O australiano, que esteve três anos ligado à Porsche no WEC, considera um erro o que Fernando Alonso está a fazer. Segundo Webber, a F1 é muito especifica e exige uma força mental tremenda. Estar a dividir a atenção entre as duas competições não é o ideal.
Webber não coloca em causa o talento natural de Alonso, mas apenas aponta o fator concentração como determinante para ter sucesso em ambas as categorias e se o espanhol tiver de dividir a sua atenção talvez fique prejudicado em ambas.
A McLaren no ano passado abriu as portas à participação de Alonso na Indy 500, mas a decisão era simples. Na F1, Alonso não estava feliz e a equipa não tinha um carro competitivo para lhe dar. Manter um piloto motivado nestas condições é complicado, mais ainda se o seu nome for Alonso. A Indy 500 foi um escape, que serviu para avivar o espanhol que apenas por azar não lutou até ao fim pela vitória (terá também servido para o piloto descartar definitivamente a Honda).
2018 deverá ser um ano diferente. Os motores Renault não se mostraram ainda ao nível dos Ferrari ou Mercedes, mas mostraram capacidade suficiente para lutar por pódios, como provou a Red Bull. E é isso mesmo que a McLaren quer… regressar aos lugares de destaque. A equipa precisa disso urgentemente, até para manter motivada todos os elementos da equipa, que têm feito um excelente trabalho, sem colher os devidos frutos. E a luta pelos pódios promete ser renhida com Mercedes, Ferrari e Red Bull como principais forças e com Renault e a Force India a querer provar também do champanhe (mais os franceses, tendo em conta o grande investimento feito). Será preciso estar ao melhor nível para aproveitar as oportunidades que possam surgir.
Alonso parece ter capacidade para conseguir conciliar ambas as competições. A F1 já não tem segredos para ele e o animal competitivo que tem dentro de si deve pedir sempre mais e mais. Estando ele no auge das suas capacidades, seria um desperdício não aproveitar o seu talento, mesmo que em competições diferentes. E a jogada de Alonso faz sentido de um ponto de vista de afirmação: o espanhol tem noção que dificilmente estará na luta por mais algum titulo na F1 e precisa de cimentar o seu nome no desporto motorizado. O seu talento merece-o, ele tem noção disso e como tal, está a apostar noutros campeonatos para provar que é bom em todo o lado, trazendo de volta a aura dos grandes pilotos do passado, olhados como heróis por serem bons em qualquer carro que pilotassem.
Por outro lado, é bom voltar a ver pilotos a arriscarem e a saírem da sua zona de conforto por breves períodos de tempo. Um piloto de F1 deve ser dos melhores do mundo e não pode ter medo de o provar.
Não sabemos se a decisão de Alonso é a mais correta do ponto de vista desportivo, mas do ponto de vista dos fãs é claramente uma decisão que agrada e muito. Será o espanhol capaz de lidar com estes desafios todos. A experiência e a capacidade que tem leva-nos a acreditar que sim.











