Deus conduz pelas mãos de Senna. Para sempre Ayrton, onde quer que estejas.

malhaxuxas
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malhaxuxas

Ó conterrâneo, isto está-nos no sangue! Quem cheirou desde os 6 anos as corridas em Vila Real, os Porche 917 e os Ferrari 512, Lolas etc etc, nunca mais desentranha!!! Biba a “Bila”

simr
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simr

O melhor de sempre!

Billy Bob
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Billy Bob

Foi notável, um banho a todos os restantes.
Mas já uns meses antes, a 21 de Outubro de 1984 e também no Estoril, Ayrton Senna tinha sido 3º Classificado com um Toleman-Hart, só atrás dos Mclaren. Em 84 prometeu, em 85 cumpriu.

malhaxuxas
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malhaxuxas

Todos nós Homens temos defeitos. E ele também os tinha. Mas que era Grande Profissional, inspirador sem dúvida. Posso exagerar parecer lamechas mas após a sua morte, deixei de ver F1 durante 1 ano. Parecia que tinha perdido um parente próximo. Aliás lá em casa, pais e irmãos, todo o mundo sentiu assim. No fundo acredito que um pouco por todo o planeta. Gosto muito do Hamilton e o quanto ele é bom. Mas falta-lhe o carisma do outro. Schumacher também foi excepcional. Mas a meu ver, faltou-lhe adversários para ser lembrado como tal para sempre. Triste e trágico o… Ler mais »

speeydway
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speeydway

Tambem vi (30.000 poderao dizer o mesmo). Ainda por cima a maquina com as mesmas cores do JPS do meu primeiro idolo na F1 , tambem Brasileiro , dos anos 70 – Emerson Fitipaldi.

malhaxuxas
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malhaxuxas

Que eu vi em 70 em Angola na capa de um Paris Mach, como o jovem brasileiro que acabava de ganhar o seu 1 GP em Watkings Glenn se não me engano.

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