Diz o dicionário que Endurance é a capacidade de fazer algo difícil durante um longo período de tempo. E as corridas de Endurance são mesmo isso, uma luta contra os adversários mas acima de tudo contra as adversidades e o tempo.
São vários os exemplos que mostram que nem sempre os mais rápidos vencem e a máxima “para acabar em primeiro, primeiro é preciso acabar” é a essência das corridas de longa duração e ninguém melhor que a Porsche para entender esta filosofia.
E como a fiabilidade tem de ser a toda a prova, os engenheiros germânicos não olharam a meios para testar a sua nova máquina. O novo Porsche RSR marcou também o início de uma nova filosofia, com a colocação do motor à frente do eixo traseiro, acompanhando assim a tendência da grande maioria dos adversários e indo contra o que é a própria essência da Porsche.
Isto permitiu que o design do carro fosse repensado e este pudesse criar mais apoio aerodinâmico, algo essencial na alta competição. Outra novidade foi também o motor, um 4.0L, Flat Six, naturalmente aspirado, com 510 cv de potência.
Mas o que mais impressiona são os números dos testes realizados. A marca alemã fez rodar a sua máquina durante 50 horas, na exigente pista de Sebring, escolhida pela sua superfície irregular e da sua exigência técnica. 35400Km percorridos antes da prova de estreia nas 24 Horas de Daytona.
O próprio motor levou uma ‘tareia’ antes de ser considerado apto para a competição com mais de 300 horas no banco de testes, 70 delas em andamento contínuo.
Foi provavelmente o mais extenso e exigente programa de testes que uma máquina deste género enfrentou. Os engenheiros da Porsche não brincaram em serviço e levaram a evolução do RSR muito a sério. Foram construídos sete carros, dois para o IMSA, dois para o WEC e três para testes. Estão vendidos seis para equipas privadas para o próximo ano.
Fábio Mendes
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