A FIA acabou por ficar refém de si mesma a partir do momento que começou a testar o ‘Halo’ ainda em 2016, durante os treinos-livres de sexta-feira, uma vez que, caso ocorresse um acidente grave em que este dispositivo pudesse diminuir ou evitar lesões do piloto ou pilotos envolvidos, a entidade federativa ficaria em maus lençóis legais.
Num último esforço, o ‘Shield’ – um pára-brisas testado por Sebastian Vettel no Grande Prémio da Grã-Bretanha – mostrou estar ainda muito ‘verde’ para ser introduzido em 2018. Por isso, Jean Todt e os seus homens nada podiam fazer para além de obrigar ao uso do ‘Halo’ na próxima temporada.
Rapidamente se verificou um clamor contra a introdução ‘Halo’, uma vez que, segundo alguns, desvirtua as corridas de monolugares, que sempre se disputaram com carros de cockpit aberto, para além de ser um apêndice inestético que rouba dinâmica ao aspecto dos automóveis de Fórmula 1.
A falta de enquadramento estético, sempre muito discutível, é a grande crítica apontada ao dispositivo, sendo quase unanimemente considerado um acrescento, sem qualquer integração, muito embora se creia que nos seus carros deste ano as equipas amenizem os seu aspeto.
No que diz respeito a questões técnicas, o peso mínimo dos carros – com piloto incluído – foi incrementado em seis quilogramas para que o ‘Halo’ pudesse ser integrado, mas de acordo com diversas equipas, são necessários cerca de 16 quilogramas para que o dispositivo possa superar os testes de embate exigidos pela FIA.
Segundo a Mercedes, a estrutura de titânio consegue sustentar um autocarro de dois andares semelhante aos que circulam em Londres, que pesam cercam de 12 toneladas, o que diz bem das exigências que as escuderias tiveram que superar.
As equipas poderão colocar algumas carenagens com cerca de 20 milímetros de largura no ‘Halo’ com o intuito de diminuir o ‘efeito de sombra’ que o componente fará à tomada de ar dinâmica para o motor, sendo este mais um caminho de desenvolvimento que as equipas tomarão, muito embora seja difícil que se verifique grandes ganhos nesta área.
Segundo Giancarlo Minardi: “Quando se trata de segurança, não se deve brincar e tudo o que é feito para a melhorar, é bem-vindo. Depois do acidente do Ayrton Senna deram-se passos gigantescos nesta área, no entanto, não creio que o ‘Halo’ seja a solução perfeita.”
Já Patrick Head afirma: “O ‘Halo’ adicionou muito peso ao carro, cerca de 15 quilogramas, e numa posição elevada, portanto o centro de gravidade foi elevado. É o mesmo para todos, no entanto, não creio que afetará a competitividade relativa entre os carros.”










